8

994 Words
SOPHIA NARRANDO Eu suava descontrolada, tentando manter a calma. Ele se acomodou na poltrona do quarto enquanto eu me dirigia até o bar para preparar sua bebida. — Com gelo ou sem gelo? — perguntei, retirando os meus sapatos. — Com gelo — respondeu ele. — Nunca te vi na boate antes. — Cheguei agora pouco — falei, enquanto preparava a bebida. Coloquei o pó no copo, mas, no momento em que ele se aproximou, levei um susto e acabei despejando mais do que deveria. Saimon tinha sido claro: era para colocar só um pouco. — Para você — falei, entregando o copo para ele. — Deixa que eu faço uma massagem em você na banheira. Sorrindo, passei minha mão pela gravata dele, começando a abrir os botões de sua camisa social. George era um homem atraente, bem apresentado. Ele pegou o copo de minhas mãos, despindo-se rapidamente antes de entrar na banheira que eu já tinha preparado. A água começava a encher, e eu me ajoelhei atrás dele, começando a massagear seus ombros, tocando seu peitoral com delicadeza. — Quantos anos você tem, Melina? — ele perguntou, de olhos fechados, apreciando o toque. — Dezoito — respondi, com uma risada discreta. — Nova e bonita — ele disse, sorrindo. — Já sabe os prazeres da vida. — Dar prazer aos homens como o senhor é meu trabalho — falei, beijando seu pescoço enquanto ele terminava de beber a bebida. Mas, logo, algo começou a mudar. Ele se mexeu desconfortável e sua expressão se transformou. — Estou com falta de ar — disse, tossindo forte. — O que você colocou na bebida? — Ele arremessou o copo longe. — Sua vagabunda! Tentei me aproximar, mas ele se afastou, colocando a mão no peito. Quando ele tentou se levantar, perdeu o equilíbrio e caiu com força na banheira, batendo a cabeça. Eu me aproximei, apavorada, mas ele estava morto. Num pânico crescente, peguei meu celular, mas antes que pudesse entender o que fazer, meu telefone tocou. Era Saimon, com várias mensagens perguntando onde eu estava. Peguei o celular de George e tentei conectar o pen drive, mas comecei a perceber que o sangue escorria por todo o quarto e pela banheira. Estava em desespero total. A porta se abriu abruptamente. Era Saimon. — O que aconteceu? Onde está o George? — Ele entrou no quarto, olhando o sangue espalhado. — Foi sem querer — falei, nervosa, tentando explicar. — Ele se desequilibrou e bateu a cabeça. Saimon me olhou com raiva, seus olhos como lâminas afiadas. Depois olhou para o corpo de George. — Ele começou a passar m*l, com falta de ar — continuei, chorando. — Eu acho que coloquei o pó todo que estava no anel. Saimon se aproximou de mim e, com um tapa forte, me fez sentir a dor física que combinava com a dor emocional. — Você estragou tudo! — ele gritou, e eu olhei, em choque, enquanto ele pegava seu celular. — Deu errado, os planos falharam. Estou indo embora com ela. Desligue as câmeras. — Ele fez uma pausa. — Ok, estamos saindo. Vamos! Ele me pegou pelo braço e me arrastou. — Por favor, perdoa — implorei. Saimon não respondeu, e meu pânico crescia. Eu não tinha planejado isso, não era o que queria. Ele me empurrou para dentro do carro e entrou do outro lado, acelerando a marcha. Dirigiu em alta velocidade até a casa. Quando ele parou, ele abriu a porta do carro. — Vem! — ordenou. Eu balancei a cabeça, recusei, mas ele insistiu, gritando: — Desça do carro, Sophia! Eu desci, trêmula. Ele me empurrou na direção do quarto vermelho, e eu já sabia o que estava por vir. — Não, por favor, não! — implorei, com lágrimas escorrendo. — Tira a roupa — ele ordenou, e eu hesitei, mas, vendo o olhar dele, obedeci. Quando terminei, ele mandou que eu me ajoelhasse. Eu não fiz. Saimon me pegou pelo cabelo e me forçou a me ajoelhar. Ele se aproximou com o ferro com os pregos. Eu estendi as mãos para cima, tentando mostrar que estava pronta para sofrer. — Você foi treinada para não mostrar emoção, para não deixar uma lágrima cair — ele disse, batendo forte em minha mão. Eu senti os pregos perfurando minha pele, mas tentei não gritar. Ele puxou, rasgando minha carne. — Você foi treinada para me obedecer! Ele me obrigou a levantar a outra mão. Bateu nela também, e a dor foi insuportável. — Agora vão investigar a morte dele — ele disse, com voz fria. — Não será só um m*l súbito. Olhei para ele, sentindo cada golpe como um castigo por ter falhado. — Está doendo, Sophia? — Não — respondi, minha voz firme, apesar da dor. Eu não queria mostrar fraqueza. Ele me observou por um momento e, então, disse: — Você vai ficar aqui até eu achar que está pronta de novo. Ou, se preferir, posso simplesmente te descartar. — Eu juro que estou pronta, por favor, confie em mim — falei, tentando controlar as lágrimas e o medo. — Será? Ou você me fez de i****a? — perguntou ele, com um tom amargo. — Foi a primeira vez — disse rapidamente. — O homem começou a me xingar, e eu fiquei com medo. Você não me disse que as coisas aconteceriam dessa maneira! Ele me encarou, sem falar nada, mas sua expressão endureceu. — Me perdoa, Saimon, por favor. Eu prometo que vou fazer tudo certo da próxima vez. Ele andou atrás de mim e me atingiu nas costas com o ferro com pregos. Eu contive o grito, mas senti cada golpe rasgar minha pele. Fui forçada a olhar para ele, sem deixar que uma lágrima caísse, sem permitir que a dor me dominasse. Quando ele finalmente me soltou, eu caí no chão, e a última coisa que vi foi o sangue escorrendo pelo meu corpo, antes de perder a consciência.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD