dinheiro contado fé infinita.

670 Words
o Ali, naquele lugar onde Daniel estava, tudo precisava ser levado toda semana. Nada vinha. Nada era dado. Tudo era cobrado. Para mim, era pesado. Eu tinha outros filhos. Jorge trabalhava em um mercado. Toda semana eram duzentos reais - quatro passagens: duas para ir, duas para voltar. Além das passagens, havia a comida. Os mantimentos. E, em algumas semanas, roupas. Sem comprar nada para mim. Sem sobrar nada. O dinheiro era vigiado. Contado. Eu não sabia mais de onde tirar. Nem como esticar o que já não dava. Foi nesse tempo que o Morte veio até mim. Foi a primeira vez que falei com ele. Ele queria saber da situação do Daniel. Achava que meu filho não ficaria preso por ser menor. m*l sabia ele o peso dos artigos que a polícia colocou sobre o Daniel parecia que falavam de um criminoso perigoso. Não de um menino baleado.Quando o Morte descobriu que Daniel ficaria preso - e pior, longe de casa - o choque foi grande. Centenas de quilômetros. Cento e cinquenta e cinco. De carro, seriam três horas.De ônibus, até quatro. Trocar de condução. Esperar no ponto. Caminhar. Por isso eu saía de casa à meia-noite. A visita era por ordem de chegada. Quanto mais demorava para chegar, mais demorava para entrar. ○ portão abria às oito da manhã. Mas, se a entrada atrasasse, o tempo com o filho diminuía. Cada minuto era roubado. ○ Morte me ofereceu ajuda financeira. Eu recusei.Nunca aceitaria o dinheiro dele. Eu sabia muito bem de onde vinha. Eu não sujaria minhas mãos Minha situação era complicada. Sem saída. Ainda precisava comprar lanche para os pequenos levarem para a escola. Os remédios da Sofia. E as alternativas não apareciam. Então fiz o que me restava. Fui pedir a Deus uma direção. Só Ele poderia me tirar daquela situação. Só Ele poderia abrir um caminho onde não havia nenhum. E ali, com o dinheiro contado e o coração cansado, eu escolhi confiar. Porque quando tudo falta, a fé vira sustento. E eu segui. Um dia de cada vez. Um portão de cada vez. Uma oração de cada vez.A estrada começava quando a cidade ainda dormia. Meia-noite. Enquanto muitas mães deitavam seus filhos, eu levantava Arrumava as sacolas no escuro. Conferia os documentos. Separava o pouco que tinha. O corpo cansado pedia descanso. Mas o coração não deixava. ○ lugar onde Daniel estava parecia o mais longe do mundo. Não só pela distância. Mas pelo que nos separava. Cento e cinquenta e cinco quilometros. Estradas longas. Ônibus cheios. Trocas demoradas. Pontos frios. No ônibus, eu viajava em silêncio. A cabeça cheia. O coração apertado. Cada parada parecia um teste. Cada atraso, um medo.Eu pensava nele. Sozinho. Ferido. Dormindo em um lugar que não era casa. Enquanto o ônibus cortava a madrugada, eu orava. Sem palavras bonitas. Sem força. Orava como quem respira. Porque parar de orar era morrer por dentro. A fé não dorme quando o filho está longe. Ela vigia. Ela espera. Ela insiste. Chegava cedo. Muito cedo. Porque a entrada era por ordem de chegada. ○ portão só abria às oito. Mas a filajá existia antes do sol. Mães iguais a mim. Rostos cansados. Olhos inchados. Sacolas parecidas. Ninguém perguntava muito. Todas sabiam,. Quanto mais tarde entrasse, menos tempo teria com o filho. E aquele lugar - tão distante no mapa -era o mais longe do mundo para uma mãe Longe do abraço. Longe do cuidado. Longe da justiça. Mas não longe de Deus. Enquanto esperava o portão abrir, eu sentia que Ele estava ali. Na fila. Na estrada. No silêncio. A fé que não dorme me sustentava quando o corpo falhava. E eu seguia. Porque mãe vai até o fim. Mesmo quando o fim parece longe demais. Pronto.agora eu começo mas um sábado de visita sem saber como viria o próximo mas eu vinha mesmo assim,ficava em pé do lado de fora dos muros enquanto lá dentros os pequenos infratores como são chamados "detentos" estava dormindo nos mães estava ali aguardando ansiosa,.
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