CAPÍTULO 221 DANTE NARRANDO A minha sala da boca tava quente pelo sol entrando pela fresta. O Pelé tava encostado, olhando a rua pela janela como quem nunca dorme de verdade — sempre de olho no morro, nas movimentações. Quando fechei a porta atrás de mim e sentei, respirei fundo e falei direto, do jeito que eu sou: — Mano… a Carol tá grávida. O silêncio caiu pesado por um segundo. Ele virou pra mim como se eu tivesse jogado uma pedra no vidro: sério, olhos esbugalhados por fração de segundo, aquela expressão que mistura choque e cálculo. Depois soltou um “c*****o” baixo, que saiu mais alívio do que surpresa — parecia até que ele já desconfiava de alguma coisa. — Vai ser pai de novo, é? — ele perguntou, meio rindo, meio sem acreditar. Balancei a cabeça. Falei que era a real, que ela s

