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795 Words
Frederico Observo a garota sendo levada por Maria até a enfermaria, e Kaio se aproxima de mim com uma expressão séria. — O que você conseguiu descobrir pela placa do carro? — pergunto, tentando manter a calma. — Sophia Souza Alves, 18 anos, Brasileira — Kaio responde. — Ela veio para um intercâmbio há dois anos e passou um tempo na Austrália. — E quanto a amigos ou família? — continuo, tentando entender melhor a situação. — Ela é bem reservada, não é muito ativa nas redes sociais. Só posta fotos de comida e das viagens que faz — ele responde com um tom de quem já investigou o suficiente. — E os homens que a sequestraram? — pergunto, ainda com uma sensação de que há algo mais em jogo. — Foram pegos e estão sendo interrogados agora — ele diz. — Está desconfiando dela? — Não sei. Tem algo nela que me incomoda — respondo, pensativo. — Por mais que ela tenha demonstrado muito medo quando me viu armado, quando viu meus homens também. Algo não está certo. — Dê uma pressão nela — Kaio sugere. — Se ela ficou nervosa assim, é sinal de que vai soltar a língua rapidinho. E se ela tiver medo de você, vai falar sem hesitar. — Depois que meu pai morreu, todo mundo virou inimigo — digo com amargura na voz. — Ainda mais depois de usarem uma mulher para matá-lo. Quem garante que não estão tentando fazer a mesma jogada de novo? — Nenhum i****a faria o mesmo golpe sabendo que você está desconfiado — Kaio responde com certeza. — Onde está meu irmão? — pergunto, mudando de assunto. — Está lá dentro resolvendo as finanças — ele diz. — Deixe ele fora disso — falo com firmeza. — Vou confrontar essa garota e descobrir se ela foi enviada por alguém ou se está falando a verdade. — Eu te aviso assim que souber de mais alguma coisa sobre ela — Kaio diz, fazendo um gesto de concordância. — Vai até lá — ordeno, e ele assente antes de sair. Entro na enfermaria e vejo a garota sentada, com Maria ao seu lado. Ela observa tudo com atenção, e ao me ver, parece ficar visivelmente assustada. — Pode sair, Maria — ordeno, e ela assente antes de se levantar e sair da sala. — O médico já me liberou, posso ir embora? — a garota pergunta, parecendo hesitante. — De onde você é? — pergunto, indo direto ao ponto. — Sou brasileira — ela responde, com um tom de voz baixo. — E quanto tempo está aqui? — continuo, analisando cada movimento dela. — Dois anos — ela responde rapidamente. — Você tem certeza de que foi sequestrada? — pergunto com um olhar fixo, buscando algo em seu comportamento. Ela me encara, e com um leve tremor na voz, responde: — Sim. Eles colocaram fogo no meu carro, você mesmo mencionou isso. Eles me machucaram, me feriram — ela fala, seu olhar se tornando vago enquanto se recorda do que aconteceu. — Você sabe onde está? — pergunto, tentando medir suas reações. — Não — ela responde, com um semblante assustado. — E sabe quem eu sou? — pergunto, deixando a tensão crescer na sala. Ela me olha, um pouco perdida, e responde com sinceridade: — Desculpe, mas eu não sei. Deveria saber? — a dúvida em sua voz é visível. — Meu nome é Frederico, Sophia. E você está na sede da máfia australiana — eu a observo fixamente. — Eu sou o chefe dessa organização. Você se jogou na frente do meu carro para chegar até aqui. Agora, me entregue o microfone e a câmera. — Eu não tenho nada disso — ela responde com a voz trêmula. — Se eu te revistar, vou encontrar algo? — pergunto, minha paciência se esgotando. — Pode me revistar — ela diz, com um leve tremor na voz. — Não vai encontrar nada. Eu a encaro intensamente. — Eu juro para o senhor que só estava fugindo — ela começa a chorar, se encolhendo na cadeira. — Eles rasgaram minha roupa, tocaram em mim... Eles iam me estuprar, iam fazer coisas horríveis comigo... Eu só consegui fugir. Corri, corri sem parar. Eu não vi seu carro. Não sei onde estou. Se me perguntar como cheguei até aqui, não sei... eu juro — suas palavras saem entrecortadas pelo choro. Ela me olha nos olhos, e por mais que suas palavras e lágrimas pareçam verdadeiras, eu a observo profundamente, sem desviar o olhar. Ela não recua, mantém os olhos fixos nos meus, e continua repetindo o que já disse. Algo nela ainda não me convence, mas ela não desiste de me olhar, e sua expressão de medo é inegável.
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