Capítulo 122

1443 Words

BRUTUS A noite na cela é um bicho vivo, irmão. Um monstro escuro e úmido que respira na tua nuca. O dia até vai, com a zoeira b***a, a discussão por migalha, o cheiro de comida r**m. Mas a noite… a noite é o inferno particular de cada um. É quando o silêncio vira um barulho ensurdecedor dentro da cabeça. É quando a memória vira um filme de tortura, passando todos os frames de uma vida que ficou do lado de fora dessas grades. Eu deito nesse colchão fino, que mais parece uma tábua, e finjo que tô na minha cama. Fecho os olho e forço a mente a me levar pra longe. Pra ela. Sempre pra ela. A Betina. Minha gata. Meu porto seguro que tá ancorado num oceano de distância. O celular é o meu salva-vidas. Na escuridão, debaixo do lençol sujo, a tela brilha. É o meu farol. Minhas mãos, q

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