Eu acordei antes do sol. Não por descanso. Por instinto. A floresta nunca dorme de verdade… e eu também não estava aprendendo a dormir. Meu corpo ainda lembrava da noite anterior — do sangue, dos gritos, da forma como Kaelith aparecia como uma sombra entre a morte e eu. E isso era o pior. Porque eu estava começando a me acostumar com ele. Eu me levantei devagar, sentindo a dor leve nos músculos. Ele estava ali. Como sempre. Encostado numa das pedras antigas, olhos abertos, imóvel demais para alguém que deveria estar descansando. — Você não dorme mesmo? — perguntei. Ele nem piscou. — Dormi. — Isso não conta. Ele virou o rosto lentamente. — Você também não dorme direito. Engoli seco. Ele percebia tudo. Sempre. — Eu não confio em dormir aqui. — Certo. Silêncio. Esse era

