Frederico
— Ele estava acompanhando ontem na festa por uma garota chamada Melina — Kaio, que era investigador da polícia e meu amigo, diz — só que ninguém tem fotos, imagens, e as câmeras de segurança foram apagadas.
— Alguém a contratou para matar ele — eu falo, indo até a janela do escritório e vendo carros chegando para o velório — mas quem?
— Seu pai tinha diversos inimigos — ele responde — pode ser qualquer um desses que estão ali embaixo, fingindo que estão chorando pela morte dele.
— Nesse meio, é tudo oportunismo, tudo mentira — eu respondo, com amargor na voz.
— Desculpa incomodar — Maria, esposa do meu irmão, fala entrando no escritório — o corpo vai chegar em meia hora, cunhado, Antônio mandou avisar que já estão vindo.
— Obrigado, Maria — eu falo, e ela assente com a cabeça antes de sair.
— A morte dele foi por excesso de substâncias, que é considerado veneno, e por ter batido a cabeça — Kaio diz — o legista acabou de me mandar.
— Na banheira? Ele bateu a cabeça na banheira? — eu pergunto, incrédulo.
— Sim — Kaio responde.
— Eu vou até o local — eu falo, decidido — quero ver o local todo.
— Agora? — Kaio pergunta, surpreso.
— Vamos sair pelos fundos — eu respondo, sem hesitar.
Eu e Kaio nos dirigimos até a sede de festas da máfia Australiana, uma construção suntuosa. Entramos e nos dirigimos até o quarto, encontrando-o exatamente como estava.
— Um anel — eu digo, observando o objeto sobre a bancada.
— O anel que foi usado para colocar o veneno — Kaio observa.
— Conseguimos as digitais da pessoa? — eu pergunto, meu olhar fixo no anel.
— Se tiver dados dessa mulher misteriosa na Austrália, conseguimos descobrir quem ela é — Kaio responde.
— Procure pelo mundo todo — eu falo, firme. — Não quero que se limitem apenas aqui.
Ando pelo quarto, minuciosamente observando cada detalhe. Eu ainda não havia encontrado nada que me desse uma resposta definitiva, mas a sensação de que estava perto de descobrir quem mandou matar meu pai me consome.
Eu volto para o velório, e quando desço, o corpo de meu pai já está sendo velado. Antônio está ao lado dele, olhando em choque para o corpo.
— Onde você estava? — Antônio pergunta, com um tom de preocupação — todos estão perguntando sobre você.
— Fui até o local do crime — eu falo, e ele me encara, esperando mais explicações — Descobri algumas coisas interessantes.
Eu olho para o corpo de meu pai, fecho os olhos e coloco a minha mão sobre ele, sentindo o peso da dor.
“Eu vou vingar sua morte, meu pai” eu penso, com firmeza.
— Frederico, Antônio — Saimon fala, se aproximando de nós. — Meus sentimentos.
— Obrigado, meu amigo — eu respondo, sem tirar os olhos de meu pai.
Saimon, Samuel, Antônio e eu crescemos juntos. Nossos pais eram muito amigos, e acabamos criando um laço forte, como irmãos.
— Se você precisar de ajuda, meus homens estão à disposição — Saimon oferece, sempre disposto a ajudar.
— Obrigado — eu respondo, agradecido, mas ainda imerso nos meus próprios pensamentos.
Olho para todos naquela sala, observando cada um deles. As mulheres, os homens… Todos poderiam ser culpados. Todos entrariam na minha lista de suspeitos. Quem matou meu pai? Quem era o mandante? E quem era essa mulher misteriosa?
— Frederico — a mulher do comandante das forças armadas da Austrália fala, me chamando. — O nome da garota era Melina.
Eu a encaro, surpreso com a informação.
— Como você sabe? — eu pergunto, com um olhar atento.
— Eu escutei seu pai apresentando-a — ela explica, com um olhar sério. — Os dois subiram uma hora antes dele ser encontrado morto. Ela envolveu todos ao seu redor, principalmente os homens.
— Eu tenho certeza de que ela foi contratada por alguém — eu falo, a certeza tomando conta de mim.
— Eu nunca a vi em nenhuma festa — ela diz, pensativa — mas eu a reconheceria se a visse novamente.
Agora, mais do que nunca, eu sabia que estava no caminho certo. A mulher, Melina, tinha sido uma peça crucial no plano, mas quem a contratou? Isso, eu ainda precisava descobrir.