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1054 Words
Pedro narrando Tô desenrolando com o JK lá no Alemão - Pedro entra na sala. - Mas parece que aqueles filhos da p**a querem vir com tudo pra cima de nós. Tô sabendo - respondo, acendendo um baseado. - Não tá fácil não, vamos ter que entrar na briga também. Tu disse que não ia - Ele me olha, desconfiado. Tá difícil não entrar. Se esses p*u no cu de São Paulo querem guerra, é guerra que vão ter. Tudo isso por causa de uma carga? - Ele pergunta. Uma carga que vale muito dinheiro e que roubaram de nós. Não posso deixar de apoiar o JK nisso - respondo, sem hesitar. Ele quer todo mundo no aniversário da cria dele - Pedro diz, mudando de assunto. Aniversário de novo? - olho para ele, surpresa. Os anos passam, irmão - Pedro ri, como se fosse algo óbvio. - Marca dez, vamos chegar juntos. Ele sai da sala e fico ali, fumando, com o computador aberto nas contas dos laranjas. A grana tá entrando pesadíssima, o que tá fazendo os de fora ficarem de olho em tudo. O problema é que, por mais que a gente elimine os x9, sempre vai ter um pra dar a língua. Um e-mail chega. É de um informante da polícia, alguém que sempre foi nosso parceiro. Quando vejo o que ele mandou, não acredito. Artur vai pirar. Imprimo a informação e chamo ele no rádio. Tá onde? - pergunto. Tô saindo de casa, descendo para resolver uns BO - ele responde. Esquece isso, sobe aqui na boca. O tempo fechou para tua irmã. Recebi uma informação aqui - falo, urgente. Tô indo - ele diz e desliga. Fico encarando a foto da Fabiana na minha frente até que Artur entra pela porta. Desenrola aí - ele fala, já entrando e pegando a folha com a informação. Olha o que recebi do nosso informante - entrego o papel para ele. O delegado tá caçando sua irmã com unhas e dentes, por tentativa de assassinato - Artur diz, sério, enquanto se senta. Se ela tivesse matado... - ele começa a dizer, mas eu o interrompo. Mas não matou. Ela só bateu nele com o quê? - pergunto, tentando entender. Um abajur - Artur ri, mas é uma risada sarcástica. - Tu precisa ensinar tua irmã a atirar, cara. Tô falando sério, Artur - digo, sem tirar os olhos dele. O pior é que ele já sabe que ela tá por aqui - Artur fala, preocupado. Não vai demorar muito para eles invadirem, então - respondo, sentindo o peso da situação. Relaxa, vou dar um jeito de tirar ela daqui - ele diz, se levantando. Tá de boa, ela é tua irmã - falo, tentando acalmá-lo. - Não vamos brigar por isso, tamo junto nessa. Valeu, irmão - ele me dá um toque e sai da boca. --- Fabiana narrando Estava com a Taís, levando as crianças para tomar um sorvete. Essas meninas aí, tudo de cara feia - Taís comenta. É sempre assim - respondo, olhando por cima do ombro de Taís e vendo três garotas nos encarando. Quem são? - pergunto. As três putas - Taís fala, sem rodeios. - Dandara, Daiane e Denise. São irmãs. Sempre tem, né? - comento, observando as garotas. - Parece que elas são patrimônio dos morros. Agora elas não estão mais em cima do Artur, mas antes... - Taís começa a rir. - Até que dei uma surra nelas, e o Nem ameaçou cortar o cabelo delas todas. Elas davam e...? - pergunto, sem acreditar. Agora, caem em cima do Nem também. Dandara é praticamente a p**a particular dele. Quase isso. - Taís diz, rindo. - Ela se acha a fiel, mas só quando tá longe dele. Quando tá perto, parece uma c****a no meio das pernas do dono. Ele também deve ser patético - resmungo, sem paciência. Nem é daquele jeito, ignorante até a unha do pé. Ele é de boa com os parceiros, mas quem não conhece ele, ele é o demônio. Até com as crianças ele é tranquilo, mas desconfiado até a alma. Se um dia ele ficar de conversa com você, por causa do teu lance, ignora e deixa assim. Até ele confiar em alguém demora muito. Não imaginei que voltaria aqui um dia - olho ao redor, observando o que mudou. Tu saiu daqui com quantos anos? - Taís pergunta, curiosa. Com 14. Mas até os 14, aprontei muito por aqui. Fugia direto para os bailes - começo a rir, lembrando dos velhos tempos. - O tempo bom que não volta mais. Os bailes estão aí, minha filha. Só a gente se arrumar e ir - Taís diz, rindo. Nem sei se tenho mais disposição para isso. Acho que me sentiria uma velha idosa - falo, brincando, mas com um sorriso no rosto. Gostosa e bonita do jeito que é. Tá na hora de esquecer aquele policial - ela diz baixo. - E viver a vida, menina. Quero de chocolate - Ana diz, puxando minha atenção. Sentamos à mesa enquanto as crianças pegam o sorvete. E tu? Não aprontava? - pergunto para Taís. Que nada. Cresci em uma família religiosa, por isso acho que a gente nunca se viu por aqui. Minha mãe odiava esse lugar, mas foi o único onde ela podia morar. Ela foi embora e eu não fui. Quis ficar com o Artur. Hoje ela não fala direito comigo, mas não ia me separar do Artur. Ele me ama e eu amo ele. Eu sei o que ele faz e que está longe de ser certo para Deus, mas a gente não manda no coração. Eu nunca imaginei ver meu irmão casado e pai de dois filhos - falo, pensando em tudo o que ele me escondeu. - Ele não me disse nada nos enterros, nem de você, nem das crianças. Por segurança. Teu irmão é muito cauteloso quando se trata da família dele. Por isso ele não pensou duas vezes em te ajudar quando você pediu - Taís sorri. - Estou feliz por ele. E muito. Ela me olha e seus olhos brilham ao olhar para as crianças. Os três são tudo para mim, Bibi. Minha família é o que eu tenho de mais precioso - Taís diz, e vejo a emoção em seu olhar.
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