BETINA O coração não era só uma palavra naquele dia, era um peso físico, um nó de concreto e lâminas apertado atrás do osso do peito. Cada batida doía, um lembrete surdo do que a gente tinha perdido, do que a gente estava tentando, desesperadamente, segurar com as pontas dos dedos. Aquele era o dia de levar a Ceci e o Lipe para visitar o pai. O Renan. Meu homem. A âncora que agora estava presa no fundo do mar, longe de nós. A Ceci, com seus onze anos que pareciam carregar o peso de cinquenta, se vestiu sozinha com uma roupa simples, um conjunto rosa. Ela passou a mão no tecido, alisando as imperfeições inexistentes, um gesto de nervosismo que ela herdou de mim. Ficou parada na frente do espelho, séria, os olhos grandes, como os do Renan, mas azuis como os meus, examinando o próp

