Diferente dos outros, esse veio carregado de intensidade. O calor da boca dele contra a dela fez suas pernas fraquejarem, e a forma como ele a segurava, firme e ao mesmo tempo cuidadosa, fez seu coração disparar. As mãos dela subiram instintivamente até o pescoço dele, aproximando ainda mais os corpos, como se não houvesse espaço suficiente no mundo para separá-los.
Ele aprofundou o beijo, sem pressa, mas com uma urgência que revelava o quanto havia se contido até ali. Cada segundo era uma mistura de desejo e ternura, e ela teve certeza de que nada jamais se compararia àquilo.
Mas, de repente, ele interrompeu. Encostou a testa na dela, respirando pesado, os olhos fechados, como se estivesse lutando contra si mesmo.
— Eu… preciso parar — murmurou, quase sem voz.
Ela o olhou confusa, os lábios ainda trêmulos pelo beijo.
Ele sorriu de canto, acariciando de leve o rosto dela com o polegar.
— Você não sabe o quanto eu quero continuar… Mas você merece respeito. Eu não quero me perder no momento e correr o risco de te magoar.
Ela sentiu o coração derreter. Não porque ele parou, mas porque ele tinha parado por ela.
— Você nunca me magoaria — disse baixinho, mordendo o lábio, ainda sentindo o gosto dele.
Ele riu suave, beijou a ponta do nariz dela e respondeu:
— Não quero arriscar. Você é importante demais pra mim.
Bella não conseguiu dizer mais nada pelos próximos minutos, ela apenas suspeitou. Estava vivendo um sonho? Ou tudo aquilo era mesmo realidade?
E, mesmo com a vontade estampada no olhar, ele a envolveu num abraço apertado, deixando que o silêncio do jardim falasse por eles.
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Ele ainda a tinha nos braços quando se afastou só o suficiente para olhar bem para ela. O sorriso dele era suave, quase tímido, mas o olhar ainda queimava do beijo que tinham acabado de trocar.
— Vou acabar ficando m*l-acostumado com isso — ele brincou, num tom baixo, mas sincero.
Ela riu, encostando a cabeça no ombro dele, tentando disfarçar o quanto estava sem ar.
— Quem disse que vou te dar essa chance? — respondeu, com a voz aveludada de quem estava feliz demais para se conter.
Ele soltou uma risada curta, beijou o topo da cabeça dela e a envolveu ainda mais no abraço. Ficaram assim, só sentindo a presença um do outro, como se o tempo tivesse desacelerado.
Quando, enfim, ela se afastou, foi com a ponta dos dedos ainda deslizando pela mão dele, sem coragem de soltar de uma vez.
— Melhor irmos descansar — ela disse, mas a forma como a voz falhou denunciava que não queria que acabasse ali.
— Melhor… — ele concordou, mas não antes de roubar um último selinho rápido, um “até logo” que deixava o gosto da promessa não dita de que ainda haveria muito mais.
Ambos seguiram caminhos diferentes, com passos lentos e sorrisos guardados, carregando a leveza de uma noite que parecia não ter acabado de verdade.
A noite terminou, mas o pensamento não. Bella demorou a adormecer, abraçada ao travesseiro e com um sorriso bobo nos lábios. Ainda sentia o calor da mão dele na sua, o gosto suave do beijo que parecia não ter fim.
Charles, do outro lado da casa, repousava na cama com os olhos fixos no teto. Estava exausto, mas não conseguia apagar a lembrança daquele momento. Suspirou fundo, certo de que precisava se conter, e mesmo assim sorriu sozinho, como um garoto.
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O sol nasceu preguiçoso, iluminando o campo ao redor da propriedade. O cheiro de pão fresco e café invadia a casa.
Na cozinha, as mães já estavam animadas, Suzana e a mãe de Bella conversando sobre os passeios do dia anterior. Ruan apareceu primeiro, ainda com os cabelos bagunçados, e foi logo provocado pelas duas.
— Está com cara de quem sonhou a noite toda — disse Suzana, rindo.
Bella chegou logo depois, com os olhos brilhando, embora tentasse parecer comum. Sentou-se ao lado do irmão, que começou a brincar com ela enquanto comiam, como sempre faziam. Risadinhas, cotoveladas leves, piadinhas sem fim.
Charles entrou por último, o ar tranquilo de quem domina a própria postura, mas os olhos traíram a calma quando repousaram nela. Ficou em silêncio, observando a cena entre Bella e Ruan, sem demonstrar nada além de um leve sorriso contido.
A mesa estava em harmonia, recheada de conversas leves, risadas ocasionais e até alguns comentários das mães sobre novos passeios pela cidade. Tudo parecia natural… mas entre olhares discretos, corações batiam em outro ritmo.