10- MORREU

1123 Words

CAPÍTULO 10 CAROL NARRANDO Quando virei a última viela antes de chegar em casa, meu coração já tava estranho. Apertado. Como se alguma coisa me puxasse por dentro, avisando que tinha algo errado. A rua tava silenciosa demais. Nem os moleques jogando bola, nem os vizinhos sentados nas cadeiras de plástico. Só o vento, e um cheiro de cigarro velho misturado com mofo. Subi os dois degraus da entrada meio trêmula. A porta de casa tava encostada. — Pai...? — chamei, baixinho, empurrando a porta com cuidado. — Pai, cê tá aí? Silêncio. Entrei. A luz fraca invadindo pela janela suja. O chão rangendo debaixo do meu tênis. Tudo parecia igual... mas não tava. Até que eu vi. Ali, no meio da sala. Meu pai. Pendurado. O corpo dele balançava levemente, como se o tempo tivesse parado. A corda a

Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD