CAPÍTULO 30 CAROL NARRANDO O gosto do café ainda tava na boca, mas o que queimava era outra coisa. Era a vergonha. A confusão. A dor. Eu tava sentada naquela mesa, de frente pro homem que quase destruiu tudo em mim… e que agora dizia querer consertar. Mas será que dá pra consertar uma bomba depois que ela explode? Não sei. Só sei que eu comi aquele pão como se fosse obrigação. Cada mordida era seca, dura de engolir. A garganta tava fechada, a cabeça a mil, o coração batendo num ritmo estranho. Eu não consegui dormir nada essa noite. Rolei na cama igual barata tonta, com o corpo cansado, mas a mente elétrica. Cada vez que eu fechava os olhos, eu via a cena. O empurrão. A blusa rasgando. A mão dele. E o susto na cara dele quando viu a marca nas minhas costas. A porrä da marca. Até ho

