Estou sentada no carro ao lado de um cara que acabei de conhecer, eu não estava acreditando que estava novamente confiando em um homem bonito, só por ele ter sido minimamente gentil.
— Você está decidindo se vale a pena pular? - perguntou com um sorriso no rosto.
— Quase isso. - respondi também sorrindo da idéia.
— Se você quiser nós podemos parar aí você desce. - disse sendo mais sério.
— Desculpe, é que já havia prometido para mim mesmo que não faria isso nunca mais. - fui sincera.
— Prometido o que exatamente? - questionou sustentando o meu olhar.
Ele me olhava de um jeito tão intenso que eu acabei não segurando e mudei para as minhas mãos estavam em meu colo.
— Não confiar mais em nenhum, num entanto estou dentro de um carro com um que não conheço, indo para um lugar que também não conheço. - sorri.
— Bom, o lugar é este, e eu você pode conhecer agora se quiser. - disse.
Olhei para o lado de fora pela janela e vi uma fachada enorme com tons escuros, visivelmente era um bar masculino.
Antônio saiu e rodeou o carro e veio abrir a minha porta, eu realmente não esperava por isso, não hoje em dia.
— Que cavalheiro. - disse sorrindo.
— Sempre. Agora vamos beber nosso whisky. - disse.
Quando entramos ele nos levou para uma mesa que já nos aguardava, em um canto mais discreto do bar.
O lugar era aconchegante e respirava masculinidade, a decoração mais dark, com tons de preto e vermelho.
Quando sentamos, Antônio fez um gesto com a mão e imediatamente um homem veio nos atender, ele pediu a garrafa inteira de whisky, e começamos a conversar despretensiosamente. Antônio é um homem jovem, pelo menos ele aparenta ser bem jovem, mas tem uma conversa boa, um jeito diferente dos outros que já conheci.
— Então vai me contar porque estava chorando em uma praça? - questionou.
Eu tomei mais uma dose, pra ter coragem de falar.
— Bom, em resumo eu me recusei a t*****r com meu chefe e ele me demitiu, e ainda acabou com a minha imagem em todos os locais decentes para se trabalhar. - disse. E o vi ficar sério.
— Quem é esse babaca? - questionou sério.
— Não se preocupe, já acabou. Eu estou feliz de ficar livre dele. Só não sei como vou conseguir pagar o meu apartamento e a minha faculdade. - falei e tomei mais uma dose.
Nós conversamos durante horas, coisas completamente aleatórias, era como se fossemos amigos há muito tempo, entre nós a conversa fluir naturalmente.
— Você mora aqui há muito tempo? - perguntei. Ele respirou fundo e depois engoliu seco antes de responder.
— Eu nasci aqui, e vivi até os meus 16 anos nesta cidade, mas fui embora há 3 anos e só estou voltando agora. - respondeu com um pesar na voz.
— O que ouve? - perguntei.
— Bom, em resumo, meus pais foram assassinados e eu fui o único sobrevivente disso, meu irmão estava fora da cidade na época. Aí eu não consegui mais viver aqui e nem ele quis me ver por perto. - disse baixando a cabeça.
Eu senti a dor nas palavras que ele disse, eu me vi no lugar do sofrimento dele. Soltei meu copo e me aproximei dele o puxando para um abraço. No começo ele estranhou, mas depois aceitou o abraço de bom grado e circulou os seus braços também ao meu redor.
— Eu perdi meus pais, e as únicas coisas que guardo deles são as cicatrizes que trago no corpo. Mesmo eles sendo os piores, ainda não queria que tivessem morrido. - sussurrei em seu ouvido.
Antônio me puxou mais para si, e eu não recusei, depois de tanto tempo era bom ter um abraço de alguém verdadeiro.
Era estranho o jeito como me sentia com ele, eu confiava nele, confiava e um cara que só conhecia algumas horas. Nossos olhares se cruzaram e se mantiveram por alguns segundos que pareceram minutos, até que meu celular tocou. No visor tinha o nome de Camilly.
LIGAÇÃO ON
— Alô.
— Onde você está?
— eu estou num bar, comemorando que não consegui nenhum emprego com um amigo.
— Você perdeu o juízo Cecília? Me diga o nome desse bar agora que eu vou te buscar.
— Não se preocupa Camile, eu estou segura.
amanhã nós conversamos eu te conto o fiasco que foi essa semana para mim.
— Cecília, eu quero que você se cuide, qualquer coisa me liga tá bom. se você diz que está segura eu acredito, até amanhã.
LIGAÇÃO OFF
Coloquei o telefone de volta na mesa e olhei para ele que estava me encarando.
— O namorado preocupado? - perguntou.
— Boa tentativa, mas eu não tenho namorado. Era só uma amiga muito fiel preocupada comigo. Já que você me perguntou também tenho direito de perguntar. Porque em vez de estar com uma mulher, você está aqui como a quase desabrigadas? - questionei enchendo meu copo.
— Mas eu estou com uma mulher, e muito linda. - disse com um sorriso.
— Estou falando de namorada. - insisto.
— Eu não me dou bem com as mulheres. Elas geralmente me acham muito estranho e complicado. - falou me parecendo triste.
— Você não é estranho, quer dizer não de um feito r**m. Eu gosto. - disse já me sentindo solta.
— Acho que já bebemos muito. Vou te levar pra casa. - falou. Eu não queria ir pra casa, queria ficar ali com ele.
— Eu não quero voltar, até porque só tenho onde morar até o final da semana. - disse.
— Tudo bem, bebemos mais um pouco e depois você pode ir para o hotel em que me hospedei. - falou com naturalidade.
— Hum, então você quer t*****r comigo. - afirmei o pegando de surpresa e o assustando.
— É claro que não. - disse.
— Nossa essa doeu. - me fiz de ofendida.
— Eu não quis dizer isso, é claro que eu adoraria, você é uma mulher incrível. Mas não foi essa a minha intenção eu só quero ajudar. - falou.
De onde esse cara tinha saído? Porque ele era tão doce, educado, gentil e confiável? Isso com certeza devia ser uma pegadinha para mim, eu nunca tinha achado nada tão fácil na minha vida e essa com certeza também não seria.
— Você existe mesmo? - perguntei incrédula.
— Acho que sim. - respondeu com o sorriso de molhar camisinhas.
Foram muitas horas de conversas triviais, agora eu queria saber mais sobre ele antes que a bebida tirasse completamente o meu discernimento.
— Então, nós conversamos a horas e ainda não me disse muito sobre você, me conta. - pedi.
— Não tem muito o que dizer, eu sou o mais novo da família, meu irmão ficou com a administração da família e dos negócios, e eu com os estudos e longe dele. - falou. — Nós éramos muito amigos mas acho que depois o ocorrido com nossos pais ele me culpou de algum modo, me afastou completamente, me mandando para um internato do outro lado do mundo. Agora está tentando controlar a minha vida, ele acha que vou ser um soldado, que vai me controlar como faz com a máfia. - disse.
Antônio acabou não notando o que tinha acabado de me falar, ele não tinha notado que tinha dito que era da máfia, e eu não estava acreditando que um cara como ele era irmão de um chefe da máfia. E eu também não diria que percebi que ele tinha dito, segundo Camille é melhor não comentar e não saber sobre essas coisas, e isso também não me assustava porque eu já estava com uma cota de mafiosos na minha vida.
— Estudou em um internato? - questionei mudando o foco do assunto.
— Sim, 3 anos preso naquele lugar, sem visitas e sem saídas. - falou com mágoa.
Eu parei por um momento e o encarei, ele me parecia triste quando falava de seu irmão, e eu me sentia triste junto com ele, é um sentimento que não consigo explicar uma cumplicidade que nunca senti com outra pessoa, ou talvez seja a bebida que estava fazendo isso comigo.
— Eu nunca tinha falado tanto sobre mim, você é uma boa ouvinte. - ele sorriu para mim enquanto falava.
— As vezes é mais fácil se abrir com quem você não conhece. - sugeri.
— Não, não é isso, é você que é diferente, foi você que me passou confiança para poder me abrir, e obrigado por isso. Mas acho que tá na hora da gente ir embora, eu tô ficando muito bêbado. - falou sorrindo mais abertamente.
Eu não podia dizer o mesmo depois de tanta desilusão na minha vida, eu acabei perita em beber e não me embriagar, mas se ele precisava ir já era a minha deixa, iria com ele até o hotel e depois pegaria um busão para voltar para casa. Ele não estava bêbado, porém levemente embriagado.
Depois dele pagar a conta no bar, ou melhor o motorista pagar a conta, ele se abraçou em mim e foi assim até o carro. A viagem inteira foi muito engraçada, Antônio contava inúmeras piadas, a maioria delas muito ruins, mas que me faziam rir de qualquer jeito.
Quando chegamos ao hotel eu o segurei de novo e o motorista que eu acho que na verdade é um segurança/espião do irmão nos levou até o quarto e só não me tirou porque ele não deixou.
— Eu vou tomar um banho, quer ir? - perguntou. — Ou se quiser o brutamontes pode ir te deixar em casa. - disse rindo quando se referiu ao motorista.
— Posso estar tomando uma decisão errada de novo, mas quero ficar aqui, com você. - fui sincera.
Eu vi seu sorriso se alargar mais, então ele começou a tirar a roupa para tomar banho.
Minha nossa senhora da bicicletinha, que homem lindo da p***a, que corpo é aquele, foi até difícil respirar.
— Você pode usar uma camisa minha pra tomar banho se quiser. - disse vendo minha dúvida. — Aquela mala ali.
Ele foi até o banheiro e eu fiquei para decidir se ou não, já que eu estava na chuva era para mim molhar, fui até a mala e tirei uma camisa a jogando na cama, em seguida tirei a minha roupa e a vesti.
Quando cheguei no box eu pude ter uma vista fabulosa de Antônio, ele vestia apenas a box, costas largas, alto, cheio de músculos, diversas tatuagens espalhadas e algumas cicatrizes que me chamaram a atenção.
Entrei no chuveiro e toquei suas costas onde tinha a cicatriz mais visível. Ele automaticamente se sentiu obrigado a contar.
— Acabei levando uma facada em uma briga, só porque defendi um moleque. - disse e se virou pra mim.
— Você passou por isso sozinho? - perguntei tocando seu rosto.
— Desde os 16 que sou sozinho. - respondeu e depois me beijou.
E eu gostei do beijo, gostei de ter confiado no estranho e estava gostando de estar ali, ele é diferente e algo me dava essa