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3436 Words
A luz do quinto amanhecer após o baile das máscaras encontrava Zayn já vestido e imóvel diante da janela de seus aposentos. O horizonte de Dubai despertava em tons de laranja e púrpura, mas seus olhos não viam a beleza — viam o tabuleiro de xadrez que sua vida se tornara. O Conselho se reuniria ao meio-dia, e cada jogada desde a noite do baile fora calculada com a precisão fria que o tornara temido. Layla ainda dormia, um contraste suave contra a rigidez de seu corpo. Nos últimos dias, ele a preparara não como uma peça a ser exibida, mas como uma rainha a ser apresentada. Aisha trouxera estilistas, uma consultora de etiqueta, até mesmo um historiador para ensinar a Layla as complexidades da genealogia Al-Mansur. Zayn observara de longe, seu coração apertando-se em um nó contraditório de orgulho e culpa. Ela aprendia rápido, assimilando séculos de tradição em dias, mas ele via o cansaço em seus olhos quando pensava que ele não estava olhando. — Você está acordado — a voz rouca de sono de Layla rompeu seu devaneio. Ele não se virou. — Há muito a fazer hoje. O som dos lençóis sendo afastados, então passos leves sobre o mármore. Ela parou atrás dele, mas não o tocou. Aprenderam isso um sobre o outro — quando o peso de seus pensamentos exigia espaço físico. — Você está com medo — ela afirmou, não questionou. — Cauteloso. — Mentira. Finalmente, ele se virou. Ela estava envolta no roupão de seda que ele lhe dera na ilha, seu cabelo uma cascata desalinhada sobre os ombros. Mesmo assim, havia uma dignidade nela que nada tinha a ver com roupas ou treinamento. — Tenho medo — ele admitiu, as palavras saindo como uma confissão. — Não por mim. Por você. Ela ergueu o queixo, um gesto que outrora fora de desafio, agora de determinação. — Eu não preciso da sua proteção, Zayn. Eu preciso da sua parceria. Ele estendeu a mão, e ela a aceitou. Seus dedos se entrelaçaram, uma âncora no mar turbulento que os aguardava. — Hoje — ele disse, sua voz grave no silêncio do amanhecer — eles verão não o que eu fiz com você, mas o que você fez comigo. Essa será nossa defesa. Nossa ofensa. O café da manhã foi uma refeição silenciosa e eficiente. Aisha chegou exatamente às sete, vestida com um conjunto de terninho Chanel preto que era menos uma roupa e mais uma armadura. — Os últimos relatórios — ela anunciou, colocando um tablet diante de Zayn. — Rafiq convocou uma reunião privada com três membros do conselho antes da sessão formal. O tio Faisal chegou de Londres ontem à noite. Ele não veio ao palácio. Isso era significativo. O tio Faisal sempre se hospedava com Zayn quando em Dubai. — E Nadia? — Zayn perguntou, seus olhos percorrendo os relatórios. — Mais sutil. Ela está almoçando com as esposas dos conselheiros. Espalhando... preocupações. Layla olhou de Aisha para Zayn. — Preocupações sobre o quê? — Sobre a estabilidade do meu julgamento — Zayn respondeu sem emoção. — Sobre minha aptidão para liderar agora que estou... emocionalmente comprometido. A risada de Layla foi curta e sem humor. — Eles estão usando nosso casamento contra você. — Eles estão usando tudo — Aisha corrigiu. — É assim que o jogo é jogado. Zayn fechou o tablet. — Então jogaremos melhor. As três horas seguintes foram um balé de preparação. Enquanto Layla era preparada por uma equipe de stylists, Zayn e Aisha travaram uma guerra silenciosa em seus escritórios, enviando mensagens, fazendo ligações, mobilizando aliados. O palácio, normalmente um santuário de tranquilidade imponente, vibrava com uma energia tensa. Às onze, Layla emergiu de seus aposentos, e Zayn sentiu o ar sair de seus pulmões. Ela vestia um abaya de seda preta, mas não como as mulheres tradicionais — este era moderno, cortado para seguir suas curvas, bordado com fios de ouro tão sutis que pareciam um segredo. Seu cabelo estava preso em um coque elaborado, expondo a linha de seu pescoço onde o pingente de asas repousava sobre sua pele. Não havia véu. Essa era a declaração. — Você está deslumbrante — Zayn disse, sua voz mais áspera do que pretendia. — Deslumbrante o suficiente para vencer um conselho? — Ela sorriu, mas seus olhos estavam sérios. — Deslumbrante o suficiente para fazer com que se esqueçam de por que se reuniram. Ele se aproximou, ajustando o pingente de asas. — Lembre-se, hoje você não é Layla, a sobrevivente. Você é Layla Al-Mansur. Minha esposa. A futura mãe de meus herdeiros. E eles farão bem em lembrar disso. A menção a herdeiros fez seus olhos se encontrarem. Era um tópico que haviam evitado, um futuro que ainda parecia distante demais para contemplar. — Isso é parte da estratégia? — ela perguntou suavemente. — Tudo é parte da estratégia hoje. O Grande Salão do Conselho ficava não no palácio, mas em uma torre de vidro no coração do distrito financeiro. A limusine preta deslizou pelo trânsito, os três passageiros em silêncio. Layla observava a cidade passar, suas mãos firmemente entrelaçadas no colo. Zayn observava Layla. — Eles testarão você — ele disse de repente. — Farão perguntas íntimas. Insinuarão coisas. Tentarão provocar uma reação. — Eu sei. — Você não sabe. — Ele virou-se completamente para ela. — A prima Nadia tem uma língua afiada como um punhal. Ela pode parecer doce, mas cada palavra é calculada para cortar. O tio Faisal fará perguntas que parecem simples, mas carregam armadilhas. Layla respirou fundo. — E se eu errar? A mão de Zayn cobriu a dela. — Então nós erramos juntos. Mas você não errará. A torre do conselho era um monumento de vidro e aço. Os guardas na entrada não eram os brutamontes que Layla esperava, mas homens de terno impecável com olhos que não pareciam nada. Eles reconheceram Zayn com um aceno quase imperceptível, mas seus olhos avaliaram Layla, escaneando-a como se fosse um código de barras. O saguão era de mármore branco, vazio exceto pelo som abafado de seus passos. Quando as portas do elevador dourado se abriram, Aisha apertou brevemente o braço de Layla. — Respire. E lembre-se: você já enfrentou coisas piores do que homens velhos com complexo de Deus. A sala do conselho era circular, com paredes de vidro que ofereciam uma vista de 360 graus da cidade. Uma mesa de ébano em forma de crescente dominava o espaço, com doze cadeiras altas. Cinco já estavam ocupadas. Rafiq Al-Fayed estava no centro, conversando baixinho com um homem idoso que Layla presumiu ser o tio Faisal. Ele tinha a mesma postura de Zayn, mas onde Zayn era um leão no auge, Faisal era um lobo velho — magro, com olhos pálidos que pareciam enxergar através das aparências. — Sheikh Zayn — Rafiq disse, levantando-se com uma cortesia exagerada. — E esta deve ser a famosa Layla. — Sra. Al-Mansur — Zayn corrigiu, sua mão nas costas de Layla guiando-a para frente. — Layla, meu tio Faisal. O homem idoso estudou-a, seus olhos percorrendo seu rosto, seu traje, o pingente em seu pescoço. — Você é mais bonita do que nas fotografias — ele disse, sua voz surpreendentemente suave. — Mas as fotografias raramente capturam o que importa, não é? — Obrigada, tio — Layla respondeu, mantendo sua voz calma. — Espero que hoje você veja mais do que fotografias podem mostrar. Um leve sobrolhar foi sua única reação antes de ele se virar para Zayn. — Seu pai teria se interessado por esta... situação. — Meu pai teria entendido que os tempos mudam — Zayn respondeu, seu tom respeitoso mas firme. Um a um, os outros membros do conselho chegaram. Homens idosos com rostos gravados por décadas de poder, alguns acompanhados por assessores mais jovens. Todos olhavam para Layla. Ela sentia seus olhos como insetos rastejando em sua pele, mas manteve sua postura, sua expressão serena. Aisha lhe ensinara isso — na ausência de informação, seu silêncio seria interpretado como força, não como ignorância. Quando todos estavam sentados, o tio Faisal bateu um pequeno martelo de prata na mesa. — Este conselho extraordinário está agora em sessão. — Seus olhos percorreram a mesa. — Sheikh Rafiq Al-Fayed apresentou preocupações sobre a gestão de certos ativos familiares e a... influência de fatores pessoais nas decisões comerciais. Vamos começar. Rafiq levantou-se, um sorriso fino em seus lábios. — Obrigado, tio Faisal. Meus queridos primos. Reuni-me hoje não por rancor, mas por preocupação. Preocupação com o futuro de nossa família. — Ele começou a andar lentamente, suas mãos entrelaçadas atrás das costas. — Durante gerações, os Al-Mansur prosperaram porque colocamos o negócio acima do pessoal. A razão acima da emoção. Mas recentemente... Ele parou, olhando diretamente para Zayn. — Recentemente, testemunhamos uma série de decisões questionáveis. A venda da participação nas minas de cobre. A retirada do contrato de defesa com os Al-Fayed. A repentina reorientação de fundos para... obras de caridade. Cada palavra era um golpe cuidadosamente medido. — E então há a questão mais perturbadora. — Ele voltou sua atenção para Layla. — A aquisição de uma companheira através de meios... não tradicionais. E sua subsequente influência nas decisões do chefe de nossa família. Zayn não se moveu, mas Layla sentiu a tensão irradiando dele. — Você tem uma pergunta, Rafiq? — a voz de Zayn era perigosamente suave. — Várias, na verdade. — Rafiq se inclinou, suas mãos apoiadas na mesa diante de Layla. — Você pode nos dizer, Layla, como exatamente você veio a conhecer nosso primo Zayn? O ar na sala ficou pesado. Todos os olhos estavam nela. Layla sentiu o pânico subir em sua garganta, mas então ela viu o pingente de asas refletido na superfície polida da mesa. Respiração. Resposta. — Eu fui apresentada ao Sheikh Zayn em um evento de caridade — ela disse, sua voz clara e estável. — Ele estava impressionado com meu trabalho com refugiados sírios. Foi a mentira que eles haviam preparado. Uma mentira que Aisha teceu com tantos fios de verdade que até Layla quase acreditava. Rafiq riu, um som seco e cínico. — Evento de caridade. Que conveniente. Porque há rumores — ele olhou para os outros membros do conselho — de um leilão bastante diferente. Um leilão onde mulheres são tratadas como mercadorias. Zayn finalmente se moveu. Lentamente, ele se levantou, sua altura dominando mesmo à distância. — Você está chamando minha esposa de mentirosa? — sua voz era um rugido abafado. — Estou pedindo clareza — Rafiq se endireitou, enfrentando Zayn. — Porque se você comprou esta mulher como se compra um cavalo de corrida, então ela não é sua esposa. É sua propriedade. E um homem que confunde as duas coisas não está apto a liderar. O golpe foi direto e brutal. Layla viu os outros membros do conselho trocarem olhares. Aisha, sentada à sua direita, estava rígida como uma estátua. Foi então que o tio Faisal falou novamente. — Layla. — Ele disse seu nome como se experimentasse o sabor. — Você tem a marca dos Al-Mansur em sua coxa, não tem? A pergunta foi tão íntima, tão chocantemente específica, que até Zayn pareceu surpreso. Como ele sabia? Layla sentiu seu rosto queimar, mas ela manteve seus olhos fixos no homem idoso. — Eu tenho uma marca, sim. — E você a recebeu voluntariamente? Como um símbolo de... devoção? A armadilha estava armada. Se ela dissesse que não, confirmaria a versão de Rafiq. Se dissesse que sim, pareceria uma lunática ou uma escrava contente. Layla olhou para Zayn. Ele estava olhando para ela, seus olhos negros ardendo com uma intensidade que ela reconhecia. Era o mesmo olhar que ele dera a ela na noite em que a marcou — uma mistura de posse, dor e algo mais profundo que nenhum deles compreendera na época. Ela se levantou. Todos na sala ficaram surpresos. Uma mulher, de pé sem permissão, desafiando séculos de protocolo. — Eu recebi esta marca — ela disse, sua voz agora carregando por toda a sala — no mesmo dia que recebi esta. Ela pegou o pingente de asas, segurando-o para que todos pudessem ver. — Uma foi dada com dor. A outra com amor. Ambas foram escolhas. — Ela olhou diretamente para o tio Faisal. — Você sabe sobre a marca porque você conhece seu sobrinho. Você sabe que ele não faz nada pela metade. Quando ele decide algo, ele o marca. Seja um negócio, um território... ou uma pessoa. Ela sentiu, mais do que viu, Zayn ficar tenso. — Então você admite que ele a marcou como propriedade? — Rafiq cutucou, triunfante. — Eu admito que ele me marcou como sua. — Ela virou-se para Rafiq. — Assim como eu o marquei. Ela viu a confusão nos rostos ao redor da mesa. — Olhe para ele — ela ordenou, sua voz ganhando força. — Olhe para Zayn Al-Mansur, o homem que vocês acham que conhecem. Ele dorme quatro horas por noite porque pesadelos sobre me perder o mantêm acordado. Ele reescreveu todos os contratos que envolvem exploração porque eu disse que isso me entristecia. Ele está transformando um império construído sobre sangue e ossos em algo que nossos filhos não precisarão se envergonhar. Ela caminhou até Zayn, parando ao seu lado. — Sim, ele me marcou. Mas eu o mudei. E se isso é fraqueza aos seus olhos, então talvez seja a fraqueza mais poderosa que esta família já viu. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Até o tio Faisal parecia impressionado. Foi Zayn quem quebrou o silêncio. — Minha esposa fala a verdade — ele disse, sua mão encontrando a dela. — Comprei-a. Quebrei-a. Tentei possuí-la. E no processo, ela me possuiu completamente. — Ele olhou para cada m****o do conselho. — Vocês querem questionar meu julgamento? Questionem. Mas saibam disso — sua voz baixou para um tom perigoso — se algum de vocês tentar tirá-la de mim, eu despedaçarei esta família tão completamente que levará gerações para juntar os cacos. A ameaça ficou pairando no ar, nua e brutal. Rafiq abriu a boca para responder, mas o tio Faisal ergueu a mão. — Chega. — Ele estudou Zayn e Layla, seus olhos antigos parecendo pesar não apenas suas palavras, mas o espaço entre elas, a maneira como suas mãos se entrelaçavam, a maneira como ela estava de pé ao lado dele — não atrás, não na frente, mas ao lado. — O conselho vai deliberar em particular — ele anunciou. — Vocês podem esperar fora. Nos corredores frios e silenciosos, longe dos olhos do conselho, Zayn pegou o rosto de Layla entre suas mãos. — Você foi magnífica — ele sussurrou, seus polegares acariciando suas maçãs do rosto. — Eu estava aterrorizada — ela admitiu, seu corpo começando a tremer agora que a adrenalina diminuía. — Eu também. — Ele a puxou para um abraço, seu corpo grande envolvendo o dela. — Quando você se levantou... Deus, Layla, eu pensei que meu coração iria parar. Ela riu, um som meio sufocado contra seu peito. — Eu também. Aisha se aproximou, seu rosto sério. — Foi corajoso. e******o, mas corajoso. — Eles acreditaram? — Layla perguntou. — Eles acreditaram em algo — Aisha respondeu, olhando para a porta fechada do conselho. — Mas não se trata mais de acreditar. Agora se trata de escolher um lado. A espera durou duas horas. Dois séculos. Quando as portas se abriram, apenas o tio Faisal saiu. — Zayn. Sozinho. Zayn apertou a mão de Layla uma última vez antes de desaparecer na sala. A porta se fechou com um clique final. — O que acontece agora? — Layla perguntou a Aisha. — Agora descobrimos se o amor realmente conquista tudo. Ou se é apenas outra fraqueza a ser explorada. Dentro da sala do conselho, Zayn se viu sozinho com seu tio. O homem idoso estava de costas para ele, olhando para a cidade através do vidro. — Ela é impressionante — Faisal disse sem se virar. — Mais impressionante ainda porque ela realmente acredita no que disse. — É a verdade. — É uma versão da verdade. — Faisal finalmente se virou. — Você comprou essa mulher em um leilão de escravas. Você a manteve acorrentada. Você a quebrou. E agora você a ama. Qual parte disso é mentira? — Nenhuma. — Exatamente. — Faisal se aproximou. — E é por isso que você está em perigo. Porque o amor não é uma moeda forte neste mundo, Zayn. É uma vulnerabilidade. — Então é isso? Você vai me remover? Faisal estudou-o por um longo momento. — Seu pai me pediu para cuidar de você. Ele sabia que o poder iria corrompê-lo ou quebrá-lo. — Ele suspirou, um som cansado. — Eu vi você se tornar o monstro que ele temia. E agora... vejo você tentando voltar. — Estou tentando. — É suficiente. Por enquanto. — Faisal pegou um documento da mesa. — Os contratos do porto permanecem com você. Rafiq será... contido. Mas há uma condição. Zayn esperou, seu corpo tenso. — Você fará de Layla sua verdadeira parceira. Não apenas em nome, mas em fato. Ela terá assento neste conselho. Aprenderá nossos negócios. E quando vocês tiverem um filho... — Se tivermos. — Quando — Faisal insistiu, seus olhos frios. — A linhagem deve continuar. É a única maneira de solidificar sua posição. A única maneira de garantir que Rafiq e Nadia nunca tenham uma chance. A implicação era clara. O casamento deles, seu amor, precisava produzir um herdeiro. Não era mais uma escolha pessoal, mas uma obrigação dinástica. — Ela precisa concordar — Zayn disse, sua voz tensa. — Então convença-a. — Faisal colocou a mão em seu ombro. — Você é bom em convencer as pessoas a fazerem o que você quer, não é? Quando Zayn saiu da sala, seu rosto estava uma máscara. Layla correu até ele. — Bem? — Mantivemos os contratos. Rafiq será silenciado. O alívio inundou seu rosto, mas então ela viu a sombra em seus olhos. — O que mais? Zayn olhou para ela, para a mulher que acabara de enfrentar um conselho de homens poderosos por ele. A mulher que ele amava mais do que seu próximo suspiro. A mulher que agora ele precisava pedir para carregar o peso de seu legado. — Vamos para casa — ele disse, sua mão encontrando a dela. — Temos muito a discutir. A viagem de volta ao palácio foi silenciosa. Aisha os deixou na entrada, seu olhar entendendo mais do que as palavras podiam dizer. No jardim privado, sob as estrelas que testemunharam tantas de suas batalhas, Zayn contou a Layla sobre a condição do tio Faisal. — Um assento no conselho? — ela repetiu, surpresa. — E um herdeiro. As palavras pairaram entre eles. Layla afastou-se, abraçando-se. — Então foi tudo por isso? Nosso casamento, tudo... apenas para produzir um herdeiro? — Não. — Ele a virou para enfrentá-lo. — Nosso casamento é real. Meu amor por você é real. Mas este mundo... este mundo exige coisas reais também. — E se eu não quiser? — sua voz era um sussurro. — Se eu não estiver pronta? Ele pegou seu rosto entre as mãos. — Então nós esperamos. Lutamos. Encontramos uma maneira. Mas saiba disso, Layla — seus olhos estavam brilhando no escuro — não importa o que aconteça, você já me deu mais do que eu merecia. Uma chance de ser melhor. Um motivo para tentar. Ela olhou para ele, para o homem que era tanto seu tirano quanto seu salvador, seu dono e seu servo. — Eu te amo — ela disse, as palavras saindo como uma promessa. — Eu te amo — ele respondeu, selando-a com um beijo que sabia a futuro, a medo, a esperança. Naquela noite, eles fizeram amor não como uma obrigação, não como uma estratégia, mas como uma oração. Um apelo silencioso a qualquer deus que pudesse ouvir, pedindo força, pedendo tempo, pedindo um amor forte o suficiente para carregar o peso de um legado. Quando o amanhecer chegou, eles estavam entrelaçados, suas respirações sincronizadas. A batalha no conselho havia sido vencida, mas a guerra apenas começara. E no centro dela estava uma escolha que nenhum deles poderia fazer sozinho: o que estavam dispostos a sacrificar pelo amor do outro, e o que exigiriam em troca. O preço da liberdade, Layla percebeu enquanto observava Zayn dormir, nunca era pago de uma só vez. Era uma série interminável de resgates, cada um mais caro que o último. E eles haviam acabado de contrair uma nova dívida.
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