Episódio 2

1256 Words
ETHAN — Eu posso cuidar da filial de Atlanta. Eu digo sério. — Você?! O meu pai pergunta espantado. — Sim, pai, eu. Acrescentei, com um gesto de aborrecimento. — Uau, estou surpreso com a sua decisão. Alden respondeu. — Quando você pode viajar? — Amanhã, se possível. Eu respondi imediatamente. — Ok, então que assim seja. Disse Alden, sorrindo com satisfação. Ele mesmo não poderia ter tido uma ideia melhor para colocar distância entre o seu filho e Marian. Eu saí do escritório depois da reunião com o meu pai e finalmente voltei para casa. Eu não voltei para casa por duas semanas, quando depois de ver aquelas fotos, decidi ir embora. Assim que abri a porta e a escuridão foi a única coisa que me recebeu, o silêncio que ecoava no lugar fez a minha pele arrepiar. Eu entrei no local e apressei o passo, para subir as escadas e chegar ao quarto. Tínhamos assinado os papéis do divórcio alguns dias atrás e hoje mesmo eu recebi a decisão que dissolveu o nosso casamento. Isso me fez perceber que nada me ligava àquele lugar, então eu decidi ir para Atlanta. Eu só tinha vindo buscar alguns documentos importantes, sem os quais não poderia ir embora. Quando cheguei ao quarto eu não saberia dizer se era apenas fruto da minha imaginação, mas consegui sentir o cheiro da Marian. Eu fechei os olhos, tentando me convencer de que era apenas um truque da minha imaginação, mas a sensação era real demais para ser apenas isso. Eu abri o armário e, como havia imaginado, não havia nenhuma roupa dela ali. Eu sabia que estaria assim, mas aparentemente não consegui processar isso completamente, porque essa realidade me fez sentir como se estivesse sem fôlego. Eu dei alguns passos para trás até chegar à cama e me sentei. Eu levei as duas mãos ao rosto e me deitei na cama. — Por que você fez isso conosco, Marian? Eu disse com lágrimas nos olhos. A raiva tomou conta de mim e, num ataque, eu comecei a destruir tudo ao meu redor. Doeu me sentir enganado, doeu a traição dela, doeu pensar que nada tinha sido real, mas também doeu pensar que eu nunca mais a veria. Quando eu percebi, eu tinha destruído quase completamente o quarto. A única coisa que eu não conseguiu destruir foi uma foto nossa juntos numa viagem à praia. — Achei que tínhamos tudo para ser felizes. Eu declarei, olhando para a foto. — Por que você fez isso, amor? Eu acrescentei, incapaz de conter as lágrimas. Eu abracei a foto contra o peito e fiquei ali, perdido na dor da perda. Um raio de luz que entrou pela janela me acordou. Não tive ideia do momento em que eu adormeci no chão, enquanto abraçava aquela foto. Eu estava chateado comigo mesmo por minha atitude patética. O que o meu pai pensaria se me visse? Eu me levantei do chão, arrumei as minhas roupas e me preparei para sair do quarto, mas não sem antes levar comigo aquela foto abençoada. Eu peguei o celular e disquei o número da Isa, a minha advogada. — Bom dia. Ela respondeu quase imediatamente, com um tom marcadamente meloso, o que eu claramente percebi. — Bom dia. Eu respondi secamente. — Quero que você coloque a minha casa à venda. A mulher sorriu de prazer ao ouvir isso. Quanto menos coisas havia que o lembrassem de Marian. Seria mais fácil para ela conquistar o coração dele. — Claro, vou cuidar disso agora mesmo. Ouvi dizer que você vai para Atlanta. Ela disse. — Sim. Eu respondi, sem demonstrar nenhuma emoção. — Que coincidência, eu também estarei lá, cuidando de alguns negócios. Disse Isa. — Ah, sim, isso é bom. Eu respondi, antes de me despedir e encerrar a ligação. Se eu conseguisse organizar tudo, hoje mesmo eu iria para Atlanta. MARIAN Já se passaram dois meses desde que fui morar com Olivia. Eu estava preocupada por não ter conseguido um emprego ainda. Eu conheci algumas pessoas enquanto eu era a Sra. Davis, mas nunca me aproximei o suficiente de ninguém para ter intim*idade de agora bater naquelas portas. Mas eu precisava conseguir alguma coisa, pois as minhas economias estavam no vermelho. Eu fiquei sentada num banco por um tempo, precisava descansar os pés e não estava me sentindo bem. Eu atribui isso a tudo o que estava vivenciando. Estava claro para mim que tudo o que havia acontecido teve um impacto severo sobre mim. Notei que num restaurante, localizado do outro lado da rua, havia uma placa que dizia “procurasse garçonete”. Era óbvio que era um lugar elegante, então eu decidi retornar no dia seguinte, para poder usar uma roupa mais apropriada ao local e assim ser considerada apta para o trabalho, pelo menos. — Olá, Olivia. Eu cumprimentei ao chegar. — Olá, Marian. Respondeu a gentil mulher. Sentamos para jantar juntas e conversamos sobre o que tínhamos feito naquele dia. — Então você vai se candidatar para a vaga de garçonete amanhã? Olivia perguntou. — Sim, vou procurar algo apropriado para ir, tudo naquele lugar grita luxo. Eu respondi. — E como você se sentiu hoje? Questionou Olivia. — Um pouco cansada e com aquele vazio no estômago que não me deixa em paz. Eu declarei. — Seria bom se você fosse ao médico. Disse Olivia. — É um luxo que não posso me dar ao luxo agora, mas se eu continuar me sentindo m*al, verei o que posso fazer. Eu respondi um pouco desanimada. Olivia e eu desenvolvemos uma amizade muito boa. Tanto que eu já havia descartado a ideia de ir embora e deixá-la sozinha. Pelo contrário, o que eu queria agora era conseguir um emprego, para que nos duas pudéssemos ter uma vida melhor. ... No dia seguinte acordei cedo e me preparei para ir ao restaurante. — Você está muito bonita, Marian. Disse Olivia ao me ver. — Obrigado. Eu respondi, enquanto bebia suco de laranja, que estranhamente era a única coisa que eu tolerava pela manhã. Ao fazer isso, Olivia olhou para mim com uma expressão estranha no rosto, mas sem dizer nada. Meia hora depois, eu estava em frente à entrada daquele restaurante elegante. — Bom dia, Senhorita. Eu cumprimentei ao chegar. — Bom dia, como posso ajudar? Perguntou a mulher, de forma amigável. — Vim por causa do anúncio, para a vaga de garçonete. Eu respondi com um sorriso. A mulher olhou para mim de forma um tanto estranha. Acho que quando me viu chegar, pensou que eu fosse uma cliente. Nunca imaginou que eu viria pedir um emprego. — Por favor, siga-me. Disse a menina. Num pequeno, mas elegante escritório, eu fui recebida por uma mulher simpática que se apresentou como a dona do lugar. Ela me observou atentamente, enquanto me fazia algumas perguntas. — Você parece uma garota bem-educada e com algum refinamento. Disse a mulher que a estava entrevistando. Eu apenas sorri. Durante o tempo em que fui casada com Ethan, eu me esforcei muito para aprender, com a intenção de que nenhuma das minhas ações o envergonhasse. — Digamos que tenha alguma verdade nisso. Eu respondi timidamente. — Você fala alguma língua? Perguntou a mulher, fascinada. — Inglês e francês, não são perfeitos, mas consigo me virar. Eu respondi com orgulho. — Bom, é isso, você está contratada. Disse a mulher com um sorriso. Eu senti uma alegria inundar o meu peito. Eu finalmente encontrei um emprego e tudo certamente melhoraria dali em diante.
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