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3706 Words
O sol da manhã seguinte à reunião do conselho não trouxe alívio, apenas a clareza implacável da nova realidade. Layla acordou antes de Zayn, seu corpo ainda aninhado contra o dele, mas sua mente já circulando as implicações das palavras do tio Faisal. Um assento no conselho. Um herdeiro. As demandas ecoavam em sua cabeça como sinos fúnebres. Ela deslizou para fora da cama, envolveu-se em seu roupão e caminhou até as portas de vidro que levavam ao jardim privativo. A cidade de Dubai se estendia abaixo, um monumento à ambição humana, e ela se perguntou quantas mulheres, em quantos haréns ao longo da história, haviam ficado em lugares semelhantes, contemplando futuros que não haviam escolhido. — Você não consegue dormir. A voz de Zayn atrás dela era rouca pelo sono. Ele se aproximou, seu corpo quente pressionando-se contra suas costas, seus braços envolvendo-a. — Estou pensando — ela admitiu, inclinando a cabeça para trás contra seu ombro. — Sobre o que ele disse. — Sobre o que nós dissemos. Ontem, naquela sala... eu realmente acreditei. Que éramos diferentes. Que nosso amor mudaria as regras. Zayn girou-a gentilmente para enfrentá-lo. — Ele mudou. Mas o mundo externo... — Ele fez um gesto em direção à cidade. — O mundo externo exige concessões. — Eu não quero ser uma concessão, Zayn. Eu não quero que nosso filho seja uma concessão. A palavra "filho" pairou entre eles, pesada com possibilidades. Zayn tocou seu rosto. — Eu também não. Mas há mais em jogo aqui do que apenas nós. — Sempre há. Ele a puxou para um abraço apertado, seu rosto enterrado em seu cabelo. — Eu prometo a você isso: não faremos nada até que você esteja pronta. Mas precisamos começar a preparação. Para o conselho. Para... tudo. O café da manhã foi uma reunião de estratégia. Aisha chegou com uma pasta de documentos tão espessa quanto um romance. — Bom, vocês sobreviveram — ela anunciou, servindo-se de café. — Mas sobreviver não é vencer. Aqui está o que vem a seguir. Ela abriu a pasta, revelando uma série de cronogramas, diagramas e dossiês. — Em primeiro lugar, seu assento no conselho, Layla. Não é cerimonial. Você terá voz. Voto. E isso significa que precisa saber sobre o que está votando. Layla folheou os documentos — relatórios financeiros, contratos de mineração, acordos de construção, documentos legais envolvendo dezenas de países. — Eu não sei nada sobre essas coisas. — Por isso você vai aprender — Aisha disse sem rodeios. — Começamos hoje. Zayn tem uma reunião com os ministros do petróleo em Abu Dhabi esta tarde. Você vai com ele. Zayn ergueu as sobrancelhas. — É uma reunião altamente técnica. Ela ficará entediada até a morte. — Ela ficará educada — Aisha corrigiu. — E os homens naquela sala verão que ela não é apenas uma esposa bonita. Eles contarão a outros. A reputação é construída tijolo por tijolo. Layla sentiu um frio na espinha. Ela se lembrava de como esses homens a olhavam no baile — não como uma pessoa, mas como uma decoração, um troféu. — E se eles não me levarem a sério? — Então você os faz levar — Zayn disse, seu olhar intenso. — Você aprendeu a me enfrentar. Esses homens são baratas em comparação. O voo para Abu Dhabi foi curto a bordo do jato particular de Zayn. Enquanto ele revisava documentos, Layla estudava um resumo que Aisha preparara — uma cartilha sobre a indústria petrolífera dos Emirados, alianças políticas, rivalidades familiares. Era como aprender uma nova língua, uma língua de poder e dinheiro. — Aqui — Zayn disse, deslizando um documento para ela. — Este é o contrato que discutiremos hoje. Os termos-chave estão destacados. Ela leu, sua cabeça latejando com a complexidade. — Eles querem renegociar os royalties? — Querem um pedaço maior do bolo. E estão usando a descoberta do novo campo no Mar da Arábia como alavancagem. — E qual é a nossa posição? Zayn sorriu, um sorriso de predador. — Nosso posicionamento é que sem nossa tecnologia de perfuração em águas profundas, esse campo permanece um sonho. Eles precisam de nós mais do que nós precisamos deles. O palácio do ministro do petróleo fazia o de Zayn parecer modesto. Era uma fantasia de mármore branco e ouro, com fontes que lançavam jatos de água perfumada. Homens em kanduras impecáveis e mulheres em abayas caríssimas circulavam, seus sorrisos tão polidos quanto o mármore sob seus pés. Zayn foi recebido com reverência — apertos de mão, beijos no ar próximo às bochechas, saudações em árabe rápido demais para Layla acompanhar. Ela permaneceu um passo atrás dele, como Aisha instruíra, observando, aprendendo. — Sheikh Zayn, que honra. — O ministro, um homem baixo com olhos de pássaro, apertou a mão de Zayn. — E esta deve ser sua nova esposa. — Ministro Al-Taweel, minha esposa, Layla Al-Mansur. Os olhos do ministro percorreram seu corpo, avaliando. — Encantador. Espero que não fique muito entediada com nossa conversa de homens velhos sobre oleodutos e royalties. Era um golpe disfarçado de cortesia. Layla sentiu o sangue subir ao seu rosto, mas então ela lembrou-se do olhar de Zayn no avião. Você os faz levar. — Na verdade, ministre — ela disse, sua voz mais firme do que se sentia — eu estava revisando os dados de perfuração no caminho para cá. Os relatórios geológicos sugerem que a formação do novo campo é semelhante à do campo de Al-Gharb, onde a Al-Mansur Holdings já opera. A experiência de vocês com perfuração em xisto será inestimável. Um silêncio momentâneo. O ministro parou de sorrir. Zayn ficou imóvel ao seu lado. — Você... estudou geologia? — O ministro parecia genuinamente surpreso. — Estudo o que é necessário para entender os negócios de meu marido — ela respondeu, mantendo seu olhar firme. O ministro lançou um olhar para Zayn, então de volta para ela. Algo mudou em sua expressão — o desdém dando lugar a uma curiosidade cautelosa. — Interessante. Talvez você deva se juntar à nossa discussão, então. A reunião foi realizada em uma sala com paredes forradas a madeira escura, mapas topográficos e sísmicos projetados em telas. Layla sentou-se ao lado de Zayn, silenciosa a maior parte do tempo, mas ouvindo atentamente. A linguagem era técnica, cheia de jargões que ela m*l compreendia, mas ela captava o essencial — era um cabo de guerra, com bilhões em jogo. — O risco é muito alto — um dos assessores do ministro argumentava. — Sua tecnologia não foi testada em profundidades tão extremas. — Nosso modelo de risco-recompensa mostra um retorno de vinte para um — Zayn respondeu, sua voz calma mas implacável. — E temos os dados dos testes no Mar do Norte para comprovar. — Dados que vocês se recusam a compartilhar completamente. — Dados que são nossa propriedade intelectual. — Zayn inclinou-se para frente. — Vocês querem uma parceria? Então precisam confiar em nossos números. A discussão durou duas horas. Layla observou Zayn trabalhar — sua inteligência afiada, sua paciência estratégica, a maneira como ele usava o silêncio como uma arma. Era uma visão fascinante e assustadora. Este era o homem que construíra um império. O mesmo homem que a mantivera acorrentada a uma cama. Quando a reunião finalmente terminou com um acordo provisório, o ministro se aproximou de Layla. — Sua observação sobre a formação Al-Gharb foi perspicaz. Você tem... uma mente para isso. — Obrigada — ela respondeu, sentindo um estranho senso de realização. No voo de volta, Zayn estava quieto, observando-a. — O que foi? — ela perguntou, sentindo seu olhar. — Você. Hoje. — Ele abanou a cabeça, quase em descrença. — Eles o respeitaram. Não porque você é minha esposa. Porque você os fez. — Eu apenas repeti o que estava no relatório. — Você usou no momento certo. De maneira certa. — Ele pegou sua mão. — É um jogo, Layla. E você pode ser natural nele. O elogio aqueceu-a, mas também a perturbou. Ela gostara daquela sala? Da adrenalina da negociação, do respeito nos olhos dos homens? Gostara de se sentir poderosa de uma maneira completamente nova? — E se eu não quiser jogar? — ela perguntou suavemente. — Então não jogue. — Ele levou sua mão aos lábios. — Mas hoje... hoje você foi magnífica. A noite trouxe uma nova lição. Após o jantar, Aisha apareceu com mais documentos. — Agora, a parte divertida — ela disse ironicamente. — As alianças familiares. Quem odeia quem, quem dorme com quem, quem deve dinheiro a quem. Ela abriu um gráfico genealógico que parecia abranger séculos, linhas entrelaçando-se como uma teia de aranha. — A família Al-Mansur tem 72 membros adultos com participação significativa na holding. Destes, 22 apoiam Zayn incondicionalmente. 18 apoiam Rafiq. O resto é... negociável. Layla estudou os nomes, os rostos em fotografias anexadas. — E como os conquistamos? — De várias maneiras. — Aisha apontou para uma foto de uma mulher elegante nos seus cinquenta anos. — Prima Amira. Viúva, sem filhos. Ela valoriza tradição, estabilidade. Você a conquista mostrando respeito pela história da família, interesse por sua coleção de tapetes persas. — Ela apontou para outra foto, um homem mais novo com olhos astutos. — Primo Khalid. Jogador. Literalmente. Dizem que ele deve meio milhão em dívidas de pôquer em Monte Carlo. Você o conquista garantindo que saiba que Zynn pagará essas dívidas... em troca de lealdade. Era um mundo de transações, cada relacionamento reduzido a um cálculo. Layla sentiu-se enjoada. — É tudo tão... cínico. — É realista — Zayn corrigiu, entrando na sala. — O amor é para nós. Para o resto do mundo, há interesses mútuos. — E onde traçamos a linha? — Layla perguntou, olhando para ele. — Em que ponto nos tornamos tão cínicos quanto eles? Zayn sentou-se ao lado dela, seu peso afundando no sofá. — Nós traçamos a linha juntos. Sempre. Nos dias que se seguiram, Layla mergulhou em seu novo papel. Ela comparecia a reuniões com Zayn, estudava relatórios financeiros à noite, memorizava os nomes e rostos dos membros da família. Aisha tornou-se sua mentora implacável, desafiando-a, testando-a, preparando-a. Mas foi durante uma recepção de gala para o embaixador francês que a verdadeira prova ocorreu. A recepção foi realizada no hotel mais luxuoso de Dubai, um mar de vestidos de grife, joias que valiam mais do que a dívida nacional de alguns países, e sorrisos que nunca alcançavam os olhos. Layla usava um vestido de noite verde-esmeralda que Zayn escolhera, cortado para se ajustar a cada curva, o decote revelando apenas o suficiente para ser provocante sem ser vulgar. O pingente de asas brilhava em seu pescoço. — Lembre-se — Zayn sussurrou enquanto entravam no salão — aqui, cada conversa é uma negociação. Cada sorriso, uma estratégia. Ela o sentiu. Os olhos que a seguiam, os sussurros por trás de leques e copos de champanhe. Ela era a novidade, a mulher misteriosa que Zayn Al-Mansur tomara como esposa. Alguns olhavam com curiosidade, outros com cobiça, outros ainda com desdém. Foi Nadia quem se aproximou primeiro. A prima de Zayn era uma mulher esbelta nos seus quarenta e poucos anos, vestida de preto da cabeça aos pés, seu rosto liso e impassível como uma máscara. — Zayn. — Ela ofereceu as bochechas para o beijo ritual. — E esta é Layla. Finalmente conhecemos a mulher que causou tanto... alvoroço. — Prima Nadia — Layla disse, com um aceno de cabeça que Aisha ensinara — nem polido demais, nem frio demais. — Que vestido adorável. — Os olhos de Nadia percorreram seu corpo. — Deve ter custado mais do que algumas pessoas ganham em um ano. Era um insulto disfarçado de elogio. Layla sorriu. — Obrigada. Zayn tem um gosto impecável. Embora eu deva admitir, sinto falta da simplicidade de meus vestidos antigos às vezes. Há uma honestidade no algodão simples, você não acha? A resposta surpreendeu Nadia. Ela esperava ostentação ou desconforto, não essa referência calma a um passado humilde. — Sim — Nadia disse, recuperando-se. — Honestidade. Uma qualidade rara nestes salões. — Como a lealdade — Layla acrescentou, mantendo seu sorriso. — Outra qualidade rara. Zayn fala tão bem de você, sabe. De como você sempre apoiou a família. Mesmo quando era difícil. Era uma jogada arriscada — referir-se à lealdade quando Nadia estava secretamente alinhada com Rafiq. A mulher mais velha ficou imóvel por um segundo, seus olhos escuros avaliando Layla com uma nova intensidade. — A família é tudo — Nadia finalmente disse, sua voz cuidadosamente neutra. — Concordo completamente. Zayn, que observara o intercâmbio em silêncio, interveio. — Prima, você deve nos perdoar. Precisamos cumprimentar o embaixador. Quando se afastaram, Zayn apertou discretamente a mão de Layla. — Bem jogado. — Ela me odeia — Layla sussurrou. — Ela te respeita. O que é melhor. A noite continuou, uma dança interminável de conversas superficiais e subtextos profundos. Layla conheceu políticos, magnatas, até uma princesa europeia em exílio autoimposto. Ela usou cada técnica que Aisha lhe ensinara — ouvir mais do que falar, fazer perguntas que pareciam inocentes mas revelavam motivações, usar seu sorriso como um escudo. Mas foi perto da meia-noite, quando Zayn foi puxado para uma discussão sobre criptomoedas com um grupo de banqueiros, que Layla enfrentou seu maior desafio sozinha. Rafiq Al-Fayed apareceu ao seu lado como uma sombra, um copo de uísque na mão. — Sra. Al-Mansur. Ou posso chamá-la de Layla? — Sheikh Rafiq — ela respondeu, mantendo sua expressão neutra. — Você fez uma performance impressionante no conselho. Realmente. Quase me fez acreditar. — Não era uma performance. — Não? — Ele tomou um gole de uísque. — Veja, eu conheço mulheres como você. Mulheres que vêm do nada, que conseguem um gosto do poder, do luxo... e se apegam a ele como uma sobrevivente se apega a uma jangada. Não as julgo. Todos queremos uma vida melhor. Layla sentiu a raiva queimar em seu estômago, mas manteve a calma. — Você acha que é disso que se trata? Luxo? — Claro que sim. — Ele deu um passo mais perto, seu hálito com cheiro de álcool e ambição. — Mas diga-me, quando o brilho desaparecer... quando Zayn se cansar de brincar de marido devotado e voltar a ser quem ele realmente é... o que você fará então? Você terá alguma coisa? Ou será apenas mais uma ex-mulher bonita com histórias para contar? Era o medo que ela enterrara profundamente, dissecado e apresentado a ela como uma profecia. — Você não conhece meu marido — ela disse, sua voz fria. — Conheço melhor do que você. Ele é da minha carne, do meu sangue. E eu lhe digo isso: homens como nós, não mudamos. Aprendemos. Adaptamo-nos. Mas no centro... — Ele tocou seu próprio peito. — No centro, somos predadores. E predadores eventualmente voltam a caçar. Ele deixou as palavras pairando no ar antes de se afastar, desaparecendo na multidão. Layla ficou parada, tremendo ligeiramente, suas mãos frias apesar do calor do salão. Quando Zayn voltou, ele viu imediatamente que algo estava errado. — O que aconteceu? — Rafiq. Zayn ficou tenso. — O que ele disse? — O que você esperaria. — Ela olhou para ele, seus olhos buscando os dele. — Ele disse que você não mudou. Que você nunca muda. Que eventualmente você voltará a ser quem era. Zayn ficou em silêncio por um longo momento, seu rosto uma máscara. Então ele pegou sua mão, levando-a para a varanda deserta que dava para as luzes da cidade. — Eu lhe disse uma vez que você me possui — ele disse, sua voz grave na escuridão. — E isso é verdade. Mas o que você precisa entender é que eu não quero escapar. A pessoa que eu era... ela estava vazia, Layla. Um casulo de raiva e poder. Você não me preencheu. Você me transformou. Ele pegou seu rosto entre as mãos. — E sim, há uma parte de mim que ainda é um predador. Mas você não é minha presa. Você é minha parceira de caça. E juntos, somos mais perigosos do que qualquer um deles jamais sonhou. O beijo que se seguiu não foi gentil. Foi uma afirmação, uma marca, uma promessa. Quando eles se separaram, Layla estava sem fôlego. — Eu acredito em você — ela sussurrou. — Então isso é tudo o que importa. Mas mais tarde, de volta ao palácio, enquanto Zayn dormia, Layla ficou acordada, as palavras de Rafiq ecoando em sua mente. Quando o brilho desaparecer... Ela levantou-se, caminhou até o pedestal onde o colar quebrado estava em exibição. Toque-o, o metal frio contra seus dedos quentes. Ela fizera uma escolha. Não apenas de ficar com Zayn, mas de entrar em seu mundo, de jogar seus jogos, de carregar seu legado. A questão agora era: quanto de si mesma ela estaria disposta a sacrificar no altar desse amor? E quando as concessões terminariam e a rendição começaria? O dia seguinte trouxe a resposta em forma de um convite inesperado. Um mensageiro entregou um envelope de pergaminho, selado com cera vermelha. Dentro, uma mensagem curta: "Aprenda de onde ele vem para entender para onde vão. Encontre-me no Souk Al-Bahar ao meio-dia. Venha sozinha. — F." O tio Faisal. Zayn quis que ela recusasse, que levasse guardas, que ele a acompanhasse. — É uma armadilha. — Se ele quisesse me machucar, ele faria isso de maneira mais fácil — Layla argumentou. — Ele está me testando. — E se for Rafiq fingindo ser ele? — Então eu descubro. No final, ela foi. Vestida modestamente em um abaya simples, seu rosto coberto por um véu leve, ela caminhou pelo Souk Al-Bahar, o antigo mercado que era o coração da Dubai antiga. O cheiro de especiarias e incenso enchia o ar, o som das negociações em árabe, hindi, farsi criando uma sinfonia caótica. Ele a encontrou em um café escondido no fundo do mercado, sentado em um banco baixo, bebendo chá de menta de uma xícara pequena. — Você veio — ele disse sem cerimônia. — Sente-se. Ela sentou-se, suas mãos no colo. — Por que me chamou aqui? — Porque aqui — ele fez um gesto com a mão — é de onde viemos. Meu pai, o pai dele, negociaram nestas mesmas ruas. Vendiam pérolas, depois petróleo, depois propriedades. — Seus olhos pálidos a estudaram. — Zayn trouxe você para os salões. Mas você precisa entender as ruas. — Por quê? — Porque o poder que vem dos salões é emprestado. O poder que vem das ruas é conquistado. — Ele tomou um gole de chá. — Você falou bem no conselho. Com coração. Mas o coração não é suficiente. — O que mais é necessário? — Ferro. — Ele colocou a xícara. — Zayn tem isso. Minha irmã, a mãe dele, tinha. Você... ainda estou decidindo. Layla sentiu-se irritada. — Eu não preciso da sua aprovação. — Não? — Ele ergueu uma sobrancelha. — Você quer um assento no conselho? Quer que seus filhos herdem um império? Então precisa da aprovação de muitos. E eu sou o primeiro. Ele estendeu a mão, colocando uma pequena moeda de ouro na mesa. — Esta moeda comprou a primeira pérola que minha família vendeu. Passou de mão em mão por gerações. — Ele a empurrou para ela. — Tome. — Eu não posso aceitar isso. — Você pode e vai. Porque é um símbolo. De responsabilidade. — Ele se inclinou para frente. — Escute-me, menina. Você ama meu sobrinho. Eu vejo isso. E ele o ama de uma maneira que pensávamos que ele era incapaz. Isso vale alguma coisa. Mas o amor é um luxo. O dever é uma necessidade. E seu dever agora é com esta família. Com seu futuro. Com seu legado. As palavras ecoavam as de Zayn, mas de forma mais dura, mais implacável. — E se eu falhar? — Então você será varrida. E Zayn junto com você. — Ele se levantou, sua figura alta projetando uma sombra sobre ela. — A escolha é sua. Você pode ser a mulher que derrubou Zayn Al-Mansur. Ou você pode ser a mulher que o fortaleceu. Mas não há meio-termo. Ele saiu, desaparecendo na multidão do mercado, deixando-a sozinha com a moeda de ouro e o peso de suas palavras. Layla pegou a moeda, sentindo seu peso em sua palma. Era pequena, mas parecia pesar uma tonelada. Quando ela retornou ao palácio, Zayn a esperava ansiosamente. — Bem? O que ele disse? Ela abriu a mão, revelando a moeda. — Ele me deu isso. Zayn ficou imóvel, seus olhos fixos na moeda. — O dinar do fundador. — Sua voz estava cheia de descrença. — Ele só o dá... ele nunca... — Ele me deu. — Layla fechou a mão em torno da moeda. — E ele me deu uma escolha. Ela contou a Zayn o que o tio Faisal dissera. Quando terminou, Zayn estava quieto por um longo tempo. — Ele está certo — ele finalmente disse. — Não há meio-termo. Não para nós. — Então o que escolhemos? — Layla perguntou, embora já soubesse a resposta. Zayn pegou sua mão, abrindo-a para revelar a moeda novamente. — Escolhemos o legado. Escolhemos o futuro. — Ele olhou para ela, seus olhos brilhando com uma determinação que ela reconhecia. — E escolhemos fazê-lo juntos. Naquela noite, eles fizeram amor com uma nova urgência, como se cada toque, cada beijo, fosse um voto para o futuro que estavam construindo. E quando Layla atingiu o clímax, gritando o nome de Zayn, ela sentiu não apenas prazer, mas uma aceitação profunda. Ela estava dentro agora. Não apenas de seu mundo, mas de sua história, seu legado, seu destino. O preço era alto. A si mesma, sua independência, sua inocência. Mas a recompensa... a recompensa era tudo. Na manhã seguinte, ela acordou e colocou a moeda de ouro em uma corrente fina ao lado do pingente de asas. Dois símbolos. Duas promessas. Uma de amor. Uma de dever. E ela usaria ambas, não como correntes, mas como armaduras. A guerra pelo coração de Zayn Al-Mansur havia terminado. A guerra pelo seu império apenas começara. E Layla, a sobrevivente, a amante, a esposa, estava pronta para lutar.
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