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978 Words
Depois do jantar, a conversa continuou por mais algum tempo. O clima já estava muito mais leve do que durante a entrevista. Os pratos haviam sido recolhidos e apenas alguns copos de suco permaneciam sobre a mesa. Lina se levantou da cadeira e sorriu. — Bom, por hoje vocês estão liberados, tá? Os cinco levantaram o olhar. — Amanhã vocês podem vir às dez horas. Os cinco se entreolharam. O moreno foi o primeiro a falar. — Às dez? Ela assentiu. — Sim. O ruivo pareceu surpreso. — Nós pensamos que a senhorita fosse nos chamar às seis da manhã. Lina soltou uma gargalhada. — Meu Deus, não! Ela balançou a cabeça, divertida. — Amanhã eu vou começar mais tarde. Vocês também podem começar mais tarde. O francês sorriu. — Isso é novo. — Acostumem-se — respondeu ela. Depois cruzou os braços. — Vocês vão chegar às dez e tragam as malas de vocês. — As malas? — perguntou o japonês. — Sim. As malas. Ela apontou para cima. — Os quartos já estão preparados. Então sua expressão ficou um pouco mais séria. — Mas antes preciso fazer uma pergunta. Os cinco ficaram atentos. — Vocês realmente têm disponibilidade para esse trabalho? Todos concordaram. Ela continuou: — Porque eu preciso de pessoas com disponibilidade total. O homem de cabelos longos ergueu a mão levemente. — Podemos fazer uma pergunta também? — Claro. — Disponibilidade total em que sentido? Lina apoiou os braços na mesa. — Eu viajo muito. Muito mesmo. A vida de artista não é fácil. Ela suspirou. — Tem semanas que eu m*l paro em casa. Então eu preciso de seguranças que possam viajar comigo, estar comigo e me acompanhar em praticamente tudo. Ela observou os cinco antes de perguntar: — Algum de vocês é casado? Tem namorada? Noiva? Filhos? O francês respondeu primeiro. — Não. O japonês balançou a cabeça. — Não. Os outros três também responderam negativamente. Lina pareceu aliviada. — Ótimo. O moreno arqueou uma sobrancelha. — Isso era um requisito? — Não exatamente. Ela sorriu. — Mas ajuda. Todos riram. — Porque eu preciso saber se alguém teria dificuldades com viagens constantes. Só isso. Ela se levantou e começou a caminhar devagar pela sala. — Como eu falei, eu gostaria que vocês morassem aqui. — E se não quisermos? — perguntou o ruivo. — Tudo bem. Ela deu de ombros. — Vocês podem morar onde quiserem. Então apontou para a mansão ao redor. — Mas sinceramente? Acho muito melhor morar aqui. — Por quê? — perguntou o japonês. — Porque às vezes eu vou precisar de vocês de madrugada. Às vezes vou precisar sair cedo. Às vezes vou chegar tarde. Ela abriu os braços. — E trânsito existe. Isso arrancou algumas risadas. — Então acho mais prático para todo mundo. Ela voltou a sentar. — Sobre folgas, depois a gente ajusta tudo direitinho. — Como funcionaria? — perguntou o francês. — Uma folga por semana para cada um. Podemos organizar um sistema de rodízio. Os cinco concordaram. Lina então sorriu. — Mas vou falar uma coisa. Ela apontou para eles. — Vocês provavelmente vão passar mais tempo descansando do que trabalhando. Os cinco riram. — Duvido — comentou o moreno. — Sério. Ela apoiou o queixo na mão. — A parte mais complicada são os shows. Seu olhar mudou por um instante. — É quando os fãs ficam mais agitados. — Tão agitados assim? — perguntou o ruivo. Lina deu uma risadinha. — Vocês ainda vão descobrir. — Parece preocupante. — Às vezes é. Ela voltou a sorrir. — Mas fora isso, quando estou em casa, geralmente é tranquilo. Ela começou a enumerar nos dedos. — Tem dias em que eu simplesmente não faço nada. — Nada? — perguntou o francês. — Absolutamente nada. Ela riu. — E nesses dias eu provavelmente vou olhar para vocês e dizer: "Podem sair. Vão viver a vida de vocês." O japonês parecia observar cada detalhe do comportamento dela. — A senhorita realmente parece diferente do que mostram na televisão. Ela sorriu. — Melhor ou pior? — Mais humana. Por um instante ela ficou em silêncio. Então respondeu: — Obrigada. Logo depois recuperou a animação habitual. — Além disso, vocês vão poder aproveitar a mansão também. Ela começou a apontar para diferentes direções. — Tem piscina. — Tem academia. — Tem cinema. — Tem spa. — Tem salão de jogos. — Tem sinuca. — Tem pebolim. — Tem uma biblioteca enorme. Os cinco ouviram tudo quase incrédulos. O ruivo riu. — Isso aqui é uma mansão ou um resort? — Eu prefiro chamar de lar. Ela piscou. — Mas resort também serve. Todos riram. — E sim — continuou ela —, eu uso muito a academia. O moreno analisou o físico dela. — Dá para perceber. Ela apontou para ele. — Viu? Alguém observador. — Faz parte do trabalho. — Justo. A conversa continuou por mais alguns minutos. Até que Lina ficou um pouco mais séria. — Brincadeiras à parte... Os cinco prestaram atenção. — Eu preciso de vocês porque estou sozinha. A frase fez o ambiente ficar silencioso. — Tenho funcionários maravilhosos. Tenho amigos. Tenho milhares de fãs. Ela sorriu de forma pequena. — Mas quando as luzes dos palcos se apagam, sou só eu. Nenhum deles interrompeu. — E por isso preciso de pessoas que possam me proteger. Ela olhou para cada um deles. — Não só durante os shows. — Mas na vida. O japonês foi o primeiro a assentir. Depois o francês. O ruivo. O moreno. E o homem de cabelos longos. Naquele momento, nenhum deles estava pensando apenas no salário. Porque pela primeira vez perceberam que por trás da cantora famosa existia uma jovem de vinte e cinco anos carregando muito mais responsabilidades e solidão do que deixava transparecer. E aquela seria apenas a primeira noite de uma longa convivência.
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