Se ela tivesse dito isso, a frase teria sido infundida com paixão, sugerindo o conto de fadas pelo qual eles passaram a ser os donos dos Saunders. Quando Reese disse isso, ele fez o hotel parecer um cachorro coxo, surdo e cego que precisava ser abatido.
Não. Ela não aceitaria isso. Não de Reese. Não dos pais dela. Era possível que eles tivessem esquecido o quanto o hotel significava para eles. Não ter dinheiro criou sentimentos desesperados. O pai dela não estava tão nervoso quanto ele já teve uma vez que causou problemas cardíacos. Talvez eles precisassem da intromissão dela.
O telefone de Reese tocou e a voz de sua secretária pôde ser ouvida.
- O carro da srta. Saunders está aqui senhor.
- Eu não quero. - Anny disse, ainda debruçada sobre a mesa dele.
Ele levantou os olhos para ela e eles permaneceram travados em um concurso de olhar aquecido até que "Muito bem" veio do alto-falante do telefone e depois desligou novamente.
Anny se endireitou. Lá fora, a chuva começou a cair em lençóis. Será que ela não percebeu? Um arrepio involuntário percorreu sua espinha e, possivelmente, seus lábios estavam ficando azuis de seus cabelos molhados, mas ela manteve os joelhos trancados e os braços cruzados firmemente sobre os s***s para escondê - los.
- Tenho um compromisso que não posso perder, mas não vou deixar você em suspense Anny. - Reese levantou-se, habilmente desabotoou o terno e encolheu os ombros. Aqueles ombros. Meu Deus. Ele era a montanha de um homem. Alto e largo e o oposto absoluto do que alguém poderia esperar como um dono de hotel-barra-bilionário.
- Suspense? - Ela repetiu, sua voz baixa quando ele saiu de trás da mesa. Os olhos dela se apertaram para encontrar os dele quando ele colocou o terno sobre os ombros dela.
- Eu não vou mandar sua b***a fantástica embora, Anny. - Seus lábios eram exuberantes. A boca dele era feita para o pecado. Mas ele era o Satanás em pessoa. Então fazia sentido o que ele falou.
Ela agarrou o terno quando ele a soltou. Ela deveria estar jogando nele, mas o terno estava quente e ela estava congelando. E cheirava a dinheiro e poder. Duas coisas que ela desejava não fazê-la se sentir segura. O que havia nesse homem? Ela já viu fotos dele antes e, sim, notou que ele era atraente, mas pessoalmente havia algo nele que a fazia se sentir totalmente feminina. Mesmo nos piores momentos possíveis. Como quando ele estava pendurando seu trabalho sobre um poço cheio de lava e desafiando-a a agarrá-lo.
- Eu agradeço sua reconsideração. Eu pertenço ao Saunders.
Até que ela descobrisse uma maneira de recuperar o hotel, pelo menos ela poderia estar lá. Ela teria uma maneira de atrasar a remodelação.
- Não Anny, você me entendeu m*l. Eu não posso mantê-la lá - disse ele, franzindo o cenho em sua testa perfeita. - Mas eu posso oferecer a você quase qualquer posição que você desejar nos Thompson Hotels. Temos vagas em Wisconsin, Virgínia e Ohio. Sei que não é Chicago, mas é provável que você possa ficar no Centro-Oeste.
Ele passou por ela enquanto ela olhava para a chuva, seus dedos ficando dormentes ao redor das lapelas de seu terno. Não apenas ele a estava demitindo, mas ele esperava que ela trabalhasse para ele? Esperava que ela deixasse Chicago? Esta era a cidade dela, caramba! Ele não tem o direito de expulsá-la.
Quando ela se virou, Reese estava pressionando um botão na parede e as portas do escritório se abriram.
Um homem careca e sorridente apareceu na porta e deu a Reese um aceno de saudação. Ele notou Anny em seguida e assentiu.
Bem. Anny não se importava com quem ele era; ele estava prestes a receber uma bronca. Ela não permitiria que Reese Thompson a demitisse depois de jogar a bomba nos pés.
Ela caminhou até a porta entre ele e seu convidado.
- Você me escute bem Thompson, você parece um rato de esgoto.
Desconsiderando o terceiro, ela fervilhava com Reese.
- Vou encontrar uma maneira de contornar suas maquinações e, quando o fizer, vou voltar aqui com o contrato que meus pais assinaram e enfiar na sua b***a.
As sobrancelhas de Reese se levantaram e seus lábios deram um sorriso. Em vez de se desculpar com o convidado, ele sorriu para o careca, que, para seu testemunho, ficou chocado e disse:
- Você terá que perdoar a srta. Saunders. Ela não gosta quando não consegue o que quer.
O homem careca riu, embora parecesse um pouco desconfortável. Reese inclinou a cabeça para Anny.
- Há mais alguma coisa Anny?
- Sua cabeça em uma lança.
Com aquele golpe de despedida, ela saiu, segurando firme o paletó. Ela o vestiu durante a descida do elevador, pelo saguão agradável, e saiu na Superior Avenue, onde o tirou e o jogou em uma poça de lama reunida perto do meio-fio.
Ela voltou para o Saunders na chuva, dizendo a si mesma que vencera essa rodada. Mas Anny não se sentiu vitoriosa.
Ela se sentiu perdida.
--- horas depois no Thompson Hotel... ---
Reese Thompson tinha nove problemas: os outros membros do conselho de administração, que agora estão na frente dele, murmurando entre si sobre jantar e bebidas no centro da cidade. À esquerda dele na sala de conferências estavam seu irmão mais novo, Tag, e seu pai, Alex. Pouco tempo depois quando a reunião acabou e os membros do conselho administrativo da rede de hotéis Thompson Hotels saíram, ele suspirou.
- Essa reunião foi tão boa quanto o esperado. - Reese falou virando os olhos. - Bando de espaços velhos difíceis.
- Pelo menos você se segurou por um bom tempo. - o pai dele disse enquanto dava tapinhas no ombro do filho.
O fato é que Reese quase mordeu a língua para permanecer calado durante a reunião. Agora, ele sentiu o lábio enrolar enquanto observava os 13 homens de terno se afastando. Ele tinha um assento no conselho e o pai dele outro. Mas fato era que eles eram minoria. Graças ao seu bisavô, que fundou a Thompson Hotels e perdeu a porcentagem de controle para o público.
O conselho deixou claro no mês passado que não indicaria Reese no cargo de CEO da Thompson Hotels quando Alex se aposentasse. Aparentemente, ninguém mudou de ideia coletiva. Eles sempre gostaram de Alex, mas nunca se interessaram por seus filhos.
- Bando de gente desleal. - disse Reese exasperado.