Capítulo 4✓

1024 Words
ARIELA Ele cerrou o maxilar e me encarou. Por um segundo, muito breve, fiquei perdida em seu olhar, quase me desestabilizei, mas então, novamente, seu maldïto ego e arrogância apareceram com força total. — Tudo o que sei é que você é uma enxaqueca do carälho. O quê? Ele acabou de me chamar de enxaqueca? Cerrei os punhos, apertei os olhos na direção dele seu olhar estava fixo no meu, tudo parecia uma piada de mau gosto do universo. — Diga isso de novo se você tiver coragem.— Eu rosnei. — Claro, e deixe-me colocar desta forma... você me dá muita dor de cabeça. — Falou como se eu fosse uma criança de três anos. — Então caia fora daqui! Eu não te convidei, eu nem sei o que você está fazendo aqui. Estava mais do que disposta a chutá-lo nas bolas. Mas Felipe pegou meu braço e gentilmente me puxou para longe. — Agora percebo que talvez não seja uma boa ideia— Ele tenta suavizar o clima com uma risadinha nervosa. — Já chega. Vocês não chegarão vivos à Itália se continuarem brigando. — Não dou a mínima, vou pegar minha remessa. Deixe a princesinha engasgar com suas birras. Tentei dar um passo em sua direção, determinada a esmagar aquele rostinho bonito com meu punho, mas Felipe, mais uma vez, me segurou. Eu bufei enquanto o pedaço de mërda sorria, esse era o jogo dele, me provocar e depois me fazer parecer uma löuca, o pior é que ele sempre conseguia. Mäldito! — Por favor, pessoal. Serão boas horas juntos, aproveitem e se conheçam um pouco. — Felipe beijou minha cabeça. — Eu adoraria que vocês dois se dessem bem. Enojada e muito indignada, rapidamente fugi deles. Eu precisava de alguns minutos sozinha antes de ter que suportar sua existência amaldiçoada. Então desci as escadas, atravessei o corredor e cheguei ao pequeno porto onde o barco que nos levaria para a Itália estava sendo preparado. Para ser sincera, senti vontade de dar um chute na cara dele, e provavelmente teria dado se Felipe não estivesse lá. Achei que não houvesse ninguém tão cínico neste mundo, mas o Michael é um verdadeiro filho da püta. Eu tinha que sair dessa o mais rápido possível, contanto que Michael ficasse a quilômetros de distância de mim, tudo ficaria bem. Eu ainda serei quem eu sou, ainda estarei no controle, ainda amarei o Felipe e sempre serei aquela que domina tudo isso. Peguei um cigarro que costumava esconder nas coxas e levei-o aos lábios. Eu me sentia ansiosa e, se minha mãe me visse agindo desse jeito por causa de algum ïdiota, eu provavelmente estaria em algum centro médico ou convento. Não é normal, nada em mim é, mas com Felipe eu posso ser, me sinto normal e é exatamente isso que me liga a ele, por isso e por todo o amor que tenho por ele, não posso deixá-lo, não suporto a ideia de perdê-lo. Estou sempre em conflito e o único ponto estável é esse. — Pequena Ariela. — olhei para ele pelo canto do olho enquanto dava uma longa tragada no meu cigarro. — Estamos todos prontos para zarpar, quando você der a ordem. Suspirei e fechei os olhos, deixando a nicotina fazer efeito e me acalmar. Eu tinha que me controlar, não podia deixar essas emoções tomarem conta de mim, muito menos na frente do meu namorado. Deixei cair a ponta do cigarro, olhei para o John e caminhei ao seu lado até chegarmos ao barco onde todos os meus homens e os de Michael nos esperavam. — Eu te ligo. — sussurrei quando me aproximei do Felipe. — Você fumou? Ele bufou em descrença. Eu sabia que Felipe odiava quando eu fumava, mas não era hora para esse tipo de reclamação. — Eu também te amo. — Beijei-o nos lábios antes de entrar no barco com o John. — Estou deixando minha mulher para você, meu amigo. — ouvi-o dizer, e meu coração quase se partiu em dois. — Claro. — Respondeu o cínico antes de subir ao meu lado. Olhei para ele, dando-lhe o olhar mais reprovador de todos. Michael precisava urgentemente tirar essa cara de cínica. Por que ele voltou? Podia ter sido engolido pela terra, eu estava quase me esquecendo que ele existiu. — Pare com essa cara f**a, vamos nos divertir. — Ele passou por mim, mas não havia nada de divertido em sua voz. — Não há dúvidas sobre isso... — murmurei, entrando completamente no barco enquanto ele se afastava do cais. Entre direto na cabine do capitão. Dei a ele todas as ordens correspondentes, assim como a tripulação. Verifique cada detalhe e organize a guarda para as próximas horas. Por sorte, já era quase noite, então eu só teria que me trancar na minha cabine e deixar o John cuidar do resto. Sorri de satisfação quando vi minha carga. Havia todo tipo de coisa lá, mas a predominante era a dröga que minha mãe havia criado. — Quero vigilância o tempo todo nessas portas. — apontei para a entrada dos armazéns onde minha mercadoria estava. — Além disso, informe para o Samael que chegaremos ao porto dele e informe a minha mãe que a visitarei em breve. Ordenei ao John enquanto caminhávamos em direção à minha cabine correspondente. De todos os homens que meus pais tiveram, John é o mais leal a mim, aquele que provou estar do meu lado a vida toda, e não posso confiar em mais ninguém além dele para essa jornada. — Como você disse, menina Ariela— ele sorriu. Me chamar de “menina” não é muito agradável, mas considerando que ele me conhece desde que eu usava fraldas, posso lhe dar esse privilégio. — Obrigado John, me avise qualquer novidade.— e sem mais delongas ele saiu e eu me tranquei na minha cabine. A exaustão toma conta rapidamente. Soltei um suspiro e observei a lua começar a entrar pelas janelas do navio. Eu gostaria de acordar e tudo que sinto ter passado. Não quero mais suportar isso, não quero mais sofrer por ele como estou sofrendo.
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