Capítulo 120

1867 Words

BRUTUS Porra, dois meses. Sessenta dias de cadeia. Sessenta noites preso nessa cela de concreto, ouvindo ronco, peido e o choro baixo de algum fracassado que não aguenta a pressão. A cela é um cubículo de merda, um tanque para deixar um homem louco. São dez de nós aqui, amontoados que nem sardinha em lata estragada. O calor é de fuder, um cheiro de suvaco úmido que gruda na pele e não sai nem na porrada. O cheiro é uma mistura do d***o: mijo, cloro, suor rançoso e um desespero que tem gosto de metal na boca. A gente passa o dia contando os tijolos, apostando fumo, lembrando de como era livre. Eu, que já fui o dono do morro, o homem que não abaixava a cabeça pra ninguém, tô aqui reduzido a um número, um zé-ninguém de branco e caqui. O Pereba, coitado, se foi no assalto. Um cara com mais

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