Saimon narrando
Eu observo Frederico de longe, noto a desconfiança estampada em seu rosto. Antônio se aproxima de mim com um olhar inquieto.
— A garota, está morta? — ele pergunta com um tom frio. — Quando Frederico assumir o comando da máfia e ver o investimento do meu pai nela, ele vai pirar. Com o jeito que ele está desconfiado, vai acabar descobrindo tudo.
— Não vou matar ela — respondo, em tom baixo. — Gastei tempo e recursos com ela. Ela levou uma lição pesada e tenho certeza de que não vai falhar de novo.
— Eu quero a Sophia morta — ele afirma, sem rodeios.
— Se você tentar se aproximar dela, quem morre é você — respondo com firmeza, enquanto vejo a raiva crescer no olhar de Antônio. — Você criou esse plano maluco, agora se vira. Ninguém encosta a mão na minha garota.
Com isso, me afasto dele. Sinto seu olhar de raiva queimando nas minhas costas, mas ignoro. Entro no meu carro e sigo para casa, ansioso para ver como ela está.
Ao chegar, encontro o médico saindo do quarto vermelho.
— Os ferimentos foram graves — ele me diz, com uma expressão séria. — Ela vai demorar para se recuperar completamente. A cirurgia foi complicada.
— Perdi a cabeça — confesso, a culpa pesando na minha voz. — Ela não cumpriu a missão como deveria.
— Seja qual for o seu plano, não seja mais agressivo com ela — ele adverte. — Ela já tem cicatrizes suficientes, você não pode quebrá-la mais.
— O senhor quer me ensinar a treinar minha própria mulher, doutor Vinícius? — pergunto com sarcasmo.
— Faça como Henrique da máfia francesa, que torturou sua mulher até ela conseguir completar a missão... e depois fugiu levando suas filhas — ele diz, me encarando. — A diferença é que ela falhou porque foi tratada com medo. Você precisa construir confiança, não só intimidação. Senão, ela vai falhar sempre e não vai te servir para nada. Eu atendo várias máfias, sei o que estou dizendo.
O médico sai e, com a mente girando, entro no quarto vermelho. Ela está encolhida na cama, mas assim que me vê, tenta ajeitar sua postura, como se quisesse ser mais apresentável.
— Me desculpe por ter falhado na missão — ela diz, a voz trêmula. — Eu não esperava que ele morresse na minha frente.
— Você vai precisar se acostumar — respondo, tentando suavizar o tom. — Ele não será o primeiro, nem o último.
— Então você não vai me descartar? — ela pergunta, com a voz cheia de insegurança.
— Mesmo que todos queiram isso, eu não vou — afirmo com convicção. — Eu acredito em você. Eu só perdi a cabeça porque você falhou, mas isso vai passar. — Seguro sua mão, ela a encolhe, mas insisto e a pego novamente. — Você é uma boa garota, Sophia. Não precisa ter medo de fazer o que tem que ser feito.
Ela olha para mim, seus olhos marejados.
— Matar alguém... isso me lembra de quando meus pais morreram. Ninguém os salvou — ela fala, a dor transparecendo em sua voz.
— Sabe aquele homem que você envenenou na noite passada? — pergunto, suavemente. — Nos tempos em que os barcos traziam imigrantes, se eles não morressem, viravam escravos dele. Se seus pais não tivessem morrido, você também teria sido uma escrava nas mãos dele. Mas por algum motivo, você foi para um orfanato e se salvou dessa miséria. — Ela me olha, surpresa. — Eu não quero te fazer m*l, Sophia. Meu pai também nunca quis. Você é a minha princesa, você sabe disso. — Carinho sua face, procurando transmitir todo o apoio que posso. — Eu não sou um homem r**m. Quero limpar esse mundo, acabar com esses imundos que sujam tudo.
Ela respira fundo, enxuga uma lágrima que escorre.
— Eu sei que você quer o meu bem — ela diz, com um olhar mais tranquilo. — Eu confio em você, Saimon.
— Vem comigo — falo, estendendo a mão. — Você não precisa ficar aqui.
— Vai me tirar daqui? — ela pergunta, com um fio de esperança na voz.
— Sim — respondo com firmeza. — Você vai ficar comigo no meu quarto. Aqui, seremos apenas nós dois, sem o mundo lá fora. Vou cuidar de você e, um dia, você será minha mulher. — Beijo seus lábios suavemente.
Eu sei que Doutor Vinicius está certo. Ela precisa confiar em mim, não ter medo. Sophia carrega muitos traumas, principalmente pela morte dos pais. Todos esses anos de treinamento a tornaram forte, fisicamente imbatível. Ela atira e luta como ninguém. Mas, quando George começou a morrer, ela entrou em desespero, temendo que ele fosse o próximo. Isso a quebrou.
— Você a levou para o seu quarto? — Samuel pergunta, enquanto eu me sirvo de uma bebida. — Achei que iria descartar ela, já que não serve para seu plano.
— Ela serve, sim — respondo, com convicção.
— Frederico está atrás dela — ele avisa.
— Ele não vai encontrá-la — respondo com confiança. — Antônio não vai deixar que isso seja descoberto.
— Você confia no Antônio? — ele pergunta, com um tom cético.
— Com a posição que tenho e a posição dele, somos mais poderosos do que ele pode imaginar — digo, olhando firme para Samuel.
— Sabe que o dinheiro que papai deixou não é suficiente e que precisamos de mais, né? — ele lembra.
— Por isso, mantenho a Sophia comigo — afirmo.
— Vai fazer ela virar uma "galinha de ouro" para ganhar dinheiro? — ele pergunta, surpreso.
— Ela é nossa fonte de lucro. Com ela, vamos dar golpes ao redor do mundo e, em um ano, estaremos ricos — digo, com um sorriso de confiança.
— Você está ficando louco? — ele diz, incrédulo.
— Eu nunca estive tão sã na vida — respondo, com um sorriso malicioso. — Dinheiro é investimento. E nós seremos os homens mais ricos da Austrália.
Samuel ainda parece duvidar, mas eu sempre soube do imenso potencial de Sophia. Ela vai ser nossa chave para o sucesso.