SOPHIA NARRANDO
Eu suava descontrolada, tentando manter a calma. Ele se acomodou na poltrona do quarto enquanto eu me dirigia até o bar para preparar sua bebida.
— Com gelo ou sem gelo? — perguntei, retirando os meus sapatos.
— Com gelo — respondeu ele. — Nunca te vi na boate antes.
— Cheguei agora pouco — falei, enquanto preparava a bebida.
Coloquei o pó no copo, mas, no momento em que ele se aproximou, levei um susto e acabei despejando mais do que deveria. Saimon tinha sido claro: era para colocar só um pouco.
— Para você — falei, entregando o copo para ele. — Deixa que eu faço uma massagem em você na banheira.
Sorrindo, passei minha mão pela gravata dele, começando a abrir os botões de sua camisa social. George era um homem atraente, bem apresentado.
Ele pegou o copo de minhas mãos, despindo-se rapidamente antes de entrar na banheira que eu já tinha preparado. A água começava a encher, e eu me ajoelhei atrás dele, começando a massagear seus ombros, tocando seu peitoral com delicadeza.
— Quantos anos você tem, Melina? — ele perguntou, de olhos fechados, apreciando o toque.
— Dezoito — respondi, com uma risada discreta.
— Nova e bonita — ele disse, sorrindo. — Já sabe os prazeres da vida.
— Dar prazer aos homens como o senhor é meu trabalho — falei, beijando seu pescoço enquanto ele terminava de beber a bebida.
Mas, logo, algo começou a mudar. Ele se mexeu desconfortável e sua expressão se transformou.
— Estou com falta de ar — disse, tossindo forte. — O que você colocou na bebida? — Ele arremessou o copo longe. — Sua vagabunda!
Tentei me aproximar, mas ele se afastou, colocando a mão no peito. Quando ele tentou se levantar, perdeu o equilíbrio e caiu com força na banheira, batendo a cabeça. Eu me aproximei, apavorada, mas ele estava morto.
Num pânico crescente, peguei meu celular, mas antes que pudesse entender o que fazer, meu telefone tocou. Era Saimon, com várias mensagens perguntando onde eu estava. Peguei o celular de George e tentei conectar o pen drive, mas comecei a perceber que o sangue escorria por todo o quarto e pela banheira. Estava em desespero total.
A porta se abriu abruptamente. Era Saimon.
— O que aconteceu? Onde está o George? — Ele entrou no quarto, olhando o sangue espalhado.
— Foi sem querer — falei, nervosa, tentando explicar. — Ele se desequilibrou e bateu a cabeça.
Saimon me olhou com raiva, seus olhos como lâminas afiadas. Depois olhou para o corpo de George.
— Ele começou a passar m*l, com falta de ar — continuei, chorando. — Eu acho que coloquei o pó todo que estava no anel.
Saimon se aproximou de mim e, com um tapa forte, me fez sentir a dor física que combinava com a dor emocional.
— Você estragou tudo! — ele gritou, e eu olhei, em choque, enquanto ele pegava seu celular. — Deu errado, os planos falharam. Estou indo embora com ela. Desligue as câmeras. — Ele fez uma pausa. — Ok, estamos saindo. Vamos!
Ele me pegou pelo braço e me arrastou.
— Por favor, perdoa — implorei.
Saimon não respondeu, e meu pânico crescia. Eu não tinha planejado isso, não era o que queria. Ele me empurrou para dentro do carro e entrou do outro lado, acelerando a marcha. Dirigiu em alta velocidade até a casa.
Quando ele parou, ele abriu a porta do carro.
— Vem! — ordenou.
Eu balancei a cabeça, recusei, mas ele insistiu, gritando:
— Desça do carro, Sophia!
Eu desci, trêmula. Ele me empurrou na direção do quarto vermelho, e eu já sabia o que estava por vir.
— Não, por favor, não! — implorei, com lágrimas escorrendo.
— Tira a roupa — ele ordenou, e eu hesitei, mas, vendo o olhar dele, obedeci.
Quando terminei, ele mandou que eu me ajoelhasse. Eu não fiz. Saimon me pegou pelo cabelo e me forçou a me ajoelhar.
Ele se aproximou com o ferro com os pregos. Eu estendi as mãos para cima, tentando mostrar que estava pronta para sofrer.
— Você foi treinada para não mostrar emoção, para não deixar uma lágrima cair — ele disse, batendo forte em minha mão. Eu senti os pregos perfurando minha pele, mas tentei não gritar. Ele puxou, rasgando minha carne. — Você foi treinada para me obedecer!
Ele me obrigou a levantar a outra mão. Bateu nela também, e a dor foi insuportável.
— Agora vão investigar a morte dele — ele disse, com voz fria. — Não será só um m*l súbito.
Olhei para ele, sentindo cada golpe como um castigo por ter falhado.
— Está doendo, Sophia?
— Não — respondi, minha voz firme, apesar da dor. Eu não queria mostrar fraqueza.
Ele me observou por um momento e, então, disse:
— Você vai ficar aqui até eu achar que está pronta de novo. Ou, se preferir, posso simplesmente te descartar.
— Eu juro que estou pronta, por favor, confie em mim — falei, tentando controlar as lágrimas e o medo.
— Será? Ou você me fez de i****a? — perguntou ele, com um tom amargo.
— Foi a primeira vez — disse rapidamente. — O homem começou a me xingar, e eu fiquei com medo. Você não me disse que as coisas aconteceriam dessa maneira!
Ele me encarou, sem falar nada, mas sua expressão endureceu.
— Me perdoa, Saimon, por favor. Eu prometo que vou fazer tudo certo da próxima vez.
Ele andou atrás de mim e me atingiu nas costas com o ferro com pregos. Eu contive o grito, mas senti cada golpe rasgar minha pele. Fui forçada a olhar para ele, sem deixar que uma lágrima caísse, sem permitir que a dor me dominasse. Quando ele finalmente me soltou, eu caí no chão, e a última coisa que vi foi o sangue escorrendo pelo meu corpo, antes de perder a consciência.