2

744 Words
A sala de jantar da mansão era tão elegante quanto aconchegante. A mesa já estava posta quando Lina conduziu os cinco até lá. Pratos organizados com perfeição. Taças alinhadas. Talheres brilhando sob a luz do enorme lustre. A cozinheira ainda estava ali, acompanhada de duas funcionárias. Assim que viu Lina, sorriu. — Querida, fiz tudo como você pediu, tá? Lina abriu um sorriso carinhoso. — Obrigada, tia. A senhora é maravilhosa. A cozinheira balançou a cabeça, já acostumada com o jeito afetuoso da cantora. — Faço com prazer. Lina olhou para as funcionárias. — Podem se retirar, tá? Obrigada por hoje. — Boa noite, senhorita Lina. — Boa noite. As três deixaram a sala. Os cinco seguranças permaneceram em pé, observando a mesa. Era um verdadeiro banquete. Uma travessa enorme de lasanha fumegante. Carne assada mergulhada em molho, acompanhada de arroz branco soltinho e feijão fresquinho. Empadão de frango dourado. Diversos tipos de sucos naturais. Saladas cuidadosamente preparadas. E, para sobremesa, mousse de limão e pavê. Lina puxou uma cadeira. — Podem jantar. Fiquem à vontade. Nenhum deles se moveu imediatamente. Ela arqueou uma sobrancelha. — O que foi? O moreno foi o primeiro a falar. — A senhora primeiro. Lina arregalou os olhos. — Senhora? Vocês vão me envelhecer assim logo de cara? O comentário arrancou alguns sorrisos discretos. O francês pigarreou, um pouco sem jeito. — É... costume de trabalho. O japonês concordou com um leve aceno. — Questão de respeito. Ela apoiou o rosto na mão. — Então como vocês vão me chamar? Lina? Luiza? Dona? Senhora? O ruivo respondeu: — Senhorita, então. Pode ser? Ela pensou por alguns segundos antes de sorrir. — Tá bom. Se vocês preferem a formalidade, tudo bem. Senhorita. Só depois disso ela começou a se servir. Pegou um pedaço de lasanha. Um pouco de arroz. Carne assada. Feijão. Então fez um gesto para eles. — Agora sim. Ataquem. Os cinco começaram a se servir, um por vez, ainda de maneira educada. O silêncio inicial logo foi sendo substituído pelo som dos talheres e pequenas conversas. Até que o homem de cabelos longos perguntou: — A senhorita nem sabia se nós aceitaríamos o trabalho... Ele fez uma pequena pausa. — E contratou cinco seguranças de uma vez. O francês completou: — Não é algo muito comum. Lina tomou um gole do suco antes de responder. — Eu contava que vocês aceitassem, sim. O ruivo ergueu uma sobrancelha. — Tanta confiança assim? Ela sorriu. — Afinal, é uma boa oferta. Depois apontou o garfo para si mesma. — E eu sou uma boa patroa. O moreno soltou uma breve risada. — Convencida. — Realista — ela corrigiu, divertida. — Vocês vão gostar de trabalhar comigo. O japonês, sempre mais observador, fez a pergunta que todos pareciam querer fazer. — E o motivo de sermos cinco? Lina ficou em silêncio por alguns segundos. O sorriso divertido diminuiu, dando lugar a uma expressão mais séria. Ela apoiou os talheres no prato. — Vocês vão saber daqui a algumas semanas. Os cinco prestaram atenção imediatamente. — Tenho um show para fazer. Ela olhou para cada um deles. — E quando esse dia chegar, vocês vão entender exatamente por que prefiro que sejam vocês cinco ao meu lado. A sala ficou em silêncio. Havia algo naquela resposta. Algo que dizia que aquele não seria um show qualquer. O francês cruzou os braços. — É perigoso? Lina desviou o olhar para o prato. Por alguns segundos, parecia escolher cuidadosamente as palavras. Então voltou a sorrir. — Digamos que meus fãs são muito intensos. O moreno não pareceu convencido. Nem o japonês. Nem os outros. Mas nenhum insistiu. Lina voltou a cortar a lasanha. — Não se preocupem tanto hoje. Ela apontou para o pavê. — A preocupação de vocês pode começar amanhã. Hoje, a missão é descobrir quem vai ter coragem de dizer para a tia Maria que o pavê dela não é o melhor do mundo. O ruivo soltou uma gargalhada. — Então essa missão é impossível. O francês levou a primeira colherada à boca. Seus olhos se arregalaram. — Meu Deus... isso está incrível. Lina abriu um sorriso vitorioso. — Eu avisei. Trabalhar comigo tem seus benefícios. Pela primeira vez desde que chegaram à mansão, os cinco relaxaram de verdade. E enquanto riam à mesa, dividindo comida e conversas simples, nenhum deles imaginava que aquele jantar tranquilo era apenas o começo de uma história que mudaria a vida de todos.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD