ARIELA
— Quero tudo pronto em dez minutos e partiremos em quinze. Felipe, certifique-se de que os agentes da guarda costeira não nos rastreiem, não quero outra surpresa. — ordenei enquanto organizava os últimos detalhes para que pudéssemos partir para a Itália o mais rápido possível.
Felipe, infelizmente, não pode se juntar a mim porque ele tem alguns negócios importantes para resolver, e aquele filho da püta do Caio não para de me irritar com seus joguinhos. Preciso de uma pessoa de confiança para assumir o comando da minha base antes que tudo vá por água abaixo, e quem melhor para fazer isso do que meu namorado?
— Você parece estressada. — Felipe sussurrou quando ficamos sozinhos. Eu realmente estava, toda essa situação estava me deixando löuca, sem falar nos meus desejos estúpïdos toda vez que ele volta.
— Estou apenas cansada, e o Caio continua nos meus calcanhares, tenho certeza de que ele está planejando algo. — Seus lábios se curvaram ligeiramente para cima, e imediatamente depois, ele plantou um beijo no meu pescoço.
Fechei os olhos, aproveitando sua companhia. Uma onda de calor inundou meus sentidos enquanto meus pensamentos devotavam toda a atenção a ele.
— Felipe...— Eu choraminguei, fazendo-o sorrir contra minha pele.
— Quando você voltar, eu sei.
Com suas mãos grandes ele me vira para que nossos corpos se encaixem perfeitamente. Era assim que Felipe e eu éramos juntos, perfeitos e tão bem combinados que era impossível para mim me separar dele. Sorri quando ele se aproximou, mas antes que ele pudesse juntar nossos lábios, uma voz irritante, chegou aos meus ouvidos.
— Desculpe pelo atraso.
Seu olhar encontrou o meu. Apesar de todo o tempo em que ele esteve fora da minha vida, eu ainda o conhecia e entendia cada expressão que ele tinha. Ele estava furioso, e seu maxilar travado, punhos cerrados e olhar venenoso só confirmaram isso para mim.
— Andrews! Já faz um tempo, amigo. — Felipe me soltou de seu aperto para ir atrás de Michael, dando-lhe um abraço em saudação.
— Eu frequento essas instalações há muitos anos, precisava de uma pausa.
Usando todo o meu autocontrole, forcei-me a não demonstrar o aborrecimento de ter que suportar a proximidade dele e a hipocrisia de ser amigo do Felipe.
A presença dos dois ao meu lado, num mesmo cômodo, me fez virar do avesso. É como se eu estivesse me lembrando de que estava traindo os dois, de que estava sendo uma vadïa com os dois. Mas... ter os dois, em momentos e ocasiões diferentes, era o que todo o meu corpo e alma clamavam.
— Vittore. — Michael murmurou.
Parecia que ele estava sussurrando algo e*****o em meu ouvido com sua voz profunda e rouca. E lá estava de novo, todos aqueles sentimentos que eu queria jogar fora.
Eu me sentia presa, uma fraca por estar dividida entre amor e s**o, mas me considero, uma mulher que sabe o que quer. E estar com Michael definitivamente não era um plano para o meu futuro. Éramos Felipe e eu.
— Vou mantê-lo informado sobre tudo. — disse para Felipe com um sorriso enquanto acariciava suas mãos.
— Tudo bem, princesa. Apenas certifique-se de que tudo ocorra conforme o combinado e lembre-se de não...
— Eu sei o que estou fazendo, não se preocupe. — Afirmei.
— Bem, felizmente você terá boa companhia e alguém em quem pode confiar...
Franzi a testa, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Eu tinha certeza de que se eu visse minha reação em qualquer reflexo, ela estaria tão brava quanto surpresa.
— Sei que não te contei nada, mas o Michael pensou em ir com você para verificar se não há problemas.
Realmente tive que usar um esforço sobrenatural para não demonstrar meu aborrecimento com suas palavras. Eu sou a da princesa da máfia, não preciso da ajuda de um parasita como o Michael e, além disso, já é desconfortável o suficiente vê-lo no meu escritório nesse momento, quanto mais ter que suportar sua presença arrogante e estúpïda em um maldito barco por várias horas.
— Não, eu vou sozinha. — Eu disse, sem me preocupar em estar contradizendo ele na frente do seu “amigo”. Não dou a mínima se ele ficar bravo, ele não podia tomar esse tipo de decisão sem me avisar.
— Ei, princesa... — Felipe segurou meu rosto com as duas mãos, um sorriso caloroso surgiu de seus lábios e seu olhar era tão fofo que me fez bufar. Eu sei onde isso vai acabar. — Não fiz isso para te chatear, só quero facilitar sua vida.
“Se Michael estiver envolvido, tudo vai para o inferno.” Pensei, culpando-me pela extensão dos meus problemas.
Tenho certeza que meu amor pelo Felipe é enorme, eu me perco em seus lábios, em seus olhos. Eu pertenço a ele tanto quanto ele pertence a mim, e não consigo imaginar uma minha vida sem ele, mas... Meu olhar sempre se volta para aquele homem. Ele não tira de mim seu olhar frívolo e fascinante, posso senti-lo e até ouvi-lo dizendo meu nome.
Michael poderia me fazer sentir tantas coisas, ele sempre me fazia sofrer com as partes mais nojëntas do amor, e eu o odeio, eu o odeio porque não consigo controlar isso. É um sentimento que me aprisiona, machuca e sufoca, e eu não consigo me desfazer.
— Tudo bem.
Felipe sorriu com satisfação enquanto deixava um beijo casto em meus lábios. Gostaria que ele me desse mais, mas ele é educado demais para quebrar os limites da intïmidade na frente de alguém.
— Você sabe que eles só querem manter sua posição no mercado, não se esqueça que a mercadoria estará com você, se algum posto de controle da Marinha o interceptar, você terá que me avisar imediatamente. — ele explica enquanto pego minha bolsa e Michael apenas nos observa do batente da porta.
Eu queria que houvesse alguma cura para o que sinto...
Vou ter que resistir, a menos que eu queira acabar com tudo que Felipe me oferece. Não posso mais deixar isso acontecer, não vou perder minha estabilidade por causa dele.
— Está tudo claro? — meu namorado perguntou, olhando para nós dois.
— Só uma coisa. — Pela primeira vez desde que chegou, o ïdiota falou. — Você pode dizer à sua mulher para não me dar ordens, eu não suporto isso.
Pisquei várias vezes enquanto processava o que tinha acabado de ouvir. Aquele cara deixou de ser um ïdiota e se tornou o maior babacä que já conheci na minha vida.
Ele acabou de dizer que sou mandona?
"Sim, ele disse isso... filho da... DRÖGA!”
— Não se esqueça de quem está no comando aqui, Andrews. — Digo calmamente, com o queixo erguido.