Dona Ângela Quando ouvi pelo rádio preso ao cinto do segurança que eles estavam com a April na saída do hospital, meu coração parou. “Tão com ela. Disfarçada de enfermeira. Pegaram o bebê.” Essas palavras me atravessaram como uma lâmina. Não pensei. Não hesitei. Saí correndo como se minha vida dependesse disso. E dependia. Porque naquele instante, era a vida do meu neto que estava em risco e a minha filha… a minha filha, aquela que um dia dormiu aninhada nos meus braços, eu já não podia mais alcançar. Vi a cena de longe ela cercada, o choro do bebê abafado dentro da manta, os olhos da April em desespero. Por um breve segundo, ela me viu. E eu quis acreditar que ainda havia algo da minha menina ali. Mas não. Só vi o vazio. Um buraco escuro onde antes havia luz. Ela me olhou com ódio e g

