Casa de campo (2)

4067 Words
Ponto de vista de Hanabi Hyuuga… Assim que acordei estava em um quarto que não era o meu. Demorei um pouco para perceber, porém, tudo me fazia entender que era um quarto da casa de campo dos pais da Moegi. O quarto é pequeno, ainda assim possui duas camas de solteiro pequenas, uma mesa de cabeceira no meio delas, uma penteadeira e um guarda-roupas, tudo em madeira escura. As duas camas estão arrumadas com lençóis bem coloridos, um degrade suave de todas as cores do arco-íris, —embora eu já tenha desarrumado um pouquinho uma delas— minha mochila está na outra cama, e na mesa de cabeceira, um pequeno abajur com forma de porco decorava e iluminava o quarto que estava escuro por conta das cortinas pesadas que impediam a passagem da luz natural. Terminando a minha análise, saí do quarto e após o corredor de quatro portas, fui parar em uma pequena sala muito acolhedora, olhei para a mesa e ela estava posta com... Seis pratos? Não entendi direito, nós somos apenas quatro pessoas... — Olá! — Olhei para frente e vi uma garota que provavelmente possui a mesma idade que eu me encarando. Cabelos negros lisos e longos, olhos verdes bem vivos… Sinto que conheço esse olhar radiante de algum lado. — Oi… — Cumprimentei de volta, ela é mais alta do que eu, além de ser muito bonita também. — Você é a Hanabi, certo? — Se aproximando de mim, ela questionou temerosa. Talvez ela esteja com medo de ter errado o meu nome? — Sim. — Confirmei. — Eu sou a Hanabi Hyuuga, e tu és? — Ela sorriu divertida, mas eu não sei o porquê… — Hikaru Loks! — Loks? — O meu primo fala muito de ti, e sinceramente não exagerou no quesito beleza. — Sorriu enquanto me analisava. Loks… Eu conheço esse sobrenome de algum lugar... Tentei lembrar do dono do sobrenome familiar. Já sei! — Por acaso você é prima do Shu? — Meio óbvio, principalmente porque não conheço outros homens com esse sobrenome. — Exatamente, ele é o meu primo mais velho, embora seja apenas de um ano. — Explicou. — Entendi... — Olhei ao redor do cômodo sem encontrar mais ninguém. — O que fazes aqui? — Ela é a única que encontrei… — Eu moro aqui perto com os meus avós, o meu primo veio visitar-nos e encontramos a Moegi, o Udon e o Konohamaru, então eles convidaram-nos para jantar! — Não me admira, amigáveis do jeito que são, ainda mais com o Shu, que além de colega, é nosso amigo, embora ele passe mais tempo com os colegas do fundo da sala. — Nesse caso, seja bem-vinda a este grupo louco! — Ela riu sem ter a mínima noção do porquê que falei desse jeito. — Obrigada! — Se bem que, o Shu deve ter contado muita coisa sobre nós para ela. — É bom ver que vocês já se conhecem. — Vimos a Moegi entrar no cômodo com duas caixas de pizza em mãos. — Muito conveniente acordares quando tudo está pronto, não é mesmo, Hanabi? — Sorri sem jeito. — Me desculpe, Momo! — Juntei as mãos e a chamei pelo apelido de casa para ser rapidamente perdoada. — Aff! — Ela revirou os olhos envergonhada. — Não te preocupes, eu estou apenas brincando… — Isso sempre funciona! — Além disso, a Hikaru e o Shu ajudaram-nos. — Nesse momento o Konohamaru, o Udon e o Shu entram com a comida. — Está vendo? — É… Vou ter que ficar com a parte mais difícil… Lavar a louça… — Olá Hanabi! — Olhei para ele. — Olá Shu! — Ri do excesso de energia investida na frase. O Shu é muito brincalhão e otimista, por isso não estou surpresa, ele não é como a Moegi e o Udon que não se separam de mim, mas também é um grande amigo. — Tu estás muito bonita! — Ele olhava para mim de cima a baixo enquanto pousava uma enorme tigela térmica na mesa. Ok, talvez não seja assim tão enorme, mas se eu não exagerasse um pouco, não seria eu mesma. — Ela está sempre bonita, não é Konohamaru? — O Udon cutucou o braço do Konohamaru. — S-Sim!... — Confirmou com as bochechas rubras. — Obrigada… — O que foi isso? Ele está agindo estranhamente desde que se despediu da minha irmã… Nós nos sentamos para comer, o almoço estava maravilhoso, pena que eu não ajudei a prepará-lo. Conversamos bastante, organizamos as coisas e mesmo deixando a conversa em dia, decidimos conversar durante mais algum tempo. A Hikaru é tão brincalhona quanto o seu primo, foi bom conhecê-la mesmo que por coincidência. Quando demos por nós, já passavam das vinte e uma, mas ninguém se importava tanto. — É uma pena que esteja ficando tarde… — Deixa retificar, o Udon se importava. — É verdade que quando nos divertimos o tempo passa rápido. — Concordei com a afirmação da Hikaru. — Voltamos! — A festinha estava tão boa que a Moegi e o Shu precisaram sair para comprar mais coisas. Se fossemos apenas nós os quatro todas as bebidas, doces e salgados que a Moegi e o Konohamaru compraram antes seriam o suficiente, principalmente porque a essa hora estaríamos dormindo pela longa viagem e pelo álcool que quase não consumimos, mas a energia desses dois primos é muito contagiante. Ou eu estou pensando errado e teríamos que comprar mais coisas mesmo assim, embora o Konohamaru esteja com cara de morto-vivo. Faz parte do cansaço. Eles entregaram-nos algumas garrafas de cerveja, e sabendo como o Konohamaru funciona, a Moegi o entregou apenas um pacote de salgados. Não estou acostumada a beber tanto, por isso parei por aqui antes de perder a compostura, ao contrário de mim a Hikaru pegou mais uma garrafa de cerveja. O Shu já desistiu e preferiu beber água e acompanhar a Moegi na pizza vegetariana que somente ela comia. Lembra quando eu disse que a energia desses dois primos era contagiante? Então, é a primeira vez que vejo o Udon bebendo demais e o Konohamaru desistindo de beber por livre e espontânea vontade, acho que ele tem plena consciência que quando bebe demais acaba por se deixar levar facilmente pelas palavras de terceiros, e para evitar que a Hikaru o manipule, preferiu parar. Sim, nesse pouco tempo deu para perceber que essa garota sabe como conseguir o que quer, e como irmão mais velho de uma garotinha de dez anos, ele sabia que para enfrentá-la e responder a suas perguntas afiadas, precisava estar o mais sóbrio possível. — E se jogássemos ao, verdade ou desafio? — A Hikaru pegou uma garrafa de refrigerante vazia. — Acho que é uma boa ideia! — O Shu concordou, mas o Udon hesitou. — Sei não… — Ele pode estar um pouco alterado, mas ainda é responsável. — Por mim tudo bem. — É uma forma de nos divertirmos, então, por que não? — Por mim também. — Esses olhares desafiadores entre o Konohamaru e a Hikaru estão me incomodando, mas eles estão apenas se divertindo, além disso, o Konohamaru gosta de outra garota, a não ser que essa garota seja a Hikaru, afinal, ele conhece o Shu a muito tempo, seria normal conhecer a Hikaru também… — Moegi, Udon… — Insistiu. Parece que ela quer mesmo jogar… — Se o Udon aceitar eu aceito. — Deu de ombros, é indiferente para ela. — Udon… — Ela juntou as mãos e pediu novamente para ele. Seus olhos brilhavam enquanto pedia. — Está bem… — Coitado, ele não teve outra opção além de aceitar. — Sim! — Celebrou a vitória. — Ainda bem que aceitaste rápido, a Hikaru é muito persuasiva. — Embora fosse bem óbvio, o Shu nos informou. Nós nos sentamos no chão e formando um círculo, seria bem mais fácil desse jeito. Resumindo, a Hikaru sentou ao lado do Konohamaru, ao lado dela está a Moegi, o Udon sentou ao lado do Shu que está ao lado da Moegi. E eu estou entre o Udon e o Konohamaru. — Eu sou a primeira! — E é claro que ela teria que ser a primeira, foi ela que sugeriu o jogo. Hikaru girou a garrafa que parou no Konohamaru, decidimos fazer o jogo do jeito tradicional, ou eu acho que é o tradicional, porque foi assim que o conheci. Alguém gira a garrafa, e o sortudo que calhar com a boca da garrafa apontando para ele responde à pergunta ou cumpre o desafio de quem girou, após isso pode girar a garrafa e interrogar ou desafiar. — Verdade ou desafio? — Ela nem ao menos esconde a empolgação… — Verdade. — Falou sem enrolações. Acho que com a Hikaru é melhor jogar na defensiva mesmo. — Estás apaixonado por alguém? — Pela forma como ela interagiu com ele o tempo todo, eu já deveria estar à espera dessa questão. — Sim, eu estou. — Não é novidade para mim e para a Moegi, mas parece que é uma novidade para o Shu. O Udon não parece estar surpreso também, porém, ele não está ligando para o jogo que m*l começou… Ela poderia perguntar se o Konohamaru está namorando alguém, mas acho que isso o Shu já contou. — Que pena... — Lamentou. — Já posso tirar o cavalinho da chuva.... — Bebeu um pouco de água, mesmo que ela quisesse, o Shu não a deixaria beber mais, que responsável. — Posso saber quem é? — O Konohamaru sorriu antes de responder. — Se não contares para ninguém… — Que resposta é essa? Ainda mais com esse sorriso perfeitamente perfeito… Nem eu sei quem é, por que a Hikaru pode? Ele sussurrou na orelha da garota e os olhos dela brilharam. Será que estou certa? Ele gosta dela? Não, isso é impossível, caso contrário ele me contaria, mas pensando bem, ele nunca me contou porque sempre fomos interrompidos, nunca foi proposital, caso contrário eu já saberia, assim como a Moegi e o Udon… Pensando bem, será que eles sabem? Quer dizer, a Moegi descobriu, por isso eles terminaram, certo? Mas o Udon e o Shu? Por que o Konohamaru guardaria segredos deles? Quer dizer, eles conhecem-se há bastante tempo. Há quanto tempo a Hikaru e o Konohamaru se conhecem? Por que ele tem tanta coragem para contar-lhe, mas para o Shu e para mim não? Eu sei que fiquei chateada no início, mas eu não bateria nele se ele me contasse… Será que o Udon sabe? Não, eles conheceram-se hoje! Caramba! São tantas questões por culpa do álcool! Estou ficando enciumada com essa situação, quer dizer… Ela não pode roubar o meu melhor amigo com o seu charme… — E por que não conta para ela? — Quebrou os meus devaneios com uma terceira pergunta. — Ainda não é a hora certa. — Deu de ombros. Eles estão tão próximos… Concentra-te, Hanabi! — Eu vou fazer-te confessar! — A situação parece muito divertida, pois ela está rindo da cara de desespero que ele fez. — Não é justo eu também quero saber! — Expressei cruzando os braços um pouquinho irritada. Eu tenho que descansar um pouco, estou ficando infantil demais… — Lamento, mas é um segredo de confissão! — Ela piscou o olho para ele. — Mas eu vou garantir que isso deixe de ser um segredo! — O Konohamaru parece realmente nervoso, ele até forçou uma tosse para mudar de assunto… — Minha vez… — Ele girou a garrafa que parou na Moegi. — Verdade ou desafio? — Sorrindo confiante ela falou: — Desafio! — Incrédulo com tamanha coragem, o Udon arregalou os olhos e o Shu riu, mas isso somente devolveu a coragem para o Konohamaru. — Bem, nesse caso… — Ele riu antes de continuar, algo me diz que alguém será assassinado hoje a noite! — Desafio-te a cantar “O Trapalhão Super-Herói” enquanto pulas a nossa volta. — Tentamos não rir, quer dizer, não queremos ser enterrados com ele, eu acho… Como o esperado, a Moegi deu uma olhada mortal ao Konohamaru, nós sabemos que ela odeia essa música, e descobrimos por acaso quando festejamos o aniversário de nove anos da Mirai no ano passado. Em defesa da Moegi, só a Mirai gostou da música. Ainda assim, minha amiga levantou-se e fez o que o Konohamaru pediu. Nós rimos bastante, principalmente da cara que a Moegi fez. Parecia uma louca! Após terminar ela sentou novamente ao lado da Hikaru. Se o olhar matasse ele já estaria a sessenta e quatro palmos abaixo da terra. — É a minha vez. — Ainda irritada, ela girou a garrafa que parou em mim. — Verdade ou desafio? — Verdade! — E não, eu não estou alterada o suficiente para tentar um desafio com ela propondo, mil vezes ler romances clichês com princesas indefesas. — Com quem você perdeu o BV? — Eu fiquei totalmente corada, fazia anos que eu não pensava nessas coisas… — F-Foi com um garoto que eu gostava muito, mas foi um acidente… — Tentei explicar, não sou do tipo que sai contando suas experiências amorosas por aí, principalmente quando sinto que sou a única com pouca experiência… — Eu iria beijar a bochecha dele e ele virou-se, então os nossos lábios se tocaram. Ele confessou que foi de propósito antes de me roubar outro beijo… — Não é de admirar que você chame a atenção dos garotos. — Ouvi o Shu. Até agora o Shu parecia analisar alguma coisa enquanto alternava o olhar entre o Konohamaru e eu, mas agora ele entendeu o que quer que tentava perceber. Eu fiquei ainda mais corada e involuntariamente olhei para o Konohamaru que estava tão corado quanto eu. Mas por quê? — M-Minha vez!... — Girei a garrafa que parou no Udon, e isso me animou, eu tinha um plano e estava disposta a executá-lo a muito tempo, acredito que essa seja a oportunidade certa! — Verdade ou desafio? — De-safio?… — A dúvida na sua voz era bem óbvia. Acho que ele ficou dividido entre fugir e confiar em mim. — Ok! — Sinto muito Udon, mas neste momento eu estou animada! — Desafio-te a ires até a janela e gritar “eu sou louco pela Moegi” para todos ouvirem. — Ele parece nervoso, mas levantou-se e fez o que eu “pedi”. — E-E… — Respirou fundo. Conhecendo como o conheço, ele vai ficar dois dias no mínimo sem coragem para nos encarar. — EU SOU LOUCO PELA MOEGI!! — Nós ouvimos alguns vizinhos reclamarem pelo barulho. Eu sei que o Udon gosta da Moegi a muito tempo e talvez assim ela repare mais nele, espero que esse outro cara por quem ela começou a nutrir sentimentos seja ele, embora pelo andar da carruagem seja bem claro. Sem querer olhei para ela que está totalmente corada. Enquanto isso, o Shu e a Hikaru não conseguem segurar as gargalhadas. Em contrapartida, o Konohamaru parece orgulhoso do que eu e o Udon fizemos. — M-Mi-nha v-vez. — Ele sentou novamente antes de girar a garrafa que parou no Shu. — Verdade ou desafio?... — Eu tinha razão, ele não consegue encarar nenhum de nós. — Verdade. — Escolheu. — Que sem graça! — A Hikaru não estava tão feliz com a escolha do primo, e eu sei bem o porquê. — Mas é a minha escolha, Hikaru! — Rebateu. — Embora você seja um livro aberto para todos. — O Konohamaru provocou, e nós concordamos. — Você queria que eu brincasse com a ira do Udon? Nem pensar! — A brincadeira fez o Udon se acanhar mais, então soltei uma risada. — Desculpa! — Pedi sem jeito quando olharam para mim. — Não tem graça, os desafios são mais divertidos! — Algo me diz que ela só quer ferrar o próprio primo. Mas não sei por quê. — Mas a escolha ainda é dele… — O Udon tentou ajudar. — Mas é como o Konohamaru disse, esse cara é um livro aberto para todos nós! — O Shu bateu na própria testa, então uma Hikaru bêbada é uma garota contrariada? — Eu não diria que sabemos de tudo por isso… — Tentei explicar, mas ela não acreditou muito. — Então espero que o Udon faça uma pergunta que tenha uma resposta surpreendente! — Cruzou os braços, aparentemente desistiu da birra. — O que perguntarias, Udon? — Eu tenho certeza que essa é uma tentativa desesperada de voltarmos ao jogo, mas o Konohamaru fez bem, porque conhecendo o Shu como conheço, e pelo pouco que conheci a Hikaru, eles brigariam de graça. — Ah, sim… — Agora ele não parece seguro da pergunta criada. — Já se apaixonou por alguém? — O Shu arqueou uma sobrancelha. — Por quê a pergunta? — A Hikaru parecia aborrecida, mas é uma boa questão. — Sei lá, eu nunca te vi com ninguém. — Sei que não o conheço a tanto tempo quanto os outros, mas pelo que lembro, ele nunca me falou de ninguém. Ele pareceu pensar na resposta por longos segundos enquanto alternativa o olhar entre o Konohamaru e eu. — Sim. — Sorrindo confiante ele afirmou. — Eu já me apaixonei pela Moegi. — Ok, isso foi uma novidade até para a Hikaru. — Sério?! — Foi como eu disse, até a Hikaru está surpresa. — Sim! — Acho que ele está se divertindo com as nossas expressões de surpresa. — Espera! — A Moegi abanou a cabeça como se quisesse “acordar”. — Por que eu nunca soube disso? — É uma boa questão. — Porque você estava com o Konohamaru! — Ele deu de ombros, mas faz sentido. — Então tive que desistir dessa paixão. — Eu não sei dizer quem está mais chocado, a Hikaru, que nunca soube disso mesmo o Shu sendo um livro aberto para ela, o Konohamaru, que é amigo dele faz tempo, o Udon que abriu e fechou a boca várias vezes para perguntar algo, mas não o fez, ou a Moegi que pela expressão, nunca percebeu nada. Pois é, esse jogo está tomando caminhos que eu não esperava… Ponto de vista de Konohamaru Sarutobi… Ele… Gostava da Moegi e nunca me disse? Tanto o Udon quanto o Shu olharam para mim, mas apesar de tentar eu não percebi esse olhar que o Shu lançou, enquanto o do Udon dizia: sinto muito… Não tive opções além de suspirar, dois amigos meus gostavam da minha ex-namorada e os dois não me contaram… — Mas agora gosto de outra garota. — Além de olhar, ele piscou para a Hanabi? Na minha frente? E para piorar ela corou com o gesto. S-Será que ele também gosta dela? Caramba! Estou me sentindo duas vezes traído pelo mesmo amigo… Nunca pensei nisso antes, mas… Será que existe uma hipótese de perder a Hanabi para ele? Não, eu não vou perder a Hanabi para ele porque ela nunca foi minha… — Continuando!... — Pediu enquanto alternativa os olhos entre mim e o próprio primo. Sinceramente, depois do que ouvi do Shu, sinto-me ferido, talvez ele tenha mais hipóteses que eu?... Sem pressa, ele girou a garrafa que parou na Hikaru. — Verdade ou desafio? — Verdade. — O Shu apertou os lábios para evitar um sorriso. Acho que ela optou por irritá-lo com a própria estratégia. — Qual foi a maior loucura que tu já fizeste? — Acredito que nem ele sabe… — Essa é díficil, já fiz tanta besteira. — Pensou por alguns segundos e apesar de não a conhecer bem, aposto que esse sorriso dela significa “vou aprontar”. — Por exemplo, eu já fiquei com dois homens ao mesmo tempo. — Falou divertida, para o nosso “desespero”. — Mas que!... — O Udon tapou a boca do Shu que parece querer enforcá-la. Tanto a Hanabi quanto o próprio Udon estão muito mais surpresos que eu, já a Moegi quase se engasgou com a última fatia de pizza que comia. — Calma, eu estou mentindo! — Ok, ela nos pegou de surpresa com essa mentira, conseguiu até mesmo me arrancar dos pensamentos confusos que passavam pela minha cabeça. — Deveriam ver as vossas caras, principalmente você, priminho! — Ela piscou para ele que está tremendo de raiva por ser enganado. — Céus! Hahaha! — Riu tanto que caiu no chão, a Moegi a acompanhou no mesmo minuto. Acho que a cara de choque que o Shu fez vai ficar imortalizada nas nossas mentes, quer dizer, até o Udon riu depois de um tempo. — Já chega… — O Shu está realmente irritado, é a primeira vez que o vejo assim, geralmente ele é bem mais tranquilo e brincalhão. — Está bem, parei! — Ela respirou fundo. Honestamente, apesar do choque inicial isso foi bem engraçado, principalmente porque a Moegi e o Udon entraram na diversão enquanto a Hanabi ficava vermelha, poderia dizer que foi por conta da bebida, mas eu a conheço bem, ela está com as bochechas coradas de vergonha. E admito que isso me fez sorrir. — Acho melhor pararmos por aqui, a Hikaru já bebeu demais… — Ele queria desistir. — Não, eu prometo me comportar! — Prometeu. — Você sabe qual foi a maior loucura que fiz na vida priminho. Foi durante as últimas férias de verão do ensino médio, eu fui até a montanha mais alta que temos aqui e… — Ela o instigou a continuar. — Você se atirou de cabeça enquanto fazíamos Bungee jumping! — Agora posso dizer que o Shu está normal outra vez, mas eu nunca o vi realmente irritado, então não posso reclamar da rapidez com que isso aconteceu. — Foi a primeira vez que você implorou pela minha ajuda! — Esses dois não batem muito bem da cabeça, mas isso os fez rir. Sinceramente, agora eu não estou me divertindo como eles, e isso simplesmente porque o Shu deu a entender que gosta da Hanabi e eu sei que eles passam muito tempo juntos… — Não sabia que aqui existia isso. — A Moegi parecia curiosa. — Nem pensar! — Exigi. Tenho certeza que ela quer tentar, e a conhecendo como conheço, vou ser arrastado para essa doideira… — Tranquilo senhor medroso, eu não te chamaria para isso! — Afirmou. — Medroso?! — Questionei revoltado. Os outros riram da minha cara. — Minha vez! — A Hikaru pegou a garrafa. — Aviso já que vou pegar pesado! — E para a minha sorte a garrafa parou em mim… — É preciso ter azar… — Estou temendo pela minha honra, mas como obviamente não é o meu dia de sorte… — Verdade ou desafio? Acredita que vou ser c***l de qualquer forma. — E eu sei perfeitamente disso… E agora? Se escolho verdade ela pode obrigar-me a confessar que gosto da Hanabi, mas se eu escolher desafio… — De-safio?... — Talvez ela seja c***l, mas prefiro qualquer coisa que não me obrigue a dizer o que sinto pela Hanabi, principalmente agora. — Certo! — Ela sorriu de forma maliciosa. — Eu te desafio a beijar a Hanabi! — O QUÊ?! — Não, eu não fui o único a berrar. Estranhamente a Hanabi não falou nada, na verdade, acho que ela petrificou. O que eu faço agora? — É esse o desafio, agora despacha-te! — Ordenou. Eu não quero que o nosso primeiro beijo seja dessa forma… — Não temos o dia todo! — Olhei para a Hanabi mais uma vez. Ela está super vermelha. Seria correto beijá-la na frente do Shu? E se eu entendi errado? E se ele gostar dela, ou o contrário? Acho que não tenho outra opção, mas… Respirando fundo, eu me aproximei dela, que obviamente está em pânico. Ponto de vista de Hanabi Hyuuga… E agora? Eu não posso beijar o meu melhor amigo! Ai, estou corada de novo… O que faço? — Konohamaru… E-Espera!... — Ele me segurou pelos ombros enquanto se aproximava. — Hanabi… — Ele parece um pouco melancólico, e não, ele não estava assim quando começamos. — Confia em mim, ok? — Pediu. Eu abanei a cabeça para dizer que confiava nele mesmo ainda estando muito nervosa. O meu coração estava muito descontrolado. Apenas confie nele, Hanabi… Apenas confie nele… Apenas… Ele aproximou-se ainda mais e me beijou... Na testa.
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