A Sorte grande?!?!

661 Words
Eram momentos de diversão, fofoca, piadas e muita risada sempre que depois de beber, alguém arriscava uma música no karaokê. Naquela noite, Lina já tinha bebido demais, usava uma calça bege de corte reto, um salto fino e uma blusa de seda azul marinho por dentro da calça. Os cabelos foram soltos assim que chegou ao bar, desfez o coque que sempre usava e tirou os óculos, era uma mulher muito bonita. - Aquele rapaz mandou te dar essa cerveja. Lina olhou na direção que o garçom indicou e acabou sorrindo, Henrique tinha tudo o que ela considerava bonito em um homem, roupas sérias, mas não corporativas, cabelos e barba bem aparados, um sorriso branco e bem cuidado e aquele olhar divertido que a encantou. Ela levantou o copo e o convidou para se sentar, mas ele fez uma careta, havia muitas pessoas na mesa, ele a chamou e Lina se levantou. - Já volto Foi tudo o que disse as amigas, mas precisou ser chamada para ir embora, não voltou para a mesa e já passava das 22h00. - Fica, eu te levo em casa. E ela ficou, aquela noite e várias outras, sempre se encontravam ali, trocavam beijos quentes, dormiam em motéis da região, até que uma manhã saíram do motel e foram ver o nascer do sol em um lugar alto da cidade, era domingo e Lina se permitiu estender os passeios que até aquele dia nunca chegavam ao café da manhã. Se entendiam na cama, e como se entendiam, mas além disso ele era carinhoso, gentil, cuidadoso. Fizeram amor dentro do carro, no banco de trás e não viram o nascer do sol. - Estou com fome! - Vou comprar alguma coisa para você, me espera aqui. Ela esperou, mas algo brilhante chamou sua atenção, um pequeno ponto dourado embaixo do tapete do motorista e a curiosidade a fez se abaixar. Encontrou uma aliança com uma data e um nome gravado “Elaine 27/02/2018”. Tremeu com a suposta descoberta, mas tentou se convencer de que era impossível, que um homem casado jamais passaria tantas noites fora, talvez fosse de um amigo, ou Henrique estava separado há pouco tempo, nunca tinham falado sobre aquilo, nem sobre o passado e muito menos sobre futuro. Esperou, apesar de não esquecer, guardou a aliança no bolso e depois que comeram ela estendeu a mão com a palma aberta e a aliança no centro. - O que é isso? Henrique perguntou parecendo confuso, mas bateu a mão no bolso da calça, provavelmente o anel caiu de lá quando eles fizeram amor. Tinham tirado a roupa meio de qualquer jeito, com desejo e desespero. - Eu estava pensando em te perguntar a mesma coisa. Você é casado? A fala foi convincente, ou talvez, Lina quisesse ser convencida. Ele falou de um casamento frustrado, de uma esposa tóxica e de como sabia estar sendo traído, que supostamente estava naquele bar para esquecer e que tinha se apaixonado à primeira vista por Lina. Que ela era diferente e que desde aquela noite nunca mais esteve com Elaine, apesar disso, ainda dividiam a mesma casa. Jurou que se separaria e pediu Lina em casamento. Assim, tudo ao mesmo tempo, sem pedido de namoro, sem pedido de desculpas... Ainda assim, ela ficou feliz e quando o dia chegou, convidou todas as amigas do escritório. Uma cerimonia simples, apenas a assinatura dos papeis no cartório e um churrasco na casa que ele comprou para ser o lar que os abrigaria. - Uau! Tirou a sorte grande hein, amiga? Ele é lindo! E policial, ai que perigoso. Fiquei quente só de pensar! Branca era uma das melhores amigas de Lina no escritório, mas assim como ela, achava que não tinha sorte no amor, saia com os caras e normalmente depois da primeira noite, simplesmente desapareciam. Henrique foi a exceção no caso de Lina, hoje sabia que isso não tinha sido sorte e sim, o pior dos azares.
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