CAPÍTULO 20 CAROL NARRANDO A manhã seguia no automático. Eu ali no caixa, dando bom dia pra quem entrava, ajeitando prateleira, arrumando troco, tentando focar no presente… e não deixar a cabeça voltar pro cemitério. O movimento tava tranquilo. Só uns tiozinhos pegando cigarro, dois motoqueiros abastecendo e aquele rádio chiando no fundo da loja, falando de trânsito e calor. Foi quando escutei o sino da porta. — Bom dia, querida… — aquela voz macia, familiar, que fazia meu coração apertar sem avisar. Levantei os olhos devagar e lá estava ela: Dona Cida. Vestidinho florido, sandália baixa, e aquele olhar cheio de carinho que sempre me desmontava. Antes que eu falasse qualquer coisa, ela veio na minha direção e me envolveu num abraço apertado. Aquele tipo de abraço que segura o mundo

