Arturo Garcia
Ser feito de i****a é uma das coisas que mais odeio, sei que a minha noiva já está naquela maldita fazenda e Hernandez tem me colocado em espera como se fosse um menino, nessa merda quem tem todos os direitos sou eu, um dia após o outro tem negado a maldita reunião, não aguento mais esperar.
- Nossa! Filho, você anda tão m*l-humorado, o que está acontecendo? _ pergunta a minha mãe preocupada.
- Os problemas de sempre, mãe. _ digo tentando tranquilizá-la.
- O novo chefe com certeza está a colocar o garoto de molho, Graça, aquele desgraçado é igual a Martin, calculista e frio. _ diz meu pai dando de ombros tomando o seu café.
- Não o irrite Wagner, Arturo sabe lidar com os negócios muito bem. _ diz a minha mãe me defendendo.
- Sabe ser feito de trouxa isso, sim, ele ainda não se casou, o prazo já passou, Arturo vá lá e diga aquele açougueiro que quer a sua noiva, os 80% dos lucros daquela fazenda assim como a posse dela. _ diz ele ficando irritado.
- Esses são os termos do contrato?
- Não seu i****a, esse apenas são alguns dos termos que nos beneficia, agora vá naquela maldita fazenda e exija esse casamento, antes que o prazo acabe. _ diz ele gritando.
- Espera aí, você faz um contrato desses e ainda tem prazo para se cumprir, me explique melhor isso pai. _ Digo exasperado.
- Eu não sei garoto, aquele desgraçado do Martin colocou os seus próprios termos é claro, não pude ler todo o contrato, pelo que pude ver em muito nos beneficia, afinal não tínhamos certeza se ela sobreviveria até o casamento. _ diz um pouco sem graça.
- Onde está esse contrato pai? já era para o senhor ter me entregado a anos. _ perguntei nervoso.
- O contrato completo está no cofre do Martin é claro, ele nunca teria me entregado, por isso fiz questão de espalhar aos quatro ventos e termos em mão um contrato de casamento com os Santiago. _ diz irritado.
- Pai, somos advogados e sabemos que esse tipo de contrato não tem validade legal, a não ser a palavra dentro do cartel, se Hernández não quiser me casar com ela e cumprir tudo que diz o contrato não tenho como pressioná-lo. _ digo ainda mais nervoso, não sei como deixei isso passar.
- Claro que tem validade rapaz, a nossa palavra é lei e ainda que Martin não esteja mais entre nós, a palavra dele deve ser cumprida e Hernandez sabe disse, já disse vá exigir a p***a desse casamento. _ grita se levantando tentando impor a sua autoridade.
- Não se exalte Wagner, tenha calma, tome um pouco de chocolate quente. _ diz a minha mãe o puxando de volta para sua poltrona.
- Esse garoto, só porque estou velho quer me tratar como se eu fosse uma criança, Graça, ver se pode uma coisa dessa. _ diz se fazendo de vítima.
- Vou resolver isso. _ digo saindo de casa, encontrando Emílio no caminho, ele não diz nada, pois sabe qual tem sido meu itinerário nesses últimos dias, entrando no carro fomos, diretamente para fazenda dos Santiago, pensando em tudo que conversei com meu pai e sei que devo agir com cautela.
- Cara, hoje você está mais irritado que o normal. O que aconteceu? _ perguntou Emílio, com certeza assustado com a velocidade que estou dirigindo.
- Seu pai, aconteceu, essa mania terrível que ele tem de ficar são quando ele bem entende, está me tirando do sério, é isso. _ digo irritado fazendo uma curva cantando pneu no asfalto.
- Calma cara, quero viver para domar uma baixinha petulante, mas me conte o que velho soltou agora? _ perguntou rindo, tudo ele acha graça.
- Vai rindo Emilio, essa semana vou resolver a p***a do seu contrato com o pai da sua baixinha e quando eu te mandar os termos dela, quero ver você rir. _ dig irritado parando em frente ao portal da fazenda.
- Cara, não brinca assim comigo, diz ai o que aquela família louca mandou para você. _ diz com os olhos arregalados descendo do carro atrás de mim.
- Diga ao chefe que Arturo Garcia está aqui e só vou embora após ser atendido. _ digo para um dos soldados que faz a segurança no portão.
- Arturo por favor, não me deixe nervoso, cara, aquela baixinha deixou claro que esse casamento não será fácil para mim. _ suplicou Emilio parado ao meu lado.
- Pode entrar, senhor, o chefe já o esperava. _ diz o soldado na guarita, sugestivo, a minha vinda frequente aqui e as recusas do chefe já deve ser comentada.
- Depois te conto tudo Emilio, agora a minha mente está focada em resolver o meu problema, o mais rápido possível. _ digo entrando no carro e ele me segue sem dizer nada. Vamos diretamente para frente da mansão, gostaria muito de ver a minha noiva, mas antes de parar o carro vejo Pedro Morales, o conselheiro do cartel.
- Bom dia, venham comigo. _ diz Pedro assim que chegamos até ele.
- Bom dia, Pedro, por favor, antes dessa reunião gostaria de falar com a Margarida. _ digo quase suplicante, mas ele não para.
- Ela ainda está dormindo, as mulheres dessa família não são como nós, Arturo, que cedo já está a incomodar os outros. _ diz sem olhar para mim, mas ácido como sempre.
- Shiiii! Que corte hein, está a andar demais com o açougueiro, conselheiro. _ diz Emílio assobiando.
- Não estou aqui para gracinhas Emilio, muito oportuno a sua presença, você está na minha lista para esse dia. _ diz ele mais afiado que um machado.
- Calma cara, vamos resolver os assuntos de Arturo, primeiro. _ diz Emílio um pouco assustado tentando se livrar das consequências dos seus atos.
- Quando chegar a sua vez, quero ver se fará piadinhas. _ respondeu Pedro abrindo a porta do escritório, onde o próprio açougueiro estava sentado com cara de poucos amigos nos esperando.