20

939 Words
CAPÍTULO 20: Frederico Ao chegar na sede, encontro Antônio examinando o carro de Sophia, que haviam trazido para o local. — De quem é esse carro? — ele pergunta, curioso. — Assunto meu — respondo, sem desviar o olhar. — Deu para esconder as coisas? — ele continua, aparentemente desconfiado. — Não é nada de mais — digo, tentando minimizar a situação. Nesse momento, um dos nossos homens aparece apressado. — Maria está na enfermaria, parece que perdeu o bebê — ele informa com uma expressão grave. — Eu não acredito que ela perdeu o bebê de novo — Antônio reage, visivelmente alterado. Ele sai correndo em direção à enfermaria, deixando claro o quanto a situação o abalava. Kaio, então, se aproxima de mim. — Tudo certo com a garota? — ele pergunta, num tom mais cauteloso. — Parece que sim — respondo, ainda pensativo. — Consegui alguns dados da digital do anel que foi usado nos dedos da assassina. — Descobriu a identidade? — ele questiona. — Não — respondo, com um suspiro frustrado. — Então qual é a novidade? — ele insiste. — Algumas informações — continuo. — Ela é de outro país, veio criança para a Austrália nos barcos que seu pai trazia os imigrantes. Trabalhava para ele. — Você está falando sério? — Kaio me encara, surpreso. — Sim — confirmo. — O barco afundou, provavelmente os pais dela morreram, e o pai dela a impediu de ir embora. Não encontramos nenhum nome nos documentos que bata com o DNA, apenas essas informações. — E ele a mandou para onde? — Kaio pergunta, levantando uma sobrancelha. — Para algum projeto secreto dele? — ele sugere, fazendo uma expressão intrigada. — O único projeto secreto dele era com Antônio, Saimon e Jean Carlos — respondo, tentando manter a calma. — O projeto das mulheres sendo usadas como armas humanas. — Sim — ele diz. — Eu cancelei qualquer verba para esse projeto depois da morte dele. Kaio parece processar as informações. — Nos arquivos que você tinha, tinha alguma informação de que treinaram alguma garota? — ele pergunta. — Não, as informações eram rasas — falo, passando a mão pela testa. — Seu pai não deixaria essa garota aqui por nada — ele continua, pensativo. — Ela sobreviveu porque as digitais batem. Ela matou seu pai por vingança pela morte dos pais dela. — Essa garota do carro? — pergunto, desconfiado. — Pode ser ela que matou meu pai e agora quer se aproximar? — A tal Sophia? — Kaio pergunta, dando de ombros. — Não, comparei as digitais, não são iguais. Completamente diferentes. O barco que a assassina veio, veio da África. Sophia saiu do Brasil há dois anos e tem um histórico de lá desde criança. Ela nunca viajou para fora do país, tem histórico de escola, de projetos educativos, cursos... tudo isso. Aqui na Austrália, só tem registro da compra do carro e do intercâmbio que ela fez. — O carro era novo, mesmo? — pergunto, ainda duvidando. — Sim — ele responde. Eu respiro fundo e passo a mão pela minha cabeça, tentando processar as novas informações. — Antônio estava onde no dia do assassinato do meu pai? — pergunto, desconfiado. — Em um jantar com Maria — Kaio responde. — Estranho, né? — comento, refletindo. — Ele trata a mulher dele como lixo, além de ter perdido o bebê, ainda vai torturá-la. — É — Kaio concorda. — Nem todos os chefes de máfia pensam como você em relação às mulheres. Se fosse seu irmão que encontrasse Sophia, ele nem daria chance para ela se explicar. Torturaria ela até achar que ela diria algo. Ela não diria nada, e já estaria morta. — É — respondo, pensativo. — Para que torturar as mulheres quando se tem tantos inimigos querendo te derrubar? Kaio olha para mim, ponderando. — O que fazemos com os dois caras que sequestraram a garota? — ele pergunta. — Soltamos? — Não, mate-os — respondo com frieza. — Assim, vão pensar duas vezes antes de sequestrar de novo. Kaio me encara, confuso. — Estou lá em cima resolvendo algumas coisas — continuo. — Amanhã, vou direto para a empresa, não volto para a sede. — A remessa do armamento ficou para ser entregue daqui a dois dias — ele fala, aparentemente sem mudar de expressão. — Está vindo de qual fábrica, de Saimon? — pergunto, desconfiado. — Apenas uma parte — ele responde. — Vamos manter assim — digo. — Tenho um pé atrás com o Saimon, mesmo o conhecendo há tanto tempo. Algo me diz que ele está sempre tramando alguma coisa. — Conheço pouco ele — Kaio comenta. — Mas ele e seu irmão vivem conversando. — Antônio já não passa confiança, junto com Saimon — falo, pensativo. — Às vezes, me pergunto: será que meu irmão seria capaz de matar meu pai? — Será? — Kaio pergunta, levantando uma sobrancelha. — Ele parece tão inofensivo, só confuso e picareta. — Aí é que está o problema, Kaio — respondo, com um tom grave. — Fiquei fora muitos anos, estudando tudo que meu pai queria para que eu tomasse o lugar dele quando ele morresse. Aprendi muita coisa, convivi com muita gente igual ao Antônio. Às vezes, acho que, em um piscar de olhos, ele puxaria o meu tapete e tentaria me derrubar. — Precisa tomar cuidado — Kaio alerta. — Estou tomando — falo, determinado. — Preciso de um carro. Você me arruma? — Claro — Kaio diz, sem hesitar. — Qual modelo? — Que nem esse que pegou fogo — respondo, arqueando a sobrancelha.
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