CAPÍTULO 74 CAROL NARRANDO O carro deslizava pelas ruas já lotadas, a batida do funk ecoando de todos os cantos do morro. As luzes piscavam das lajes, moto passando zunindo, gente descendo e subindo com sacolas de bebida, rindo alto. Era noite de baile, e a favela inteira parecia respirar diferente. Eu tava ali, sentada no banco da frente, o vestido rosa grudando na pele de tanto nervoso, a bolsa apertada no colo. Do lado, o Dante dirigia firme, olhar pesado sempre reto na pista, mas eu sentia… cada vez que ele desviava de canto, era em mim que ele batia os olhos. Fingindo que não, mas eu percebia. Olhei pela janela, tentando me distrair com o movimento. Mas por dentro o coração tava acelerado demais. Não era só pela noite, era pela sensação de que eu tava indo de encontro com algo que

