A noite estava maravilhosa pude conhecer um pouco de tudo que foi me negado por anos e estou feliz, sei que muitas coisas ainda não sei e talvez não goste do que estar por vir, mas quero aproveitar essa felicidade que me resta antes do casamento, seja com quem for, o meu quarto é maravilhoso, com um luxo e simplicidade confortável, parece que sempre me pertenceu, Madalena disse que era da minha mãe e isso me confunde, o porquê da minha mãe ter um quarto aqui? - Agora prefiro dormir e aproveitar essa cama maravilhosaaaa!
O silêncio do convento era um abraço familiar, um manto que me acompanhava desde a infância. Eu caminhava lentamente pelos corredores frios, os azulejos brancos refletindo a luz fraca das velas que tremeluziam, lançando sombras dançantes nas paredes antigas. O aroma delicado do incenso misturava-se ao cheiro de livros velhos e flores do jardim, meu refúgio secreto.
Na pequena cela, a irmã Ginevra me aguardava, sentada ao lado da janela aberta, onde um leve vento fazia os cortinados esvoaçarem como pétalas. A mulher, de cabelos grisalhos presos num coque, tinha olhos que carregavam a ternura de mil orações e a força de quem enfrentou tempestades invisíveis. Sempre a chamei de mãe quando estávamos a sós, embora nunca tivesse ouvido aquelas palavras além das paredes do convento.
— Margarida, minha filha — disse a irmã, estendendo as mãos enrugadas. — Sei que estás assustada, mas lembra: o medo é apenas uma sombra. E mesmo na escuridão, nunca estás sozinha. _ deixei as lágrimas escorrerem, as mãos trêmulas buscando o calor das da irmã. era como se, naquele instante, todo o mundo lá fora fosse uma ameaça distante, um lugar onde as vozes eram cortantes e os olhares, afiados.
— E se eu me perder? — sua voz saiu num sussurro frágil. — Se eu não encontrar quem sou sem este lugar? Sem você? _ disse com uma tristeza tomando conta do meu coração. A irmã apertou meus dedos, firme.
— Encontrarás, sim, tens dentro de ti uma margarida, pequena, frágil talvez, mas resistente. Floresce mesmo onde a sombra insiste em ficar. _ disse ela me confortando.
Margarida puxou do bolso um pequeno relicário, herança de sua mãe, com uma margarida gravada na tampa. Fechou os olhos e apertou-o contra o peito, prometendo a si mesma que lutaria para não murchar. A caminhada até a porta principal parecia um rito de passagem. Cada passo era um adeus não dito, uma promessa silenciosa de que o futuro seria doloroso, mas talvez, por fim, libertador.
O portão antigo rangeu ao se abrir, e o mundo lá fora se revelou com sua luz intensa e sons estranhos. Margarida sentiu o peito apertar — o ar fresco parecia pesado, como se carregasse segredos e perigos invisíveis.
Ao seu lado, os passos firmes do homem que a esperava no carro n***o a faziam estremecer. Arturo Garcia. Nome sussurrado com respeito e medo nas ruas de Felicídia. A figura imponente, a expressão dura, como uma muralha intransponível.
Olhei para ele, buscando alguma fagulha de humanidade naquele rosto austero, mas viu apenas a sombra do passado que ele carregava.
— Margarida — sua voz era grave, quase um comando. — Vamos.
Engoli o medo, aprendi a esconder as lágrimas desde criança. Sabia que naquele instante não podia mais ser a menina protegida pelo convento, nem a flor presa em um vaso seguro. Precisava ser forte, mesmo que o coração gritasse por liberdade.
Acordei ofegante enquanto a intensidade e a força daquele olhar ainda queimavam em mim, não sei como um sonho pode ser tão real, mas me sentia apavorada. Os dias se passavam velozmente e me afastava cada vez de um mundo que conhecia tão bem, me levando para um mundo onde as correntes não eram feitas de ferro, mas de silêncio, ameaças e silêncio, fechei os olhos e repeti para mim mesma: “Sou uma margarida. Mesmo na sombra, posso florescer.”
Me levantei mais forte naquela manhã, esses dias que se passaram não quis abordar sobre as dúvidas que pairam em minha mente, decidi aproveitar essa normalidade que todos tentam viver entre as paredes dessa mansão, sei que não ficarei aqui por muito tempo por isso decidi encarar de frente de uma vez.
- Aí está você minha linda flor. _ diz vovô Marta me saudando assim que chegou para o café da manhã, onde estão quase todos reunidos.
- Bom dia a todos, estava com saudades de mim vovó? saúdo a todos , logo após me sentei ao seu lado e a abraçando.
- Também minha querida, estava comentando com Madalena, como você está se habituando bem e acredito que está na hora de voltar para minha casinha. _ diz ela carinhosa.
- Ah não vovó, pensei que só iria após meu casamento. _ digo um pouco triste, ela me passa tanta segurança.
- Não se preocupe minha filha, moro aqui perto, uma hora ou menos de carro, preciso ver como estão as coisas em minhas terras. - diz ela sorrindo.
- Tudo bem, mas precisamos conversar sobre umas coisas, preciso saber. _ digo só para ela .
- Está bem-querida, vou te contar tudo, vamos aproveitar esse café da manhã que Madalena nos preparou com tanto amor, prove esse bolo, Cecília trouxe essa receita de uma viagem que ela fez ao Brasil. - diz ela me servindo.
- Nossa! Delicioso. _ digo me surpreendendo com o sabor, no convento não desfrutamos de coisas assim, seguimos o café, Cecília me conta sobre a sua lua de mel com Hernandez no Brasil, enquanto ajuda os gêmeos a se alimentar, meus irmãos estão em reunião com alguém, pelo que entendi a pessoa chegou antes deles começarem o dejejum, parece algo importante.
- Seu noivo está aí, chegou essa manhã exigindo ser atendido por Hernandez. _ diz Carmen chamando a minha atenção, quase cochichando.
- Será que ele veio me ver? _ perguntei ficando nervosa, automaticamente me lembrando do sonho.
- Isso com certeza, Andrés me disse que já era para eles terem se reunidos a dias, mas eles querem te dar tempo. _ ela diz e fico emocionada pelo carinho dos meus irmãos.
- Fico feliz por eles pensarem em mim assim, confesso que esses dias junto a vocês tem sido os melhores da minha vida, sempre quis uma família. _ digo emocionada.
- Você sempre nos terá, querida, mesmo que se case amanhã. - diz Madalena tocando em minhas mãos, ouvimos as vozes elevadas dos homens e ficamos alarmadas olhando em direção ao corredor.
- Não se assuste, Margarida, tudo se resolverá, termine seu café. _ diz vovó Marta, mas não consigo comer mais nada, estou ansiosa para vê-lo