?William Pharrell:
Aquela gatinha ainda vai ser minha.
Ah se vai.
Fico sorrindo, olhando para onde ela foi. Tão bonita, marrenta, sempre com a reposta na ponta da língua. Eu gosto do jeito dela, não se atirou pra cima de mim quando me viu, deve não saber quem eu sou. Me repele a cada investida que eu dou, me fazendo ficar ainda mais interessado.
—Eu não vou desistir tão fácil assim linda.—Sorrindo, batuco o capacete, ornamentado de vermelho, com os patrocinadores do meu time.
Entro no meu carro, e saio do condomínio cantando pneus.
Moro aqui a mais ou menos seis meses. Consegui dinheiro com as minhas corridas legais, e consegui um financiamento no banco. Certo que ainda estou pagando, e ainda não posso chamá-lo de meu.
Minha meta é me tornar um piloto profissional e conhecido, começar a ganhar ainda mais dinheiro e correr em todas as pistas possíveis. Ter grandes patrocinadores, faturar milhões e me aposentar cedo, garantir uma vida boa pra minha futura mulher. Uma vida perfeita.
Tenho que me encontrar com Scott e Vagner, e saber a minha próxima corrida. Aos 19 anos ,eu sou uma promessa, muitos patrocinadores me chamam e me pagam uma boa grana. Já tenho alguns milhares de dólares guardado, graças ao meu próprio trabalho.
Filho de um bancário e de uma ex- top model, irmão de um delegado da Polícia Federal e de um joalheiro. Percebem que as profissões da minha família são bem definidas , dizendo ao contrário. Somos uma família tradicional dos Estados Unidos, somos de classe média alta. Sempre estive em lugares sofisticados, cercado de pessoas da alta classe.
—Tá atrasado.—Scott fala, quando eu desço do carro. Ele está vestindo roupas pretas, como sempre.—Não surpreendendo ninguém.
—Tá Scott.—Reviro os olhos.—Vamos ao que interessa, não quero receber sermão hoje.
—Hoje ele tá com raivinha. Não achou ninguém pra t*****r?—Provoca rindo.
—Sua irmã não estava disponível.—A risada dele morre na hora.—Ou você quer se canditar?
—Não fale da minha irmã seu v***o. —Abre a porta da sua casa para que eu entre.—Já disse que esse assunto está proibido. Irmã e ex de amigo, é homem.
—Não está mais aqui quem falou.
Scott tem uma irmã mais nova. Celeste o nome. A garota é loira, tem uns 16 anos e sabe que é gostosa. Em algumas das minhas corridas ela estava presente, usando as típicas saias que mais parecem uma tira de pano. Já jogo charme pra mim algumas vezes, e eu acabei ficando com ela umas duas vezes, nada de mais. Foram apenas beijos, amassos e mãos bobas, nunca passou disso e nem vai passar. Celeste não é alguém que eu levaria pra cama.
Agora Abigail Shmitz... Aquela garota chega me deixar sem ar. Com o nariz empinado, sempre com uma resposta na ponta da língua, petulante, e difícil. O rostinho bem desenhado, cabelos lindos, longos e pretos. A aparência de um anjo, com personalidade de demônio. Ela é um desafio clássico.
Aquele demônio bonito ainda será minha garota.
Em algum momento ela vai ceder. E eu não sou homem de desistir cedo.
—Oi Will.—Britney diz sorrindo, se aproximando e beijando perto da minha boca.
—Oi Tiny.
Ela foi minha namorada por quase um ano, terminamos a pouco mais de seis meses, mas ela continua sendo uma boa e grande amiga pra mim. Nosso lance não deu certo, achamos melhor terminar de uma vez e seguir só com a amizade. Até o momento está dando certo.
—Qual a próxima corrida?—Me jogo num sofá, jogando minhas pernas e ficando deitado.
Scott e Vagner são meus melhores amigos desde sempre, e são também meus acessores. Eles que fecham negócio e conversam com os advogados da equipe que eu corro atualmente. Estamos em pausa de competições por equipe, então eu posso correr por conta própria. Vários organizadores ligam e oferecem uma boa grana para que eu participe. Eu acabo arrastando muitas pessoas que assistem, o que resulta em dinheiro para os organizadores. Todos saem ganhando, e eu mais ainda.
Eu estou defendendo o título do New York Race Score. São pouco mais de 25 corridas ao todo, por todo o estado. O maior corredor, leva o troféu e a bagatela de 750 mil dólares. Além do dinheiro que recebemos por fora, só por colocar um adesivo na lataria do carro, ou usar algum acessório que identifique uma marca ou alguém. É um bom dinheiro, e em contra partida, é bem difícil. São pilotos bons, que também estão atrás do dinheiro. Já ganhei duas vezes. A primeira, quando eu tinha apenas 16 e a outra com 18.
É por isso que eu sou uma preciosidade e estou valendo muito dinheiro.
Em breve espero começar a competir mundialmente, defendendo uma equipe ainda maior.
—Manhattam.—Vagner fala.—34 mil dólares oferecidos para que você corra.
—Aceitou?—Volto a perguntar.
—É óbvio. Você havia me dado carta branca para aceitar todas as corridas acima de 25 mil dólares que aparecesse.—Ele diz e eu concordo com a cabeça.
—Quando?
—Em cinco dias.—Vai demorar um pouquinho.—Temos que transportar seu carro até lá, cuidar das passagens e hospedagens.
—A Nike entrou em contato, oferecendo patrocínio. Nos enviaram uma infinidade de produtos da marca, uma caixa separada pra estrela é claro. 10 paus pra você usar o capacete personalizado.—Scott fala.—Eu dei o endereço da sua casa, mandei entregar a caixa lá. Mas agora que você já está aqui, o porteiro deve ter guardado na portaria.
—Não tem problema. Eles são muito responsáveis.
—Eu vou poder ir?—Tiny pergunta, bem animada por sinal.
—É óbvio.—O sorriso dela fica largo, quando Vagner fala.—Que não né garota. Ao menos não com o Will pagando sua estadia. Ainda não ficamos ricos.
—Ele não vai se importar.—Revira os olhos e cruza os braços.—E vocês também não são pobres, eu sei que esse negócio de corrida da muito dinheiro, ainda mais tendo o sobrenome que o William tem.
—Coloca o sobrenome da minha família no carro e mando que ele ganhe uma corrida sozinho.—Me irrito.—Eu já te disse milhares de vezes pra não me rebaixar a um sobrenome. Se eu cheguei onde estou hoje, foi graças a mim.
—Não foi isso que eu quis dizer, me desculpa.
—Só faz m***a viu garota. Não sei por que você ainda está aqui.—Vagner não gosta muito dela.—Você nem da equipe faz parte, só serve pra dá palpite e não ajuda em nada.
—Vai deixar que ele fale assim comigo?—Pergunta aumentando a voz.
—Chega vocês dois. Não podemos desconcentrar o piloto, ele é a peça fundamental.—Scott intervém.—Se você quiser ir Britney ,pague sua passagem e sua estadia lá.
Fecho meus olhos e deixo que eles discutam lá, não me intrometo em nada. Deixo que minha mente trabalhe, ignorando todos os três que estão ao meu redor.
Dou uma checada na minha conta no banco.
—5,7.—Coço meu queixo.—Irei quitar o apartamento primeiro, e depois eu vejo algo a mais pra fazer.
Mesmo sendo muito dinheiro para alguns, ainda é bem pouco. Se eu ter 10 corridas pra fazer, uma boa parte dele eu gasto, somente com locomoção e vistoria do carro. Enquanto o campeonato não volta, tudo é por minha conta, assim como todo o dinheiro que eu ganhar será meu.
Já trouxe a caixa para a minha casa, peguei alguns casacos de moletom e coloquei no meu closet. Vieram também uns 10 pares de tênis, alguns chinelos, camisas ,cuecas, meias, moletons. Sempre recebo coisas assim, por isso são raras as vezes que eu faço compras.
Tomo um banho, fico somente com um short moletom e sem cueca. Quando estou sozinho em casa, eu fico de short sem cueca ou somente com cueca. Ligo o ar condicionado, e me jogo na cama, ligo a TV e deixo em um canal qualquer.
Vasculho as redes sociais, atrás de algo que seja da estressadinha gatinha. Ela parece ser de outro mundo, não tem nada sobre ela. Pesquiso o sobrenome Rossetti e acho algumas postagens. As pessoas que mais aparecem é o tio dela, que mora no mesmo condomínio que eu. Em uma foto de família, consigo achar ela em meio a algumas pessoas. Com a carinha emburrada, usando um vestido preto, os cabelos soltos, quase nenhuma maquiagem no rosto. Mas é só isso que eu acho.
Quase que a história dos pais dela serem rígidos de mais, me convenceu.
Uma mensagem surge na tela do meu celular, abaixo a barra de motivações e vejo que é Tiny. Ela me convida para uma noitada, acabo dispensando e sigo na minha busca implacável. As vezes Britney fica no meu pé, agindo como se ainda fosse minha namorado. É uma situação chata, a advirto,pois não quero perder a amizade que nós temos. Já teve algumas vezes dela afastar garotas que grudaram no meu pé em alguma balada ou depois de uma corrida.
Vagner não gosta muito dela, pois diz que é muito evasiva, intrometida e que atrasa a minha vida.
Já desiste de tentar plantar uma amizade entre eles e ela.
Minha busca não teve muito sucesso, não consegui nada, mas eu ainda a encontro novamente.