A sala de jantar da mansão era tão elegante quanto aconchegante.
A mesa já estava posta quando Lina conduziu os cinco até lá.
Pratos organizados com perfeição.
Taças alinhadas.
Talheres brilhando sob a luz do enorme lustre.
A cozinheira ainda estava ali, acompanhada de duas funcionárias.
Assim que viu Lina, sorriu.
— Querida, fiz tudo como você pediu, tá?
Lina abriu um sorriso carinhoso.
— Obrigada, tia. A senhora é maravilhosa.
A cozinheira balançou a cabeça, já acostumada com o jeito afetuoso da cantora.
— Faço com prazer.
Lina olhou para as funcionárias.
— Podem se retirar, tá? Obrigada por hoje.
— Boa noite, senhorita Lina.
— Boa noite.
As três deixaram a sala.
Os cinco seguranças permaneceram em pé, observando a mesa.
Era um verdadeiro banquete.
Uma travessa enorme de lasanha fumegante.
Carne assada mergulhada em molho, acompanhada de arroz branco soltinho e feijão fresquinho.
Empadão de frango dourado.
Diversos tipos de sucos naturais.
Saladas cuidadosamente preparadas.
E, para sobremesa, mousse de limão e pavê.
Lina puxou uma cadeira.
— Podem jantar. Fiquem à vontade.
Nenhum deles se moveu imediatamente.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— O que foi?
O moreno foi o primeiro a falar.
— A senhora primeiro.
Lina arregalou os olhos.
— Senhora? Vocês vão me envelhecer assim logo de cara?
O comentário arrancou alguns sorrisos discretos.
O francês pigarreou, um pouco sem jeito.
— É... costume de trabalho.
O japonês concordou com um leve aceno.
— Questão de respeito.
Ela apoiou o rosto na mão.
— Então como vocês vão me chamar? Lina? Luiza? Dona? Senhora?
O ruivo respondeu:
— Senhorita, então. Pode ser?
Ela pensou por alguns segundos antes de sorrir.
— Tá bom. Se vocês preferem a formalidade, tudo bem. Senhorita.
Só depois disso ela começou a se servir.
Pegou um pedaço de lasanha.
Um pouco de arroz.
Carne assada.
Feijão.
Então fez um gesto para eles.
— Agora sim. Ataquem.
Os cinco começaram a se servir, um por vez, ainda de maneira educada.
O silêncio inicial logo foi sendo substituído pelo som dos talheres e pequenas conversas.
Até que o homem de cabelos longos perguntou:
— A senhorita nem sabia se nós aceitaríamos o trabalho...
Ele fez uma pequena pausa.
— E contratou cinco seguranças de uma vez.
O francês completou:
— Não é algo muito comum.
Lina tomou um gole do suco antes de responder.
— Eu contava que vocês aceitassem, sim.
O ruivo ergueu uma sobrancelha.
— Tanta confiança assim?
Ela sorriu.
— Afinal, é uma boa oferta.
Depois apontou o garfo para si mesma.
— E eu sou uma boa patroa.
O moreno soltou uma breve risada.
— Convencida.
— Realista — ela corrigiu, divertida. — Vocês vão gostar de trabalhar comigo.
O japonês, sempre mais observador, fez a pergunta que todos pareciam querer fazer.
— E o motivo de sermos cinco?
Lina ficou em silêncio por alguns segundos.
O sorriso divertido diminuiu, dando lugar a uma expressão mais séria.
Ela apoiou os talheres no prato.
— Vocês vão saber daqui a algumas semanas.
Os cinco prestaram atenção imediatamente.
— Tenho um show para fazer.
Ela olhou para cada um deles.
— E quando esse dia chegar, vocês vão entender exatamente por que prefiro que sejam vocês cinco ao meu lado.
A sala ficou em silêncio.
Havia algo naquela resposta.
Algo que dizia que aquele não seria um show qualquer.
O francês cruzou os braços.
— É perigoso?
Lina desviou o olhar para o prato.
Por alguns segundos, parecia escolher cuidadosamente as palavras.
Então voltou a sorrir.
— Digamos que meus fãs são muito intensos.
O moreno não pareceu convencido.
Nem o japonês.
Nem os outros.
Mas nenhum insistiu.
Lina voltou a cortar a lasanha.
— Não se preocupem tanto hoje.
Ela apontou para o pavê.
— A preocupação de vocês pode começar amanhã. Hoje, a missão é descobrir quem vai ter coragem de dizer para a tia Maria que o pavê dela não é o melhor do mundo.
O ruivo soltou uma gargalhada.
— Então essa missão é impossível.
O francês levou a primeira colherada à boca.
Seus olhos se arregalaram.
— Meu Deus... isso está incrível.
Lina abriu um sorriso vitorioso.
— Eu avisei. Trabalhar comigo tem seus benefícios.
Pela primeira vez desde que chegaram à mansão, os cinco relaxaram de verdade.
E enquanto riam à mesa, dividindo comida e conversas simples, nenhum deles imaginava que aquele jantar tranquilo era apenas o começo de uma história que mudaria a vida de todos.