Alina A Lua N&gra se foi, mas deixou ecos pendurados nas paredes. Acordei com o cheiro de desinfetante misturado a fumaça antiga, como se a casa-alcateia inteira estivesse tentando esfregar da pele a noite anterior. O teto do quarto parecia mais baixo, as sombras mais densas. Minha mão latejava sob o curativo, lembrança viva da marca de sangue que eu mesma tracei em Viktor diante de todos. “Marcada do Alfa.” O título ainda soava estranho, como uma roupa que não tive tempo de ajustar. Vesti o casaco, prendi o cabelo às pressas e saí. O corredor já fervilhava. Betas cruzavam em passo firme, guardas trocavam informações curtas, enfermeiras levavam bandejas com remédios. No meio desse fluxo, as ômegas surgiam como uma corrente silenciosa: aventais, mãos manchadas de cloro, olhos atentos.

