CAPÍTULO 12 CAROL NARRANDO O tempo tinha parado. Eu sentia o mundo girando lá fora, o barulho dos carros, os gritos das crianças na rua, até o som do rádio na casa da vizinha… mas dentro de mim, só existia silêncio. Um silêncio sufocante, cortante, pesado como o corpo do meu pai pendurado naquela sala. Meu pai. Meu único porto seguro. Minha base. O único que ainda restava da minha família … tava ali, estendido no chão frio, com o rosto pálido, os olhos fechados, como se estivesse dormindo. Mas não tava. Nunca mais ia estar. E eu? Eu tava destruída. As lágrimas escorriam sem parar, quentes, grossas, com gosto de sangue e revolta. Meu corpo inteiro tremia. Eu gritava por dentro. Gritava tão alto que parecia que ia estourar por dentro. Queria arrancar a dor com as mãos, socar a parede,

