CAPÍTULO 151 DANTE NARRANDO Saí de casa ajeitando a corrente no pescoço, o gosto do café ainda preso na boca e o cheiro da pequena grudado na minha pele. Cumprimentei os vapores na segurança com um aceno de cabeça. Ninguém precisava de muita palavra — só meu olhar já bastava pra eles entenderem que eu tava de saída e que queria tudo no esquema. Desci os degraus, a mão no bolso sentindo o peso da chave do carro. O sol já começava a esquentar o morro, a claridade refletindo nos telhados de zinco, o barulho de moto cortando o ar. Entrei no carro, girei a chave e deixei o motor roncar, chamando atenção de quem passava. Peguei a rua principal, descendo firme, na manha, mas com a cabeça cheia pensando no trampo do dia e no motivo principal daquela saída. Médico era pra ser coisa simples, mas

