Casa de campo (1)

2721 Words
Ponto de vista de Konohamaru Sarutobi…  Estamos no meio da semana e até agora eu não acredito no fim de semana que tive, a Hanabi cuidou de mim. Tudo bem que foi só no Sábado, ainda assim foi maravilhoso! Talvez eu esteja sonhando demais, mas não posso evitar. “Concentra-te!” Tenho que terminar essas tarefas antes que… — Oie! Terra chama Konohamaru! — Fui arrancado de meus devaneios pela Moegi que gritou no meu ouvido. — Ai ai ai! — Reclamei enquanto levava as mãos aos ouvidos involuntariamente. — O que foi?! — Gritei de volta com um tom mais baixo do que aquele que ela usou, o que a fez rir. — Nossa! — Tentou, mas não conseguiu disfarçar a diversão. — Que rude! — Bateu levemente no meu ombro. — Desculpa Moegi, eu estava pensando em algo. Foi m*l… — Falei um pouco envergonhado. — Sim eu percebi, mas estamos no meio da semana e ainda não me ajudaste com os últimos detalhes… — Era disso que eu estava à espera. — Eu sei Moegi. — Ela tem se esforçado sozinha durante esse tempo que estive doente… — Prometo que vou dar o meu melhor! — Também por ela, que se esforçou tanto… — Eu sei que queres ajudar-me. — Sorriu sugestiva e eu não pude evitar de fazer o mesmo. Quem diria, de colega de sala para amiga, de amiga para namorada e de namorada para principal cúmplice, nunca pensei que isso aconteceria, mas a vida é imprevisível. — Falta apenas comprar os doces, encomendar as pizzas e convidá-los, certo? — Revi a minha lista mental. — Sim, apenas não se esqueça do mais importante. — Falou brava pondo as mãos na cintura, algo que fazia sempre que estava brava. Isso me lembra do ensino médio, quando aprendi que é melhor evitar uma garota furiosa. Resumindo, a Moegi bateu na garota que queria brigar com o Udon, e depois ficou brava comigo porque eu não a apoiei na briga. — Uma das pizzas deve ser vegetariana?… — Perguntei com medo de estar errado e ser repreendido por isso. — Exatamente! — Suspirei aliviado ao vê-la relaxar, felizmente lembrei que ela está de dieta. — Ok! — Levantei determinado, estava pronto para falar com o Udon, o que para mim era a parte mais fácil, agora, convidar a Hanabi, isso sim eu acredito que será difícil, por isso a proposta é que eu convide o Udon, e ela convide a Hanabi. — Espera! — Ela me impediu. — Ele está falando no celular… — Avisou como se eu não tivesse percebido ele entrando na sala com o celular na orelha. — Calma, eu não vou interromper a chamada por me aproximar… — Cruzei os braços repreendendo mentalmente o nervosismo desnecessário dela. — Mas… E se for a mãe dele querendo que ele passe o fim de semana com ela? Teríamos que adiar novamente… — Dei um t**a na minha própria testa, é estranho ver alguém tão autoconfiante quanto ela fraquejar em uma situação dessas, principalmente porque o combinado não é esse fim de semana. — Está bem, então eu não vou! — Sentei-me novamente para o desespero dela. — Espera! — Implorou. — Não vais desistir agora, certo? — Céus… Onde está a Moegi que eu conheço? — Ei, Udon! — Chamei por ele que já tinha encerrado a chamada. — Konohamaru! — Ela percebeu que eu queria fazê-la voltar à terra. — Oi! — A expressão do Udon não parecia das melhores quando aproximou-se de nós, o que deixou a Moegi mais nervosa, porém ele tem estado assim durante toda a semana, então não vamos recuar. — Oi! — Falei sorridente para passar confiança. — Oi Udon… — Os seus olhos brilhavam de tal forma que me atrevo a dizer que ela parece a Mirai quando a deixo jogar Mário Kart, ou seja, seu atual jogo predileto. Resumindo, a Moegi parece uma criança! — Moegi... Aconteceu alguma coisa? — Rapidamente ele percebeu que a Moegi está um pouco fora de si. — N-Não, e-eu só… — Que linda, ela está toda vermelha e m*l consegue falar! — Tens certeza? Estás muito corada. — Ele aproximou-se dela para verificar se não era febre ou algo do tipo, mas vacilou ao olhar para mim. — Desculpa… — Apertou a mão que pretendia levar até ao rosto dela e se afastou. — S-Sim… Quer dizer, não! — Isso está sendo mais difícil do que eu pensava… — Udon, posso saber o que te fez voltar aqui? A aula já terminou há… — Olhei para o meu relógio de pulso. — Uma hora. — É… Decidi abortar a missão antes que minha amiga tenha um colapso. — E-Eu esqueci o caderno aqui... — Inventou. Obviamente ele está mentindo, justamente para mim, seu único e grande amigo! — Sei… — Dei um sorriso malicioso. É óbvio que ele ficou esperando a Moegi. Ele pensa que eu não sei, mas já faz tempo que ele gosta dela de forma romântica, talvez desde o final do ensino médio, eu acho que foi aí que percebi, a diferença é que agora ele esconde menos. Provavelmente porque agora a Moegi está solteira. Não me levem a m*l, se eu soubesse que um grande amigo meu tinha um crush na Moegi antes de estarmos juntos a situação seria outra, mas quando percebi, ele afirmou que eu estava imaginando coisas, além disso eu e a Moegi já estávamos juntos a algum tempo, então preferi me fazer de cego e seguir em frente. Mas agora eu finalmente entendi a verdade, ainda bem que foi após o nosso término, caso contrário haveria bastante choro e desentendimento. — B-Bem eu vou-me embora… — Avisou constrangido, sinto que a minha presença o está incomodando. O que fiz de errado? Ele foi em direção a porta e a Moegi olhou para mim como se estivesse pedindo ajuda. Sem muitas opções, fiz um sinal para que ela falasse com ele. — Udon! — Ele virou-se para encará-la. — Sim? — Seu olhar vacilava entre nós. — E-Eu vou passar um fim de semana na c-casa de campo dos meus pais e-e… — Começou, e logo em seguida vacilou. — E? — Coincidentemente os dois a incentivamos a continuar. — E-Eu queria saber s-se queres ir comigo… — Ela respirou fundo antes de continuar. — E com o Konohamaru também, claro... Um fim de semana de amigos… — Baixou a cabeça envergonhada. — Certo… — Seu olhar se fixou em mim. — A Hanabi também vai? — Isso foi estranho… Por que ele quer saber se a Hanabi vai? — S-Sim, acho que sim… — Cutucou o meu braço em busca de ajuda. — Ainda não a convidamos, mas vamos fazê-lo em breve. — Avisei. — Está bem… — Deu de ombros. — Até amanhã! — Despediu-se antes de ir embora. — O que foi? — Perguntou ao perceber que eu olhava para ela. — Nada!... — Menti. Ela olhava para mim, e eu tentava não rir. — Konohamaru! — Me repreendeu. — Sunto muito Moegi, mas quando estás perto do Udon… — Não aguentei mais e caí na gargalhada. — Não tem graça… — Ela estava chateada, o que é estranho, entre nós é normal esse tipo de interação. — Tem sim! — Tentei fazê-la rir sem sucesso algum. Ela levantou e foi até a porta da sala, onde ficou de pé antes de encontrar o quê, ou melhor, quem procurava. — Ei, Hanabi! — Chamou por ela me fazendo imediatamente parar de rir. Ela saiu correndo, provavelmente atrás da Hanabi. Pensei em sair da sala, mas as duas entraram antes que eu conseguisse. — Algum problema, Moegi? — Claramente a Moegi a arrancou de sei lá onde sem explicar nada, e a prova disso é a forma como seus braços estão entrelaçados. — Pensei que vocês já tinham ido embora. — Falou assim que me viu. — Não, nós estávamos conversando. — Eu conseguia ver aquele sorriso travesso em seus lábios. Sinceramente, estou ferrado! — E você, por que ainda está aqui? — A Hanabi fez uma cara de desentendida antes de responder. — Eu estava conversando com o Shu e a Don até você me puxar pelo braço… — Explicou confusa. — Sim, mas o Konohamaru tinha algo importante para dizer. — Simples assim? Eu odeio quando a Moegi consegue virar o jogo contra mim… — Sobre? — Questionou curiosa como sempre. — Sobre… Ai! — A Moegi me deu uma cotovelada forte, não era necessário, mas ela sabia que eu travei. — O que foi? — Perguntei confuso. — Fala! — Ordenou sobre os nossos olhares perdidos, parece que só a ruiva está entendendo o que quer que seja. — Falar sobre o quê? — Ela sorriu divertida e apontou para a Hanabi com os olhos. — Hã, sim! — Ok, eu admito que a pus em uma situação difícil com o Udon, mas isso é um exagero… — É que... A Moegi vai passar o fim de semana no campo... Quer dizer, na casa de campo dela, e eu vou com ela! — As duas olharam para mim sem entenderem nada. — Q-Quer dizer… O Udon vai e você também. Ai! — Levei outra cotovelada. — Quer dizer... Se quiseres… — Sim, eu baguncei tudo, mas em minha defesa, não estava preparado para falar com ela agora, por isso a Moegi suspirou cansada antes de explicar para a garota que estava mais confusa do que eu. — O que ele quis dizer é que eu vou passar um fim de semana na casa de campo dos meus pais e vocês, estão convidados. — E é assim que ela provou que essa situação não é nada engraçada… — Entendi... — A Hanabi esboçou um sorriso tranquilo. — Está bem, eu vou! — Sério? — Perguntei sem demora e ela abanou a cabeça para confirmar. — Então eu vou para casa… — Avisou antes de dirigir-se a porta da sala. — Até amanhã! — Acenou para nós antes de ir, e como um i****a eu continuei acenando como se ela ainda estivesse por perto. Isso, claro, até que olhei para a Moegi que observava a cena. — O-O que foi? — Perguntei constrangido. — Eu fico tímida perto do Udon. — Admitiu. — Mas perto da Hanabi você fica completamente burro! — Deu um soco no meu ombro. — Está bem… Você venceu… — Massageie o ombro, eu sei que não devo irritá-la, mas é involuntário… /#/ O resto da semana e a semana seguinte passaram voando, apesar de ter dado a sensação oposta no início, uma vez que a Moegi e eu estávamos ansiosos demais para esse fim de semana, felizmente além da universidade tenho muitas coisas para me distrair, e uma delas é a confusão que o Naruto faz enquanto revisa os documentos. Honestamente, se fossem importantes nem eu teria acesso, embora ele afirme que tudo é importante, mas inconscientemente ele dá tratamentos diferentes dependendo do nível real de importância, e nesse momento, encontrar o mínimo erro nas finanças é o nível mais básico e fácil para ele, embora estejamos tão concentrados. — Vais chegar tarde. — Avisou seriamente, suas sobrancelhas estavam praticamente unidas por conta do seu cenho franzido. Será que há algo errado? — Não entendi… — Tirei os olhos da folha que lia com mais atenção do que a que era realmente necessária. — Não tinhas combinado nada com a Hanabi? — Questionou como se tal pergunta tivesse um resposta óbvia. — A Hanabi? — Não percebi o que ele quis dizer até ver o relógio no meu pulso que marcava três da tarde. — Céus, a Hanabi! — Soltei a folha que lia e procurei pelas chaves do carro no meio de tantos papéis. Porquê que essas benditas chaves sempre desaparecem quando eu preciso delas? — Aqui. — Ele entregou-me as chaves que magicamente estavam debaixo de folhas que eu jurei já ter revirado. — Como é que... — Eu sei como é... — Relaxou no sofá para evitar olhar para a confusão que causei, infelizmente ele terá que reorganizar o que já estava organizado por minha culpa… — Agora despacha-te! — É, acho que ele vai preferir que eu fique longe desses papéis por um tempinho… — S-Sim… Estou indo! Ponto de vista de Hanabi Hyuuga… Eu aguardava ansiosa pela chegada do Konohamaru, mas ele estava atrasado, e vindo dele, isso não é uma atitude comum. Estou preocupada… Olhei para o relógio que marcava 15:37, já era para o Konohamaru estar aqui, no entanto, pensar demais não vai ajudar em nada. Terminei de pentear meus cabelos, é a segunda vez que o faço diante do espelho. Estou tentando me convencer que é só um fim de semana com os amigos, ainda assim insisto em me aprontar como se fosse para um encontro romântico. Desistindo de toda essa ansiedade inutil, saí do quarto, fui até a sala e sentei-me no sofá. Eu observava minha irmã que ia de um lado para o outro, desde manhã ela não para, hora entra no escritório, hora vai para o quarto e acaba voltando aqui para pousar mas um documento na mesa de jantar. Para dificultar ainda mais o seu vai e vem, o chefe dela não encerra a chamada. Porquê que não estou ajudando? Resposta simples. Estamos falando da Hinata Hyuuga, ela não aceitaria minha ajuda, mesmo não parecendo bem de saúde… — Hina, você está bem? — Perguntei assim que ela desligou o celular. — Sim… — Sua expressão me diz o contrário. — Eu...Só estou um pouco cansada… — Confessou. — Mas está tudo bem… — Parece que terei que insistir… — Tens certeza? — Suspirou exausta antes de sentar na cadeira. Sem pensar duas vezes, levantei e fui até ela. — Se quiseres, eu fico aqui contigo. — Sugeri, mas ela negou. — Não é necessário. — Sorriu para mim. — Quando terminar de organizar essa confusão ficarei bem melhor! — Não é a primeira vez que penso nisso, confesso; eu realmente não queria ter um chefe como o da Hinata… Tirando-me dos meus devaneios, alguém bate a porta. — Deve ser o Konohamaru! — Falei animada antes de correu para abrir. Eu estava tão apressada que tropecei, mas não caí, e isso fez minha irmã rir. — Olá Konohamaru! — Cumprimentei feliz, já estava na hora. — Olá Hanabi! — Ele parece igualmente feliz, gosto de vê-lo assim. — Oi Hinata! — Fez sinal para a minha irmã que obviamente, retribuiu. — Então, vamos? — E ele ainda pergunta? — Claro que sim! — Peguei na minha mochila que deixei abandonada na poltrona a algum tempo. — Tchau, Hina! — Despedimo-nos da minha irmã. — Tchau, não façam loucuras em excesso. — Pediu. — E Konohamaru… — Ele olhou para ela novamente. — Cuidado com o que fazes com a minha irmã! — Eu não entendi o que ela quis dizer, mas o Konohamaru corou na hora. — S-Sim!... — Às vezes eu gostaria de entender os códigos que eles dois trocam, principalmente porque até o Naruto os entende… /#/ Uma hora depois, ainda estávamos no meio do caminho. A música que tocava na rádio era bem tranquila e eu não queria estragar a concentração do Konohamaru, principalmente porque não perguntei antes, no entanto, após cantarmos tantas músicas e conversamos sobre algumas bobagens o silêncio se formou entre nós. Era como se a cada minuto que nos aproximassemos da casa de campo ele ficasse mais tenso, por isso lembrei disso. E é claro, tenho que m***r a minha curiosidade. — Ei Konohamaru. — Chamei por ele. — Sim? — Nós os dois olhavamos para frente, a estrada era bem íngreme, então a nossa atenção era dela. — O que a Hina quis dizer com aquilo? — Olhei para ele. — Aquilo o quê? — Questionou sem entender. — Você sabe, sobre teres cuidado comigo. — Ele corou de novo. — N-Não sei… — Mentiu. Talvez eu não deva insistir ou ainda batemos com o carro. — O Udon e a Moegi? — Mudei de assunto. — Eles marcaram de ir juntos, talvez já estejam lá. — Explicou. — Certo… — Dei de ombros e voltei meus olhos para a estrada. Poucos minutos depois, eu adormeci.
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