Capítulo 7 - Você

2895 Words
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Esmeralda respirava pesadamente, aflita sobre o que poderia acontecer à seguir.    - O que estamos fazendo aqui, Brian? - ela procurava o socorro nele, mas ele tinha um olhar tristonho.    - Por favor, só nos escute enquanto falamos com você, tudo bem?    - O que?   A porta do carona se abriu e David apareceu com um olhar assustador, seus olhos fundos davam a impressão de que não dormia à dias.    - Boa noite, pessoal. Que bom que vieram.    Ele lançou um meio sorriso para Esmeralda que estava na defensiva com seu olhar assustado. David estendeu sua mão para ajudá-la a descer do carro, mas ela lançou um olhar de dúvida para Brian. Ele apenas desviou o seu olhar. Ele não parecia quere fazer aquilo. Mas o que eles iriam fazer, afinal?    - Me acompanhe por gentileza, Mel.    - Não me chame assim. - sibilou entre dentes. - Eu posso sair sozinha, me dê licença.    Ele se afastou da porta e ela saiu sem maiores problemas. Ela prendeu seus cabelos estavam caindo em seu rosto e suspirou mais uma vez quando Brian se juntou à eles.    - Estamos aqui, como o combinado. - disse ele para David.    O coração de Esmeralda só faltava saltar pela boca. Ela se considerava uma pessoa não muito corajosa e toda a situação a deixava desconcertada. Ela sentia que algo não estava certo. Um arrepio em sua nuca a fez gelar frio quando ela sentiu aquela presença novamente. Um flash de uma menina sorridente passou por sua memória e tudo que ela queria era chorar. Ela já havia se livrado daquilo. Estava tudo normal agora. Mas por que...?    - O que estamos fazendo aqui, Brian?    - A Angi está desaparecida, Esmeralda, você nem mesmo se importa com isso?    - Eu nem mesmo sabia que ela havia desaparecido. Eu tenho certeza de que ela está bem. Eu estou mais preocupada com toda a situação está se formando aqui. Alguém pode me explicar?   - Venham.    David começou a andar para dentro de sua luxuosa casa e enfiou as mãos nos bolsos, despreocupadamente. Mel se aproximou de Brian ainda duvidosa enquanto seguiam o menino para dentro da imensa casa.    - Por favor, me dê uma luz sobre isso tudo. O que têm haver com a Ângela?    - Você verá. Espere um pouco nós estarmos seguros do lado de dentro.   Seguros?  Um vento forte e gelado fez a todos ficarem apreensivos e David deu um pulo para dentro de casa e olhou  para o casal com o seu olhar de urgência. Brian agarrou a mão de Esmeralda e correram para dentro, pulando pela entrada. A menina assustado olhou para trás e não havia nada, mas no batente da bota havia um líquido estranho. David rapidamente fechou a porta.    - Alguém pode me explicar o que está acontecendo agora? - gritou ela, histericamente.    - Esmeralda? - uma voz familiar veio da sala em direção à entrada da casa e os encontrou com olheiras quase tão profundas quanto as de David.   - Hanna? Hanna Turetta?    - Oh, é você mesmo Esmeralda?!   Uma menina loira com seus olhos castanhos singelos e um sorriso tristonho correu em sua direção e a abraçou. Hanna havia sido uma vizinha dos Santiago quando Esmeralda ainda era criança, com seus dez anos. Desta época ela se lembrava bem, embora sua infância seja praticamente um breu. Hanna era sua amiga de infância que foi difícil de se desapegar quando voltaram para o México quando fez quinze anos. Elas eram muito coladas e faziam praticamente tudo juntas. Ela nunca achou que a veria novamente. Aquele momento tinha acabado de se tornar cada vez mais estranho.   - Hanna? O que faz aqui?    - Bom, eu moro aqui. - disse em um suspiro. - Eu pedi para o David dar um jeito de trazê-la até aqui.    - O que? Mas por que? E como assim vocês moram juntos? Eu nunca te vi por aqui. E olha que eu vinha muito aqui com a Ângela e o Brian.    Hanna olhou para os meninos e voltou seu olhar para a menina assustada e confusa à sua frente.    - Vai ficar tudo bem, eu sei que vai. Vamos ao meu quarto para que possamos conversar.  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -                                                                                  Esmeralda. O quarto da irmã de David que vivia trancado e eu e Angi sempre tivemos vontade de conhecer, finalmente se destrancou. Hanna me guiou pela quarto tão misterioso. Então era assim por dentro. Tinha muitos filtros dos sonhos pendurados no teto e um incenso forte no ar. Uma atmosfera um pouco ritualista que me fazia tremer por inteiro. O que era isso tudo? Era tudo que eu conseguia pensar.  Hanna se ajeitou em um canto, sentada em um puff em forma de caveira mexicana. Ela me lançou um sorriso gentil, me indicando outro puff do outro lado para me sentar.    - Hanna, como você veio parar aqui?   - Meu pai morreu alguns meses depois que você se mudou. Acidente de trabalho. Minha mãe demorou um pouco para se recuperar, eu acho. Mas eu não. Acho que nunca vou superar a perda dele. Pra mim ainda é meio recente. Mas ela... no processo de receber o dinheiro da empresa pela nossa perda, ela acabou se apaixonando pelo dono. Para mim, ela se casou com o responsável pela morte de meu pai. Se ele tivesse feito mais avaliações e manutenções nas máquinas, um contêiner cheio de ferragens não teria caído em cima de meu pai. Nós nem mesmo tivemos o que enterrar.   A menina fungava com a dolorosa lembrança. Eu simplesmente não sabia o que dizer. Aquilo era... h******l de todas as maneiras. Eu nem conseguia imaginar a cena.    - Cerca de dois anos depois, quando eu descobri do romance deles, e devo dizer que tarde demais, eles já tinham até mesmo agendado a data de casamento. Eu não fiquei aqui para ver nada disso. Eu me mudei para a casa de minha avó paterna em Phoenix. Ela me acolheu de braços abertos, enquanto minha mãe se infiltrava nessa casa com Brad e David. Eu não queria conviver com eles, embora minha mãe e minha avó me obrigassem a vir de tempos em tempos para uma visita ou outra. Porém quando eu fiz dezoito anos e disse a mim mesma que não iria mais aceitar isso e decidi que não voltaria mais. Aprendi muitas coisas na casa de minha avó e quando David me ligou desesperado, eu não consegui dizer não, era como se uma força me fizesse querer estar aqui.    Ela abriu seus braços, ironicamente, mostrando o lugar maravilhoso em que ela estava.    - Minha mãe e Brad, pai de David saíram para uma sessão de cinema em uma noite e nunca mais foram vistos. O carro estava estacionado no estacionamento do shopping, assim como o carro de Ângela estava no estacionamento do colégio, após desaparecer. Eu estou aqui há um mês e não consigo dormir muito. Muitas das coisas que fiz para afastá-la não funcionaram muito, então tínhamos que revezar em quem dormiria para o outro ficar de vigia.    - Afastá-la? Quem?    - Você.  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
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