Na vida temos que passar por algumas dificuldades para que só assim possamos entender o que realmente acontece. Olhando para a linda e movimentada Quinta Avenida meu coração acelera. Não voltei a ver Levinsk ontem na festa, o que por um lado foi bom, aliás foi ótimo! Coloquei um vestido rosa bebê até nos joelhos, um salto alto e uma bolsa perfeita assentando com meu look do dia. Hoje eu não poderia estar mais que feliz, afinal teremos agora pela manhã uma reunião onde eu poderei dizer o que eu quero. E ver Levisnk novamente. Adrian não quis me acompanhar, o que foi bom por um lado, e r**m pelo outro. Olho para aquela empresa e sinto uma vontade imensa de correr dali, mas como sempre fizera estava mais que na hora de me assumir. Entro pelas portas de vidros blindados, não mudou nada desde que saíra dali, ainda havia aquelas especulações. Só que dessa vez era diferente, eles me olhavam com um ar de respeito e dever.
__ Bem vinda senhora Rachel. – Amaya que a muito tempo não via me saúda.
__ Obrigada. – Digo enquanto entro no elevador. A empresa ainda tem o ar de Levisnks e para falar a verdade eu estava mais é que acostumada com aquele frio na minha barriga. Sério mesmo! Passei pelas salas de correspondências, e segui até a sala da presidência, no caso a sala de Levisnk. Meu coração acelerou assim que eu abri a porta. Raynara estava com as mãos apoiadas nos ombros de Levinsk, ele me encarou todo sem jeito. Estava lindo em um terno preto, em uma gravata vermelha e um par de olhos azuis hipnotizantes. Olhei para os dois e uma fúria me possuiu.
__ Acho que entrei no estabelecimento
errado. – Levinsk me encarou com um certo receio. Raynara fez cara de nojo.
__ Pelo que posso perceber, realmente entrou no lugar errado mesmo. Afinal de contas você se demitiu, então se retire. – Raynara falava como se aquilo não fosse tão claro. Coitada. Dei a volta na sala, deixei minha bolsa sobre o sofá onde recordações me invadiram a mente. Tive um s**o perfeito naquele sofá da empresa, e é claro Levinsk percebeu pois abaixou a cabeça sorrindo fraco e sem graça!
__ Sabe o que acontece Raynara?.- Me aproximei dela pegando em seu braço com certo nojo e tirando de cima dos ombros de Levinsk.
__ É que essa empresa agora é praticamente governada por mim, e eu sou a patroa do Levinsk, e sou eu quem está pedindo neste exato momento para que se retire. – Raynara me encarou com uma sobrancelha arqueada ainda desconfiada. Olhou de relance para minha barriga e seus olhos se arregalaram mais ainda. Ela também estava grávida, e bem mais adiantada que eu.
__ Dominic é verdade ?.- Ela perguntou e bufei.
__ Sim, Rachel é a nova presidenta da Inter. – Ela se virou e me encarou, e logo se retirou da sala. Levinsk apenas me encarou, como se eu fosse alguma coisa indescritível, ou tivesse duas ou mais cabeças.
__ Lamento atrapalhar sua visão, mas não estou aqui para que fique me encarando. Poderia me dizer qual a minha sala?.-Perguntei ainda em dúvida. Senti quando ele se aproximou de mim, e lentamente me afastei, até que estava encurralada em uma parede de concreto e fria. Ele lentamente retirou uma mexa do meu cabelo do rosto e disse com aquele hálito cheirando a menta perto de mim.
__ Seu cheiro. – ele colocou uma mão em meu pescoço e minhas pernas fraquejaram. Eu sabia que era forte, mas tê-lo ali tão próximo após dois meses era muita coisa para minha pessoa. Com toda força do mundo o empurrei, e sai de perto dele.
__ Nunca mais toque em mim. – Ele me encarou calado.
__ Pare, você não pode estar falando sério.
– Ele se virou e foi até sua cadeira, onde se sentou.
__ Levinsk eu vim aqui para ter assunto sobre a empresa, me desculpe se não posso te dar mais nada que isso. – Eu não sabia, mas o perfume dele estava me deixando tonta, estava me fazendo deseja-lo. Mas eu também sabia que aquele olhar piedoso ainda duvidara de mim, e muito.
__ Assim que você acha que vai se livrar de mim?.- Ele grita me assustando. Se levanta e vem até mim nervoso. Sinto minhas pernas fraquejarem, mas sinto seus braços ao meu redor.
__ p***a eu tô com saudade de você. – Como ele poderia ser tão i****a? Como ainda não percebera minha indiferença?
__ Me solta agora Levinsk. -Ele me soltou e me encarou.
__ Seja menos i****a, e tire a idéia de que eu terei a inteligência de te perdoar, é mais fácil assim. Te aguardo na sala de reunião. – Digo pegando minha bolsa e saindo daquela sala. Eu não sabia por que, mas ele estava me causando uma certa dor no peito, ter ele tão próximo de mim, me lembrava coisas do passado que eu faria de tudo para não lembrar. Mas que eram impossíveis ser esquecidas também!
Caminho até a sala de reunião e logo encontro com várias pessoas conhecidas já me encarando surpresas. Olhei para aquela sala e vi sentado em uma cadeira afastada o avô de Levisnk, o qual me estendeu um sorriso angelical.
__ Bom dia senhores, fico muito feliz em poder fazer parte desse projeto e ter a Inter como uma filial. – Vejo de relance quando Levisnk entra na sala abatido e com a cabeça abaixada.
__ Vamos iniciar. – Dizendo isso começo a reunião. Deixo especificado que tenho como parte da empresa 65% e quero respeito de todos, não atolerarei atrasos, nem mesmo fofocas. Namoro na empresa é proibido, de forma que quase todos aceitaram calados. Termino a reunião em menos de uma hora e todos são liberados. Pego minha bolsa e Eduardo se aproxima, Levinsk ainda não saiu da sala, esta conversando com Breno, um homem no qual ele contratou.
__ Qual dia irá voltar?.- Eduardo estava formalmente vestido. Colocou um terno cinza no qual destacou bastante.
__ Devo voltar amanhã. Hoje tenho algumas coisas para resolver Eduardo. – Digo e percebo o olhar de Levinsk em mim.
__ Quer que eu espere?. – Pergunta
__ Não. Pode voltar, amanhã embarco. Vou resolver algumas coisas hoje por aqui pessoal, não precisa ficar. Tire o restante da semana de férias. -Digo pegando minha bolsa e saio da sala, deixando Levinsk para trás. Eduardo se despediu de mim, e em frações de segundos já estava fora da empresa. A rua estava mais movimentada que o normal, e eu pude estranhar o por que. Assim que coloco meu pé na calçada um carro passa acelerado em alta velocidade, sinto apenas ser puxada e um perfume conhecido ser sentido. Ainda me recompondo do susto, e do quase acidente escuto aquela voz.
__ Você está bem?.- Eu tinha que sair daqueles braços, precisava sair daquele aperto o mais rápido possível. Olhei para aquelas duas safiras e com toda força me equilibrei em meu salto.
__ Estou bem. -Digo olhando para Levisnk.
__ Tome mais cuidado ao atravessar. – Dizendo isso ele me solta e se vai em meio a multidão. Pego meu celular e ligo para a única pessoa que surtaria ao saber que eu estou rica, em Nova Yotk e por cima de tudo, com a notícia do meu bebê ser menina.
__ Fala v***a. – Ela e seu modo gentil de atender minhas ligações.
__ Poderia me chamar de donzela. – Brinco.
__ Você não tem a b***a virada para lua. – Brincou mais ainda.
__ Quem disse? Adivinha onde estou e quem herdou a herança de Frender?.- Pergunto olhando para uma vitrine de roupas de bebê.
__ Não. Diga-me que não foi você, ou terei enfim um ataque epiléptico. – Gargalho e assusto uma moça que passava com sua boa aparência. Eu causo esse efeito nas pessoas, assusto!
__ Isso mesmo. Eu sou a nova e mais renomada e querida Rache Withers dona da herança deixada por Frender. – Ela suspira e xinga baixinho.
__ Por que eu não fui no seu lugar?.- pergunta.
__ Você faz ideia do que é ser criança, e ter que ver seu irmão colocar um prego embaixo do chinelo por que não queria que jogasse fora, pois insistia em dizer que estava velho?.- Eu sorrio mais ainda. Eu não tive a época de aproveitar essa do chinelo, mas passei por algumas coisas parecidas. Por exemplo colocar bom brill na antena. Sim,eu passei por isso, mas bem nova mesmo.
__ Mas eu estou feliz por você. Você merece, só estou muito zangada por você não ter me ligado para comemorar. – Eu entendia o ponto de vista dela, e entenderia também o seu nervosismo.
__ Agora onde está?.- Pergunta mascando seu chiclete.
__ De frente uma loja de bebê aqui na Quinta Avenida esperando o momento em que você pergunte qual o s**o do bebê. – Ela suspiro.
__ Sua vaca, esta fazendo tudo sem mim. Agora fala, qual é a criança?.-pergunta sorrindo.
__ É uma menina. – Escuto ela dar um yes.
__ Vou ensina-la a pegar os boys.
__ Está louca? Óbvio que ela nem chegará perto de você. – Ela pareceu magoada e logo desconverso.
__ Por muito tempo. -Ela sorriu. Marcamos de nos encontrarmos mais tarde no Pub’s onde íamos frequentemente meses atrás. Olho para aquela loja e antes de me atrasar, entro. A recepcionista me encara sorrindo, e antes que fale qualquer coisa já peço.
__ Por favor pegue os conjuntos de saída de hospital mais lindos que tiver. – Ela sorri e sai a procura. Escolho dois pares de sapatinhos rosa bebê com pérolas é perfeito. Ela volta com o conjunto e é complicado escolher somente um. Vejo quando do outro lado da rua, Levinsk me observa. Antes que eu possa me esconder ele atravessa todo poderoso como sempre. Parece que ficou mais lindo, mais sexy e muito mais excitante. Mas é o mesmo covarde. Ele entra na loja, chamando a atenção das atendentes e clientes.
__ Olha o que encontrei. – Sorri olhando para o conjunto. Não respondo, observo um enorme manto na parte lateral do balcão e minha curiosidade aumenta.
__ Poderia pegar aquele manto?.- Pergunto apontando para o rosa manto camuflado. É lindo, ele é de um material fofo e quente. Tem as laterais branco, com um desenho de uma rosa vermelha, perfeito. É deslumbrante.
__ Qual escolheu?. – Levinsk que apenas observava me pergunta pegando os conjuntos.
__ Ainda estou em dúvida. -Ele olha para o conjunto rosinha e o vermelho. Era os dois lindo, apesar de ser ainda assim, bastante fofo.
__ Leva os dois. – Ele estava escolhendo o conjunto de nosso filho, meus olhos se enchem de lágrimas. Mas logo trato de limpa-las. Como ele poderia ter sido tão covarde? Custava o que ele ser uma boa pessoa?
__ Poderia embalar por favor tudo em papéis de presentes?.- Ele entrega tudo para a atendente.
__ Claro senhor. – Ela sai com todas as compras sumindo.
__ O que esta fazendo?.-Pergunto incrédula.
__ Eu não posso comprar um presente para sua filha?.- Sua boca se contorce. Eu odiava ter que ter ele ali tão perto de mim. Odiava ter que suportar aquele olhar ainda misterioso.
__ Pior que não. – Ele abaixa a cabeça.
__ Você deveria... – a atendente volta me entregando as sacolas enormes, que Levinsk faz a obra de pegar na minha frente. Entrega seu cartão de crédito e ela sorri ao perceber o nome.
__ Poderia me entregar minhas compras?.- Ele discorda.
__ Almoça comigo. – Olho estupefata para ele. Como poderia ser tão i****a em me pedir isso?
__ Não. -Digo por algum motivo. Eu queria poder saber o que ele tinha para falar, mas adiantaria alguma coisa? Não! Não adiantaria nada.
__ É só um almoço. – Eu sabia que ele queria conversar comigo sobre alguma coisa, mas não queria escuta-lo. Queria distância. Sim, distância.
__ Prometo não tocar no assunto sobre nós. – De onde ele tirou o “nós”?
__ Ta bem. – p***a eu concordei? Só posso estar doente.
__ Boa escolha. – Ele gesticulou com a mão sorrindo.
Dizer que eu estava apreensiva era pouco, tá eu admito! Sair com ele para um almoço poderia acarretar uma série de problemas, entre eles, Levinsk achar que quero alguma coisa com ele, oque não quero. Ele abriu a porta do carro, e meio receosa entrei. Estava impregnado de seu perfume, ele coloca as sacolas no banco traseiro e se senta em seu banco de motorista. Estava mais lindo, os músculos de seu corpo ainda estavam mais estendidos, ou era eu que estaba inventando? Forcei um sorriso enquanto ele saia daquela garagem da empresa. Estar com ele ali era um problema, o qual eu não queria correr o risco, de ter que atolerar.
O caminho todo fomos em silencio, estava constrangedor aquele silêncio, mas não me daria por vencida. Ele assim que parou no sinal olhou para mim e rezei em pensamento para que, nenhuma pergunta i****a saísse daqueles lábios que eu tanto odiava.
__ Como esta sendo sua vida após essa sua herança?.- Como ele sabia da herança? E por qual motivo ele estava querendo saber? Suspirei para não dar uma resposta m*l criada, afinal de contas, ele só fez uma pergunta normal.
__ Está sendo equilibrada. Maik tem me ajudado muito. – Ele arqueou uma sobrancelha e logo a pergunta que eu queria que viesse veio a tona.
__ Quem é Maik?. Pergunta
__ Não desrespeito a você. – Ele concordou, mas um sorriso bobo veio a tona.
__ Tá certa. – dá partida no carro e logo estamos de frente o restaurante. Descemos e vi quando ele estendeu as mãos, não peguei, sai andando na frente rebolando meus quadris já inchados por causa da gravidez. Mas senti sua risada ao longe.
O restaurante tinha um movimento grande, onde teria que me acostumar com aquela enorme multidão. Olhei para uma mesa vazia e fui caminhando até ela, olhando para todo o caminho.
__ Não tinha um vestido menos decotado que esse?.- Pergunta Levisnk chegando por trás de mim.
__ Nem percebi que esse estava muito decotado. – vi um homem bem novo e trajado ao meu lado e percebi o olhar incrédulo de Levinsk.
__ Com licença, sabe me dizer se esse vestido está f**o?.- perguntei dando uma voltinha na frente daqueles três homens de ternos, que quase engasgaram.
__ Não senhora. Está linda, um homem de cabelos grisalhos me respondeu.
__ Se tiver solteira, eu aceito o contato. – Vejo o olhar de Levisnk no homem que me pediu o contato. Ele puxa meu braço e logo me leva para fora daquele lugar.
__ O que acha que esta fazendo?.- pergunto soltando meu braço.
__ Você não tem o direito de fazer aquilo. -Aponta para dentro do restaurante, os homens ainda me olham meio curiosos.
__ Eu não te devo nada. – Digo sorrindo.
__ Você só pode estar brincando comigo Rachel. – Paro bruscamente. Um frio passa por toda minha cintura, lá estava ele. Com aquela camisa preta de manga, com uma calça preta moleton, e com um óculos. Eu reconheceria ele a mil metros de distância, saberia exatamente quem era aquele covarde. Olhei para Levinsk me apoiando em suas mãos. Ele continuou do outro lado da rua parado me encarando de braços cruzados.
__ Você está bem?. – Perguntou Levisnk me segurando.
__ Você está pálida. – Eu não deveria ter tanto medo dele, mas vê-lo ali, tão próximo meu coração acelerou. Ele poderia fazer qualquer coisa comigo, estava inconsciente.
__ Me tira daqui. – Pedi a Levisnk assim que ele ameaçou a atravessar a rua, mas o sinal foi aberto, e eu simplesmente tive tempo de chegar ao carro e sumir dali. Não queria ajuda de Levisnk, mas ter ele ali para me ajudar, foi por mero acaso. Não iria ser orgulhosa, estava fraca, minhas pernas fraquejaram. Ele não mudara nada, estava com os cabelos mais loiros. Estava com uma barba irreconhecível, mas para mim ele estava sendo o mesmo. O qual me ameaçou, o qual ameaçou a Levinsk. Olhei para trás e Levinsk logo o encarou também. Ele deu um tchau para mim, mas senti algo a mais naquele tchau. Tipo um juramento, um início, um único motivo para ir. Assim que Levisnk dobrou a esquina saindo de perto dele, sua pergunta me atingiu.
__ Quem era ele?.-Perguntou aflito.
__ Quem era aquele homem de blusa preta, que fez você ficar assim Rachel?.- Perguntou muito estressado. Ele estava apertando seus dedos no volante, fazendo os nos dos dedos, ficarem até brancos de tanta força.
__ Era ele Levinsk. – Ele pareceu não entender nada. Mas eu estava muito fraca para não aceitar sua ajuda, deixaria o egoísmo de lado pelo ou menos por hoje. Eu aceitaria a ajuda dele por hoje, não tinha nem mesmo coragem de sair daquele lugar sozinha. E agradeci a Deus e a Levisnk por ter me tirado de lá.
___ Ele quem Rachel? Quem era aquele filho da p**a?.- gritou.
__ Era Gael. – Ele freou o carro bruscamente e xingou. Um misto de medo, e de lembranças do passado me veio a tona. Mas eu não me preocuparia mais, afinal agora não era só eu, agora ele sabia que eu estava grávida de outro homem, e eu não sabia por que, só sabia que aquilo não iria acabar nada bem. Afinal se tratava de Gael, e dele eu esperava sempre o pior.