CAPÍTULO 18 DANTE NARRANDO Subi o morro acelerando, com a mente fervendo e o coração no compasso errado, coisa rara pra mim. A moto rugia alto, abrindo caminho entre as vielas, o guidão firme nas minhas mãos enquanto eu cortava o vento com a cara fechada e o pensamento só nela. A novinha. Aquela desgraça de olhar. Cheguei no portão da minha quebrada no alto do morro. Era minha fortaleza. Ninguém subia ali sem minha ordem. Os vapor na contenção abriram espaço na hora que me viram chegando, já com o semblante sério, como sempre. — Boa noite, chefe — um deles disse, batendo no peito em sinal de respeito. — Tranquilo. Tudo sob controle? — perguntei, desligando a moto. — Tudo certo, patrão. Movimento de boa, sem atividade suspeita. Assenti com um gesto e empurrei a moto até a garagem,

