Estacionei o carro, em frente ao meu lugar de fuga, refúgio e redenção. Era aqui que eu sempre me encontrava com ela, seja nas lembranças ou fisicamente. Voltar ali como quem volta a um campo de batalha vencido. A porta fechou atrás de nós com um clique seco que soou como um decreto: ali ninguém nos encontraria. O kitnet era pequeno, Ãntimo demais, um microcosmo onde eu havia guardado pedaços de uma vida que parecia não ter mais vez. Fechei a porta, olhei pra ela e disse, simples, direto: — Vamos ficar aqui esta noite. Ela só acenou e entrou, deslizando pela sala como quem tateia um sonho com medo de acordar. Subimos as escadas rápidas, o ar pulsando quente entre nós. Quando ela parou no centro do quarto e olhou ao redor, a pergunta saiu baixa, cortante: — O que isso signif

