BEN Um ano. Um ano desde aquela noite catastrófica na minha casa, o cheiro de pétalas murchas e desilusão. Um ano desde que eu quase perdi tudo por causa da minha própria arrogância, da minha necessidade doentia de ser o "cara". E nesse um ano, a Luana não só me perdoou, ela me refez. Foi ela quem me domou. Quando o meu pai voltou, a gente sentou, os três: eu, ele e a Betina. A decisão foi unânime, mas carregada. Eu continuaria como a "cara" do morro. A figura pública. O Brutus, o lenda, precisava ficar na sombra, curtir a liberdade e, principalmente, acalmar o coração da Betina, que não aguentava mais ver nenhum de nós dois no meio da treta. Foi estratégico. E eu, com o ego inchado e uma noção de dever distorcida, aceitei. Achava que podia equilibrar. E a Luana, minha san

