"O tempo parece nunca passar, mas quando passa é aquela dor...
Não sei de onde vem todo esse sofrimento. Nem sei por que eu o tenho.
Nasci com ele cravado em minha alma. Parece destino...
Talvez maldição..
Me descanso olhando as pessoas ao redor.
Como tem amigos, como sorriem.
Todos temos nossos problemas, o meu é este.
Medo de me aproximar, medo de sofrer de novo.
De novo?
Eu desejo ter amigos, sorrir muito.
Mas o que estou fazendo parada em um canto, sozinha?
Por quê eu não procuro encontrar pessoas?
Por quê me escondo tanto do mundo...?
Do que eu tenho medo?
Do que eu tenho rancor?
Das pessoas...
Elas não sabem cuidar de alguém como eu. Tão simples e sensível.
Eu só preciso de amor...
Mas... Quem hoje em dia sabe o que é isso?"
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- Minha mãe e Brad, pai de David saíram para uma sessão de cinema em uma noite e nunca mais foram vistos. O carro estava estacionado no estacionamento do shopping, assim como o carro de Ângela estava no estacionamento do colégio, após desaparecer. Eu estou aqui há um mês e não consigo dormir muito. Muitas das coisas que fiz para afastá-la não funcionaram muito, então tínhamos que revezar em quem dormiria para o outro ficar de vigia.
- Afastá-la? Quem?
- Você.
Os olhos de Esmeralda se arregalaram de surpresa. Isso não fazia sentido algum, mas mesmo assim a deixava apavorada. Ela olhou ao redor, talvez tentando buscar respostas para aquele seu sentimento de negação e vislumbrou algumas informações em um quadro pendurado na parede, perto da escrivaninha de Hanna. Ela se aproximou, ainda sem dizer nada e observou. Seu coração parou de bater no peito enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas.
- Demorou um tempo para eu achar essas informações, já que parecia que todo mundo estava tentando escondê-la. - disse a menina loira do outro lado do quarto. - Mas eu sabia que conhecia você há muito tempo. Vocês eram simplesmente muito parecidas, a única coisa que me deixava na dúvida eram os nomes e suas origens, mas já parou pra pensar que você e seus pais não são nada parecidos? Você nunca pensou em perguntar? Você, branca como giz e eles com suas peles douradas do sol. Isso sem contar o cabelo...
- Pare.
Esmeralda estava tentando se controlar, ela havia parado seus olhos em um recorte de jorna antigo onde se noticiava um acidente de carro que matou três das quatro pessoas a bordo e incrivelmente, uma menininha de oito anos saiu do acidente sem quaisquer arranhões, porém em coma. O seu nome era...
- Megan Smith. - sussurrou.
- Sim. Megan era minha amiga quando éramos crianças. Eu sei disso por que eu tinha foto com ela, de quando nós tínhamos 4 anos. Ela se mudou com os pais e depois apareceu você, com dez anos, uma identidade diferente, eu achava fascinante você se parecer tanto com uma amiga de minha infância. Quando tudo isso começou a acontecer, eu comecei a pesquisar. Você é adotada, Mel. E seu nome é Megan, não Esmeralda. Mudaram toda a sua vida para que você se esquecesse. Seja lá do que fosse, mas agora você precisa se lembrar. Não estamos mais seguros.
- Eu ainda não entendo o que isso tudo tem a ver comigo. Os desaparecimentos e...
- Tem tudo a ver contigo. Por que a coisa que está nos perseguindo se parece demais com você e, uma vez que você ainda está viva, isso só me deixa duas opções: Gêmea do m*l ou um demônio.
- Eu... não me lembro de nada antes dos meus dez anos de idade. É tudo... escuro.
- A sua mente bloqueou essas memórias por algum motivo, você não acha que está na hora de relembrar? De saber quem você realmente é?
- Eu estou com medo, Hanna.
- Isso é normal sentir, Mel. Mas nós precisamos da sua ajuda, pra saber o que é isso que está nos caçando um a um.
Hanna se levantou de seu puff e foi em direção à uma Esmeralda que tremia. Elas se olharam nos olhos por longos minutos.
- A minha família... a verdadeira. Eu os matei? - seus olhos eram um misto de dor e ansiedade. Ela já chorava, mesmo sem saber mas tentando entender.
- Provavelmente. Quer dizer, você saiu de um acidente terrível sem nenhum arranhão. Só Deus sabe o que pode ter acontecido naquele dia.
- Eu devo saber.
- Sim, você deve saber. - Hanna desviou o olhar para um pequeno livro perto da cômoda e voltou seus olhos para Mel. - E se eu te disser que talvez eu possa ajudá-la com suas memórias reprimidas?
- Mas como você faria isso?
- Eu aprendi com a minha avó em Phoenix algumas técnicas de meditação, talvez te ajude a clarear suas mente, cavando fundo em suas antigas memórias, mas tudo dependerá de você, se você quer mesmo enxergar o que você mesma está escondendo.
- Eu não acho que eu esteja pronta ainda, mas não vejo como eu tenha opções aqui. Eu quero saber. Não, eu preciso saber da verdade.
- Bom. Eu vou chamar os meninos para ajudar a gente. Eu já volto.
Hanna deixou o quarto e Esmeralda suspirou longamente, ainda encarando o quadro com informações suas.
- Megan Smith sobrevive ao acidente fatal que matou quase toda a família Smith neste dia fatídico de 20 de outubro. - dizia ela. - A menina saiu do acidente em um coma profundo e levada até um hospital para recuperação.
Ela olhou uma foto da menina que Hanna dizia ser ela aos quatro anos e ficou ainda mais nervosa. Se parecia e muito com a menina que a assombrara há três meses atrás. O que poderia significar? Esmeralda se lembrou dos cds de áudio que recebera e lembrou do nome Megan Smith e dos padres que vinham para se comunicar com uma menina em sono profundo. As coisas finalmente começavam a fazer sentido. Ela recebeu as gravações pois eram sobre ela. Ela tentou se lembrar do máximo de coisas que conseguia e se lembrou de um nome que a menina repetia nas gravações e parecia lhe deixar apavorada. Dalila. Uma pessoa que estava vindo atrás dela, ao que parecia. Seria Dalila a entidade que estava nos perseguindo? Pensou. O que ela queria com ela, principalmente. O que ela tinha de tão especial assim?
Hanna voltou com os meninos e eles traziam uma bacia cheia de água e olhares cabisbaixos.
- Oi, Mel. - disse Brian. - Você está bem?
A menina apenas acenou com a cabeça e cruzou os braços por debaixo dos braços. Esmeralda tinha s***s enormes e o fato dela cruzar os braços sempre deixava os meninos sem filtro, olhando descaradamente, e não foi diferente com David, que sem querer não conseguia desviar seus olhos e levou uma forte cotovelada no estômago de Brian, que o olhou f**o.
- Ela é a minha mulher, cara. - sussurrou ele.
- Desculpe. - sussurrou de volta.
Esmeralda estava tão imersa em pensamentos que nem mesmo havia notado o que tinha acontecido. Talvez por já estar acostumada com olhares, ou talvez por estar prestes a descobrir quem ela realmente era.
- Será que vamos encontrar a Angi e meus pais? - perguntou David.
- Eu espero que sim, mas por enquanto nós não sabemos com o que estamos lidando. - afirmou Hanna, preparando algumas ervas na bacia. ela olhou para Brian e acenou, como se já tivessem combinado algo antes. Ele foi até outro cômodo e voltou com uma cadeira de madeira. Ele a depositou no centro do quarto e fez sinal para que Mel sentasse nela.
- Como vocês farão isso? - perguntou insegura.
- Nós não faremos muito. Você fará todo o processo sozinha.
- E o que devo fazer?
Hanna veio com a enorme bacia e a depositou perto dos pés de Esmeralda. Ela começou a subir a bainha da calça jeans que ela usava para que não molhasse com um sorriso acolhedor nos lábios trêmulos.
- Pronto, coloque seus pés na água.
Esmeralda o fez sem fazer muitas perguntas e fez uma careta quando seus pés tocaram a água gelada.
- Agora, nós sairemos o quarto, deixei um incenso de salvia queimando para expulsar quaisquer espíritos maligno que esteja nos arredores, então concentre-se no que queira ver e respirei bem fundo com sues olhos bem fechados. Se concentre no quer visualizar, Mel e entrará na meditação com sucesso. Estaremos do outro lado da porta, então pode nos chamar.
Aquilo tinha sido repentino. Ela não sabia que ficaria sozinha no quarto. Ela estava assustado e sua respiração irregular. Ela não queria fazer aquilo sozinha, Ela estava com medo.
- É normal sentir medo.
Ela sussurrou para si mesma. Sua respiração se acalmou e a menina fechou seus olhos, tentando entrar em uma meditação profunda... que a levasse para dentro de suas memórias e ela enfim, descobrir sobre o seu passado sombrio.
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