Capítulo 1
O cheiro de antisséptico e desinfetante hospitalar sempre causava náuseas em Han Ji-woo.
Para ela, aquele aroma artificial não representava cura, mas sim o prenúncio da perda.
Caminhando apressada pelos corredores de linóleo branco do Hospital Universitário JH, um dos complexos médicos mais luxuosos e caros de Seul, ela sentia o peso de suas escolhas esmagar seus ombros.
Ji-woo vestia uma calça jeans desbotada e um moletom cinza oversized, cujas mangas compridas ela puxava constantemente para cobrir as mãos trêmulas. Seus tênis brancos, gastos pelas longas caminhadas entre os seus dois empregos, faziam um som abafado contra o chão polido.
Ela não dormia direito há três dias. Seus olhos castanhos-claros, geralmente grandes e expressivos, estavam emoldurados por olheiras profundas. O cabelo castanho-escuro estava preso em um coque frouxo e malfeito, com várias mechas rebeldes caindo sobre o rosto em formato de coração.
Ji-woo apertava contra o peito uma pasta plástica azul que continha o histórico médico de sua mãe, Park Sun-ja, e, mais importante, o aviso de cobrança emitido pela administração do hospital.
— Por favor, enfermeira-chefe, eu só preciso de mais uma semana — implorou Ji-woo, parando diante do balcão de recepção da Unidade de Terapia Intensiva. Sua voz falhou, revelando a exaustão acumulada. — Eu consegui um adiantamento na cafeteria e vou fazer turnos dobrados na empresa de limpeza. Eu vou pagar. Eu juro que vou pagar.
A enfermeira, uma mulher de meia-idade com uma expressão que misturava pena e cansaço profissional, suspirou profundamente. Ela olhou para a tela do computador e depois para a jovem de vinte e quatro anos que parecia prestes a desabar.
— Senhorita Han, eu realmente sinto muito. Nós seguramos o procedimento o máximo que podíamos por consideração à dona Sun-ja — explicou a enfermeira, baixando o tom de voz. — Mas o transplante de válvula cardíaca e a medicação de suporte da UTI são extremamente caros. O sistema do Grupo JH Medical bloqueou novos procedimentos automáticos. Se o depósito de 150 milhões de wons não for efetuado até amanhã de manhã, a administração terá que transferi-la para um hospital público de baixa complexidade. E você sabe... no estado dela, uma transferência dessas seria fatal.
As palavras ecoaram na mente de Ji-woo como uma sentença de morte.
Cento e cinquenta milhões de wons.
Aquela quantia era uma piada de mau gosto para alguém que contava as moedas para pagar o aluguel de um quarto minúsculo nos subúrbios de Seul.
A imagem de sua mãe, deitada em uma cama de hospital, pálida, magra e dependendo de máquinas para respirar, passou diante de seus olhos. Sun-ja havia sacrificado a própria saúde trabalhando em cozinhas industriais para criar Ji-woo sozinha. Agora que a mãe precisava dela, Ji-woo estava de mãos atadas, impotente diante do poder do dinheiro.
— Amanhã de manhã... — sussurrou Ji-woo, sentindo as lágrimas arderem em seus olhos. Ela engoliu o choro, recusando-se a desabar ali. Mordeu o lábio inferior com tanta força que sentiu o gosto ferroso do sangue. — Obrigada por me avisar. Eu vou dar um jeito.
Ela se afastou do balcão, os passos automáticos e desorientados. O desespero era uma névoa densa que nublava sua visão.
Ji-woo começou a caminhar em direção aos elevadores do bloco administrativo, decidida a implorar pessoalmente ao diretor financeiro do hospital, mesmo sabendo que as chances de ser ouvida eram nulas.
Ela estava tão perdida em seus pensamentos torturantes que o mundo ao seu redor simplesmente desapareceu.
Ela não viu a movimentação incomum no final do corredor VIP.
Não percebeu os quatro homens de terno escuro e fones de ouvido que caminhavam em formação de segurança, abrindo espaço para a figura imponente que liderava o grupo.
Kang Min-jun caminhava com a elegância natural e intimidadora de um predador.
O CEO do Grupo JH Medical & Logistics parecia ter saído diretamente das páginas de uma revista de alta costura. Com 1,87m de altura e ombros largos que preenchiam perfeitamente o paletó de um terno de três peças feito sob medida em tom cinza-chumbo, ele exalava uma aura de poder e controle absoluto.
Seu cabelo preto como o carvão estava estilizado em um corte comma hair impecável, sem um único fio fora do lugar. O maxilar angular e marcado estava tenso, e seus olhos negros, profundos e cortantes, fixavam-se na tela do tablet que seu secretário particular segurava ao seu lado.
— O presidente insiste que a conferência de imprensa seja realizada na próxima semana, senhor Kang — dizia o secretário Cho, tentando manter o ritmo dos passos largos de Min-jun. — O conselho de administração está pressionando. Se o senhor não apresentar uma noiva até o final do mês, o seu avô iniciará o processo de transferência das ações votantes para o seu primo, Kang Tae-hyun.
Min-jun soltou um riso nasalado, frio e desprovido de qualquer humor.
Ele parou abruptamente no meio do corredor, fazendo com que sua segurança também estancasse. Ele ajeitou as abotoaduras de platina de suas mangas antes de cruzar os braços. Seu relógio de luxo suíço brilhava sob a luz fluorescente do hospital.
— Meu avô está blefando, Cho. Ele sabe que Tae-hyun destruiria o conglomerado em seis meses — respondeu Min-jun, sua voz um barítono calmo, mas carregado de uma autoridade inquestionável. — Essa exigência absurda de casamento é apenas uma tentativa antiquada de me controlar. Eu não vou me casar com uma daquelas herdeiras fúteis que a minha mãe escolhe apenas para satisfazer o ego da alta sociedade de Seul. O amor é um investimento de alto risco e retorno zero. Eu não tenho tempo para isso.
— Mas senhor, as regras do estatuto da empresa dão ao presidente o poder de cumprir a ameaça. Precisamos de uma solução rápida — insistiu o secretário Cho, visivelmente preocupado.
Min-jun franziu a testa, a paciência esgotando-se.
Ele voltou a caminhar a passos largos, sem olhar para os lados. Ele odiava hospitais, odiava fraqueza e, acima de tudo, odiava ser encurralado.
Foi nesse exato milésimo de segundo que os mundos de Kang Min-jun e Han Ji-woo colidiram de frente.
Ji-woo dobrou a esquina do corredor administrativo correndo, com a cabeça baixa e os olhos embaçados pelas lágrimas contidas.
Ela não teve tempo de parar.
O impacto foi inevitável.
Ela colidiu diretamente contra o peito rígido e imóvel de Min-jun, como se tivesse batido contra uma parede de concreto.
Com a força do impacto, a pasta plástica azul voou das mãos de Ji-woo, abrindo-se no ar. Dezenas de folhas com exames de sangue, relatórios médicos e a folha vermelha da cobrança hospitalar espalharam-se pelo chão de linóleo.
Ji-woo perdeu o equilíbrio e caiu sentada, soltando um gemido de dor quando suas mãos atingiram o solo.
Os seguranças moveram-se instantaneamente, posicionando-se ao redor de Min-jun, mas o CEO ergueu uma das mãos enluvadas, ordenando que recuassem.
Ele olhou para baixo, sua expressão de pura irritação fixando-se na jovem caída aos seus pés.
O terno sob medida de Min-jun estava levemente desalinhado na altura do peito, onde ela havia batido.
Um leve aroma de notas de madeira de sândalo e couro, o perfume caro dele, invadiu o espaço arruinado pelo cheiro de hospital.
— Você não tem olhos? — a voz de Min-jun chicoteou o ar, fria e cortante como gelo.
Ji-woo, ainda atordoada, piscou os olhos rapidamente para clarear a visão.
Ela olhou para cima, deparando-se primeiro com os sapatos de couro italiano perfeitamente engraxados, subindo pelas calças de alfaiataria até encontrar o rosto esculpido e arrogante do homem à sua frente.
Aqueles olhos negros olhavam para ela não com preocupação, mas com o mais profundo desdém.
O orgulho de Ji-woo, uma das poucas coisas que lhe restavam, inflamou-se instantaneamente.
A dor e o desespero transformaram-se em pura indignação.
— Eu não tenho olhos? Você estava caminhando como se fosse o dono deste lugar, cercado por um exército! — rebateu Ji-woo, a voz trêmula, mas firme. Ela se levantou rapidamente, limpando a poeira invisível de seu moletom largo. — Um pedido de desculpas seria o mínimo, senhor "importante".
O secretário Cho arregalou os olhos, chocado com a audácia da garota.
Ninguém falava com Kang Min-jun daquela maneira.
O próprio CEO arqueou uma sobrancelha, genuinamente surpreso com a audácia daquela criatura desalinhada e de tênis surrados.
— Eu não peço desculpas a quem não presta atenção por onde anda — Min-jun respondeu, sua voz mantendo uma calma irritante. Ele olhou para o chão, onde os papéis dela estavam espalhados. — E recolha a sua bagunça. Você está bloqueando o meu caminho.
Ji-woo sentiu o sangue ferver.
Ela respirou fundo, contendo a vontade de gritar.
Ela se ajoelhou e começou a recolher os relatórios médicos de sua mãe com as mãos trêmulas.
Min-jun deu um passo para contorná-la, mas seu sapato acabou pisando acidentalmente na folha vermelha de cobrança que havia deslizado para perto dele.
— Espere! Tire o pé daí! — exclamou Ji-woo, puxando o papel debaixo do sapato dele.
Antes que ela conseguisse puxar por completo, o olhar analítico de Min-jun captou as letras grandes e em negrito impressas no topo do documento:
AVISO DE CANCELAMENTO DE TRATAMENTO DE URGÊNCIA – GRUPO JH MEDICAL.
Logo abaixo, o nome da paciente: Park Sun-ja, e o valor da dívida: 150.000.000 KRW.
Min-jun manteve o olhar fixo no papel por um segundo longo e calculado.
Uma engrenagem começou a girar em sua mente brilhante e pragmática.
Ele olhou novamente para a jovem no chão.
Ela estava desesperada, orgulhosa, precisava urgentemente de uma quantia massiva de dinheiro que claramente não possuía, e o mais importante de tudo: ela não tinha nenhuma ligação com os círculos da alta sociedade que tentavam controlá-lo.
Ela era uma página em branco.
Uma ferramenta perfeita.
Ji-woo recolheu o último papel, levantou-se e encarou Min-jun com os olhos marejados de raiva, guardando os documentos na pasta amassada.
— Da próxima vez, tente ter um pouco mais de humanidade — disse ela, a voz embargada, antes de dar as costas e caminhar rapidamente em direção à saída, desistindo de falar com a administração naquele momento. Ela precisava respirar o ar puro da rua antes que sufocasse.
Min-jun permaneceu imóvel, observando a silhueta esguia da garota desaparecer no final do corredor.
O secretário Cho aproximou-se, limpando a garganta.
— Senhor Kang, devemos prosseguir para a sala do conselho?
Min-jun não respondeu imediatamente.
Um meio sorriso cínico e calculado surgiu nos cantos de seus lábios bem desenhados.
Ele virou-se para o seu secretário.
— Cho. Descubra tudo sobre aquela garota. O nome dela, o histórico médico da mãe dela e o motivo exato de estarem devendo ao meu hospital. Quero um relatório completo na minha mesa em trinta minutos.
O secretário Cho piscou, confuso.
— Senhor? Por que o interesse em uma garota comum?
Min-jun ajeitou o paletó do terno, seus olhos brilhando com uma frieza estratégica.
— Acho que acabo de encontrar a minha futura esposa.