A obsessão

456 Words
Ele não era um homem acostumado a perder. Muito menos a não saber. Mas, pela primeira vez em anos… ele não tinha controle. Dante girava o copo de whisky lentamente entre os dedos, o gelo batendo no vidro enquanto seus olhos permaneciam fixos no nada. Ou melhor… não era no nada. Era nela. Cabelos loiros molhados. Olhos verdes que desafiaram sem medo. A forma como disse “então não para”… Ele fechou os olhos por um segundo. Errado. Aquilo tinha sido um erro. Um erro que ele não conseguia esquecer. — Eu quero saber quem ela é. A voz dele ecoou fria no escritório. O homem à sua frente apenas assentiu, sem fazer perguntas. Ninguém questionava Dante. — Uma noite. Chuva forte. Região sul da cidade. — ele continuou, controlado, mas com algo perigoso escondido por baixo — Ela estava a pé. Eu quero nome, endereço… tudo. — Sim, senhor. A porta se fechou. E o silêncio voltou. Dante passou a mão pela barba, respirando fundo, tentando afastar aquela sensação. Mas não adiantava. Não era só desejo. Era pior. Era interesse. Era necessidade. Ele não lembrava a última vez que alguém tinha mexido com ele daquele jeito… sem esforço. Sem medo. Sem saber quem ele era. — Lorena… — murmurou, o nome saindo baixo, quase possessivo. E naquele instante… ele soube. Aquilo não tinha acabado. Nem de longe. Lorena tentou seguir a vida. Tentou mesmo. Mas era impossível. Ela estava no trabalho, organizando alguns papéis, quando simplesmente… parou. O lápis ficou suspenso no ar. E um sorriso surgiu. Sozinha. Sem perceber. A memória veio como um choque. A chuva. O carro. O olhar dele. O jeito como ele falava… como se cada palavra tivesse peso. Como se ela fosse a única coisa ali. Lorena mordeu levemente o lábio, abaixando o olhar, tentando disfarçar de si mesma. — Que loucura… — sussurrou. Ela não sabia o nome dele. Não sabia quem ele era. Não sabia absolutamente nada. E mesmo assim… lembrava de tudo. Cada detalhe. Cada sensação. Cada segundo. Era como se tivesse sido mais do que uma noite. Como se tivesse sido… algo inacabado. Ela encostou na cadeira, soltando o ar devagar. Um calor leve subiu pelo corpo só de lembrar. E isso a fez rir, balançando a cabeça. — Eu tô ficando maluca… Mas não estava. Aquilo tinha sido real. E parte dela… não queria esquecer. Nem um pouco. --- Naquela noite… Lorena estava deitada, olhando para o teto. O quarto escuro. Silencioso. Mas a mente… barulhenta. Ela virou de lado, abraçando o travesseiro. E sem perceber… sorriu de novo. Um sorriso pequeno. Íntimo. Guardado. — Eu nem sei quem você é… — murmurou baixinho. Do outro lado da cidade… Dante não dormia.
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