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1040 Words
Eu estava prestes a tomar a decisão que mudaria todo o rumo da minha trajetória de vida. Logo eu que sempre fui impulsiva, estou aqui pensativa. Na real o que eu preciso é dos concelhos da minha coroa, mas tá com cotas que ela não fala comigo. Desculpa aí a falta de educação, Satisfação enorme falar com vocês, Maysa na voz. Vou relatar algumas coisas da minha vida pra vocês, da mesma forma que minha mãe fazia. Vocês tão ligados que eu sou a filha da dona Suzana e do Jean, gêmea da Mabele. Última vez que tiveram notícias minhas, eu ainda era uma criança. Família eu tô crescida, dezessete anos e dona do morro da Rocinha. Hoje eu tenho que tomar uma decisão super importante que vai impactar o morro, vocês pensam que é fácil comandar a Rocinha sendo uma mulher ? Eu sou herdeira do morro, mas até hoje muita gente não aceita. No começo eu me incomodava com os olhares, algumas alianças que foram quebradas e inimizades que foram acontecendo. Hoje em dia eu me imponho e não deixo que nenhum filho da p*ta, olhe torto pra mim. Sempre fui tão apegada ao meu pai, muito mais do que com a minha mãe, e desde pequena a minha ganância e cede de poder só foi crescendo dentro de mim. Meu pai fala que eu puxei a minha mãe, mas eu acho que as vezes ele viaja nessa ideia, não pode ser, não tenho nada haver com ela. Voltando ao assunto da decisão que tenho que tomar, tô sofrendo uma pressão desgr@çada dos cabeça da facção, por que os lucros do morro estão caindo. Por*a, eles não entendem que eu tô me virando nos trinta pra reerguer a favela. Como eu falei muitos não gostaram de eu ter assumido o posto do meu pai, e fizeram de tudo pra me ferrar. Conseguiram, por que pra eu conseguir salvar o morro do meu pai eu vou ter que vender algumas biqueiras pra um parceiro de Sampa. Cresci ouvindo do meu pai e tios, que não se pode confiar nessa galera das favelas de são Paulo, mas era minha única opção. Pra vocês entenderem melhor essa história, vamos voltar no tempo a cinco anos atrás . . . Eu tava sentada no sofá da boca mexendo no celular quando minha mãe entrou enfurecida. Suzana: Maysa é a última vez que eu venho te buscar aqui. - Falou puxando meu braço. Maysa: Para com isso dona encrenca, meu pai liberou. Suzana: Teu pai não apita em nada na criação de vocês. Meu pai saiu da sala dele gritando. Jean: Oque que ta pegando aqui ? Maysa: Ela quer me levar pra casa a força. Suzana: Já te falei que não quero ela andando aqui. Jean: Deixa a menina Suzi, ela não tá fazendo nada. Além do mais ela gosta de ficar aqui. Maysa: Desembaça mãe, eu já sei me criar, sei os corre do meu pai e sei muito bem o que eu quero. Suzana: Olha o jeito que tu fala comigo mocinha, você ainda é um criança, bora pra casa agora. . . . Eu saí andando em passos rápidos pra evitar mais constrangimentos, os cara da boca nunca vão me respeitar se a minha mãe continuar me tratando assim. As vezes é um saco ser menor de idade. Eu sempre idolatrei o meu pai, o pulso que ele tem com os Vapores, o jeito que ele cuida aqui da comunidade e da total assistência aos moradores, eu quero isso pra minha vida, quero ser como ele. Eu e minha mãe pouco nos entendemos, ela quer que eu seja como meus irmãos, e eu não consigo, me coloca em situações super desagradáveis. Quando chegamos em casa, ela veio me dar aquele sermão que entrou por um ouvido e saiu por outro. Subi pro quarto do Edson e ele estava ouvindo música. Edson: Que bixo te mordeu Mah ? Tá com a cara fechada! Maysa: A mamãe como sempre. Edson: Maysa tu sabe como a mãe é preocupada, ela não quer nada de r**m aconteça com nós. Maysa: Eu sei disso, mas ela não pode me obrigar a ser uma coisa que eu não sou. - Sentei na cama. Edson: Ela nunca vai aceitar tu entrar pra boca. Maysa: Se ela aceitou tu entrar, vai ter que me aceitar também. Edson: É diferente eu sou homem e sou mais velho. Maysa: Deixa de ser machista, eu tenho total direito de seguir os passos do meu pai, ela vai ter que aceitar. Ela vive pregando o feminismo e como as mulheres podem ser tudo que quiserem, talvez ela devesse colocar em prática isso. Edson: Mah tu só tem doze anos, é uma das bonequinhas dela. Maysa: Eu sei que não adianta eu falar que já sou madura, por que eu ainda não sou, mas minha mente vai bem além da minha idade. Edson: Da uma segurada e tenta se entender com ela. Fiquei em silêncio pensando um pouco. Poxa a minha mãe é uma mulher tão incrível, apoia meu pai em tudo, da maior assistência aos meninos da boca e fica com esse machismo comigo, não consigo entender. Talvez ela pense que vou ser nerd como a Mada e o Douglas, mas cara na real eu não sou, eu sei que sou muito inteligente mas não me vejo em um futuro sendo como eles, Mada é linda mas m*l sai de casa, fica estudando direto. Eu quero curtir a vida, quero aventuras, sentir a espinha gelar com as emoções. Quando eu era menor vi o tio Théo matar um cara que tava devendo na quebrada, fiquei escondida de trás das arquibancadas da arena e vi quando ele atirou na cabeça do cara, a Mabele passou dias sonhando coisas ruins e eu achei normal, não tive medo e nem receio. Sempre me achei diferente dos meus irmãos e de longe o Edson é o que eu tenho mais afinidade, ele quer as mesmas coisas que eu e pensa igual a mim muita das vezes. Eu tenho uma frieza dentro de mim que me intriga, o DJ fala que é por que eu tenho a natureza r**m, mas eu não sei o que é.
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