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1015 Words
Cantando Minha Vida Capítulo 1 – A entrevista O nome dela era Lina. Pelo menos, era assim que ela se apresentava quando não existiam câmeras, flashes ou multidões gritando seu nome. Para o mundo inteiro, ela era Luiza. A cantora. A dona dos palcos lotados. A voz que tocava nas rádios, dominava as plataformas digitais e fazia milhares de pessoas cantarem junto em cada show. Aos vinte e cinco anos, Luiza tinha conquistado tudo o que sonhou. Fama. Dinheiro. Reconhecimento. Uma mansão enorme. Funcionários. Uma agenda tão cheia que, às vezes, ela esquecia em qual cidade acordaria no dia seguinte. Mas existia uma coisa que ela ainda não tinha conquistado. Liberdade. Ela adorava festas. Gostava de dançar. De rir até perder o ar. De sentar numa roda de pagode sem precisar olhar por cima do ombro. Gostava de gente. Gostava da vida. Só que a fama tinha um preço. As pessoas a reconheciam em qualquer lugar. Homens insistentes apareciam o tempo todo. Muitos se aproximavam com boas intenções. Outros, nem tanto. Por isso, naquela manhã ensolarada, Lina decidiu reforçar sua equipe de segurança pessoal. Ela já possuía profissionais trabalhando na mansão, nos estúdios e durante os eventos maiores. Mas precisava de pessoas que a acompanhassem de verdade. Em viagens. Em shows. Nas festas. Nos momentos comuns. Na vida. Cinco candidatos foram selecionados. Cinco homens altamente recomendados. Treinados. Experientes. Quando entraram na sala de reuniões da mansão, Lina os observou com atenção. O primeiro era japonês. Alto. Elegante. De cabelos pretos impecavelmente alinhados. A pele muito clara contrastava com os olhos puxados e atentos. Tinha uma postura calma, quase impossível de decifrar. O segundo era francês. Loiro. Muito branco. Olhos azuis tão claros que pareciam mudar de cor conforme a luz. Tinha um jeito refinado, mas seu currículo mostrava anos de experiência em proteção executiva. O terceiro era moreno. Musculoso. Careca. Com um olhar firme e marcante. Parecia do tipo que analisava cada detalhe antes de agir. O quarto era ruivo. Alto. Forte. Os olhos claros chamavam tanta atenção quanto as inúmeras especializações em combate descritas em seu histórico profissional. O quinto tinha cabelos pretos, longos e lisos. Também musculoso. O olhar intenso transmitia confiança e seriedade. Lina abriu os currículos espalhados à sua frente. Todos tinham excelente formação. Experiência comprovada. Treinamento em boxe. Judô. Artes marciais. Muay thai. Todos possuíam porte de arma regularizado e atualizado. Aquilo era essencial. Ela respirou fundo antes de sorrir. — Bom... acho que não preciso me apresentar muito, porque vocês já me conhecem pela mídia. Os cinco prestaram atenção imediatamente. Ela cruzou as pernas e continuou: — Mas vou apresentar um pouquinho da pessoa por trás da cantora. Meu nome é Lina. Lina é meu nome verdadeiro. Na mídia, vocês me conhecem como Luiza. Quando comecei minha carreira, meu pai achou melhor usar Luiza como nome artístico. E acabou ficando. Ela deu uma risadinha. — Então... prazer. Lina. Vinte e cinco anos. O clima ficou mais leve. — Estou procurando seguranças para me acompanhar em tempo integral. Se puderem estar disponíveis vinte e quatro horas, melhor ainda. Vocês terão moradia na minha mansão, cada um com quarto e suíte. Privacidade total. Os cinco trocaram olhares discretos. — O salário é de quinze mil reais. Eu costumo pagar metade na quinzena e metade no fim do mês. Acho mais confortável para os meus funcionários. Ela apoiou os cotovelos na mesa. — E eu gosto de agradar quem trabalha comigo. Então, bônus acontecem com frequência. O japonês ergueu levemente as sobrancelhas. O francês pareceu surpreso. Lina sorriu. — Vocês vão precisar de disponibilidade total. Minha vida é corrida. Estou sempre viajando, fazendo shows. Preciso que me acompanhem em aeroportos, hotéis, eventos, ensaios e também quando eu estiver em casa. Ela ficou pensativa por alguns segundos antes de acrescentar: — Fora a parte artística... eu tenho uma vida social bem ativa. Gosto muito de festas. Gosto de dar festas. Gosto de ir a festas. Deu de ombros. — E não estou me gabando, mas sou muito cobiçada. Isso atrapalha bastante. Nunca consigo me divertir direito. Muitos homens se aproximam querendo mais do que um autógrafo. E isso acaba sendo cansativo. A sinceridade dela arrancou pequenos sorrisos. — Então preciso de vocês justamente para isso. Quero conseguir viver normalmente. A entrevista continuou. Perguntas. Experiências anteriores. Protocolos de segurança. Planos de emergência. Aos poucos, o ambiente formal foi ficando descontraído. Lina era exatamente como aparecia nos programas de televisão. Espontânea. Animada. Divertida. Depois de quase duas horas conversando, ela fechou a pasta com os currículos. Olhou para os cinco homens. Sorriu de maneira travessa. — Bom... para fechar essa entrevista, tenho uma pergunta extremamente importante. Todos a encararam. O francês pareceu confuso. — Vocês curtem pagode? Por alguns segundos, houve silêncio. Então: — Sim — respondeu o japonês. — Sim — disse o francês, com um leve sotaque. — Com certeza — afirmou o moreno. — Adoro — respondeu o ruivo. — Também gosto — completou o homem de cabelos longos. Lina bateu palmas, satisfeita. — Perfeito! Maravilhoso! A equipe está completa. Os cinco a olharam, sem entender. Ela abriu um sorriso enorme. — Eu gostei dos cinco. Então quero os cinco comigo. O espanto tomou conta da sala. — Estão contratados. Naquele mesmo instante, os celulares deles apitaram. Um após o outro. Eles pegaram os aparelhos. Uma notificação bancária. Depósito recebido. R$ 2.000,00. Os cinco voltaram os olhos para Lina. Surpresos. Ela deu de ombros. — Ah, isso? O sorriso dela ficou ainda mais aberto. — É só uma bonificação inicial. Os cinco se entreolharam novamente. E, pela primeira vez desde que entraram naquela mansão, perceberam que trabalhar para Lina talvez fosse muito mais imprevisível do que imaginavam. Lina levantou-se da cadeira. — Bem-vindos à equipe. Depois apontou para a porta e anunciou, animada: — Agora vamos almoçar. Porque ninguém começa uma nova fase da vida de barriga vazia. E foi naquele momento que os cinco homens entenderam uma coisa. Proteger Luiza, a estrela dos palcos, seria um trabalho. Mas acompanhar Lina, a mulher por trás da fama, seria uma aventura completamente diferente.
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