Depois do jantar, a conversa continuou por mais algum tempo.
O clima já estava muito mais leve do que durante a entrevista.
Os pratos haviam sido recolhidos e apenas alguns copos de suco permaneciam sobre a mesa.
Lina se levantou da cadeira e sorriu.
— Bom, por hoje vocês estão liberados, tá?
Os cinco levantaram o olhar.
— Amanhã vocês podem vir às dez horas.
Os cinco se entreolharam.
O moreno foi o primeiro a falar.
— Às dez?
Ela assentiu.
— Sim.
O ruivo pareceu surpreso.
— Nós pensamos que a senhorita fosse nos chamar às seis da manhã.
Lina soltou uma gargalhada.
— Meu Deus, não!
Ela balançou a cabeça, divertida.
— Amanhã eu vou começar mais tarde. Vocês também podem começar mais tarde.
O francês sorriu.
— Isso é novo.
— Acostumem-se — respondeu ela.
Depois cruzou os braços.
— Vocês vão chegar às dez e tragam as malas de vocês.
— As malas? — perguntou o japonês.
— Sim. As malas.
Ela apontou para cima.
— Os quartos já estão preparados.
Então sua expressão ficou um pouco mais séria.
— Mas antes preciso fazer uma pergunta.
Os cinco ficaram atentos.
— Vocês realmente têm disponibilidade para esse trabalho?
Todos concordaram.
Ela continuou:
— Porque eu preciso de pessoas com disponibilidade total.
O homem de cabelos longos ergueu a mão levemente.
— Podemos fazer uma pergunta também?
— Claro.
— Disponibilidade total em que sentido?
Lina apoiou os braços na mesa.
— Eu viajo muito. Muito mesmo. A vida de artista não é fácil.
Ela suspirou.
— Tem semanas que eu m*l paro em casa. Então eu preciso de seguranças que possam viajar comigo, estar comigo e me acompanhar em praticamente tudo.
Ela observou os cinco antes de perguntar:
— Algum de vocês é casado? Tem namorada? Noiva? Filhos?
O francês respondeu primeiro.
— Não.
O japonês balançou a cabeça.
— Não.
Os outros três também responderam negativamente.
Lina pareceu aliviada.
— Ótimo.
O moreno arqueou uma sobrancelha.
— Isso era um requisito?
— Não exatamente.
Ela sorriu.
— Mas ajuda.
Todos riram.
— Porque eu preciso saber se alguém teria dificuldades com viagens constantes. Só isso.
Ela se levantou e começou a caminhar devagar pela sala.
— Como eu falei, eu gostaria que vocês morassem aqui.
— E se não quisermos? — perguntou o ruivo.
— Tudo bem.
Ela deu de ombros.
— Vocês podem morar onde quiserem.
Então apontou para a mansão ao redor.
— Mas sinceramente? Acho muito melhor morar aqui.
— Por quê? — perguntou o japonês.
— Porque às vezes eu vou precisar de vocês de madrugada. Às vezes vou precisar sair cedo. Às vezes vou chegar tarde.
Ela abriu os braços.
— E trânsito existe.
Isso arrancou algumas risadas.
— Então acho mais prático para todo mundo.
Ela voltou a sentar.
— Sobre folgas, depois a gente ajusta tudo direitinho.
— Como funcionaria? — perguntou o francês.
— Uma folga por semana para cada um. Podemos organizar um sistema de rodízio.
Os cinco concordaram.
Lina então sorriu.
— Mas vou falar uma coisa.
Ela apontou para eles.
— Vocês provavelmente vão passar mais tempo descansando do que trabalhando.
Os cinco riram.
— Duvido — comentou o moreno.
— Sério.
Ela apoiou o queixo na mão.
— A parte mais complicada são os shows.
Seu olhar mudou por um instante.
— É quando os fãs ficam mais agitados.
— Tão agitados assim? — perguntou o ruivo.
Lina deu uma risadinha.
— Vocês ainda vão descobrir.
— Parece preocupante.
— Às vezes é.
Ela voltou a sorrir.
— Mas fora isso, quando estou em casa, geralmente é tranquilo.
Ela começou a enumerar nos dedos.
— Tem dias em que eu simplesmente não faço nada.
— Nada? — perguntou o francês.
— Absolutamente nada.
Ela riu.
— E nesses dias eu provavelmente vou olhar para vocês e dizer: "Podem sair. Vão viver a vida de vocês."
O japonês parecia observar cada detalhe do comportamento dela.
— A senhorita realmente parece diferente do que mostram na televisão.
Ela sorriu.
— Melhor ou pior?
— Mais humana.
Por um instante ela ficou em silêncio.
Então respondeu:
— Obrigada.
Logo depois recuperou a animação habitual.
— Além disso, vocês vão poder aproveitar a mansão também.
Ela começou a apontar para diferentes direções.
— Tem piscina.
— Tem academia.
— Tem cinema.
— Tem spa.
— Tem salão de jogos.
— Tem sinuca.
— Tem pebolim.
— Tem uma biblioteca enorme.
Os cinco ouviram tudo quase incrédulos.
O ruivo riu.
— Isso aqui é uma mansão ou um resort?
— Eu prefiro chamar de lar.
Ela piscou.
— Mas resort também serve.
Todos riram.
— E sim — continuou ela —, eu uso muito a academia.
O moreno analisou o físico dela.
— Dá para perceber.
Ela apontou para ele.
— Viu? Alguém observador.
— Faz parte do trabalho.
— Justo.
A conversa continuou por mais alguns minutos.
Até que Lina ficou um pouco mais séria.
— Brincadeiras à parte...
Os cinco prestaram atenção.
— Eu preciso de vocês porque estou sozinha.
A frase fez o ambiente ficar silencioso.
— Tenho funcionários maravilhosos. Tenho amigos. Tenho milhares de fãs.
Ela sorriu de forma pequena.
— Mas quando as luzes dos palcos se apagam, sou só eu.
Nenhum deles interrompeu.
— E por isso preciso de pessoas que possam me proteger.
Ela olhou para cada um deles.
— Não só durante os shows.
— Mas na vida.
O japonês foi o primeiro a assentir.
Depois o francês.
O ruivo.
O moreno.
E o homem de cabelos longos.
Naquele momento, nenhum deles estava pensando apenas no salário.
Porque pela primeira vez perceberam que por trás da cantora famosa existia uma jovem de vinte e cinco anos carregando muito mais responsabilidades e solidão do que deixava transparecer.
E aquela seria apenas a primeira noite de uma longa convivência.