Na manhã seguinte, a luz entra suave pelas janelas altas da mansão. Henrique acorda mais tarde do que o habitual. A madrugada cobrou seu preço. Ele passa a mão pelo rosto, ainda lembrando do som da voz dela dizendo seu nome. Henrique. Desce as escadas com passos tranquilos, ajustando os punhos da camisa. Antes de entrar na sala de jantar, escuta vozes vindas da cozinha. A de Nora. E a de Amélie. Ele não pretende ouvir. Mas seu nome o faz parar. — Ele ficou até tão tarde assim? — pergunta Nora, em tom curioso. — Sim… — responde Amélie, e há um sorriso perceptível na voz dela. — Nem vimos a hora passar. Henrique permanece imóvel, próximo à porta lateral. — O senhor Henrique sempre trabalhou demais — comenta Nora. Há um pequeno silêncio. Então Amélie fala, mais baixa. — Ele é

