Capítulo 4
Ponto de Vista da Luciana
-O quê? - Dei um grito encarando ele com os olhos bem arregalados, m*l conseguindo digerir a notícia.
Meu Deus!
-Sim a enfermeira me disse que você está grávida de cinco semanas.
-Mas como? - o olhei transtornada com as lágrimas ameaçando a cair.
-Fizeram uns exames de sangue em você. Você, por acaso, sabia disso Luci?
-Não claro que não. - eu respondi ainda sem acreditar. - Não é possível, isso não pode ser. Meu Deus.
-E o André? Você acha que ele vai receber bem a notícia?
-André e eu.....Terminamos. - falei entre os dentes.
-Como é? - Caíque arqueou as sobrancelhas me encarando surpreso. - O que você disse?
-Que terminamos... terminamos ontem. - repeti cruzando os meus braços.
-Ah mas provavelmente agora vocês vão se entender.
-Esta enganado Caíque. - respondi.
Ele me fitou mais surpreso ainda.
-Por quê? Vocês não são namorados? Não se davam bem? Ainda mais agora que...
-Não estávamos, o nosso término foi definitivo. E você não vai contar nada a ninguém, por favor até eu decidir. - o interrompi.
-Mas Luci... como assim? - me questionou.
-Caíque, é a minha vida. Você é como um irmão que eu confio, você não vai me trair ou vai?
-Não.... claro que não Luci, mas o que você vai fazer? O que ele te fez de tão grave? Me fale! Ele tem que saber o que fez com você, você não vai enfrentar isso sozinha, se quiser eu vou fal....
-Não! Por favor! Não faça nada. Ele vai saber, mas vai saber no momento certo. - foi tudo o que consegui dizer. - Caíque você não sabe da metade do que aquele crápula fez comigo. Eu preciso pensar e refletir a minha vida com calma.
-Ah já sei. - ele riu em misto de ironia e indignação. - Terminaram justo agora que ele passou em um concurso público e está ganhando bem? Hummm, agora eu entendi..
-Caíque por favor, eu não quero falar disso agora, com mais tempo eu prometo que vou te contar tudo, mas agora eu não quero falar. - comecei a chorar compulsivamente em maior intensidade. E ele me consolou.
-Calma, tudo bem , Luci, se acalma... tranquila, tudo bem não vou procurar ele... por enquanto. - Ele pausou. - Mas e a tia, ela está preocupada demais com você?
-Eu vou conversar com a minha mãe, pode deixar. E por falar nisso, como ela está? E a tia Maria?
-Elas estão angustiadas. Você desmaiou e eu vim com você na ambulância, minha mãe ficou com a tia em casa. Elas estavam bastante aflitas. Queriam vir junto, mas não permiti, já liguei para a minha mãe e disse que já esta tudo bem.
-Você contou algo pra ela? - lancei um olhar aflito para ele.
-Não! Não contei porque eu já sabia que você não iria querer que eu tivesse contado. Eu fiz isso por você, não quis ser evasivo.
-Obrigada Caíque.
-Você sabe que pode contar comigo, você é a minha irmã. Mas , pense bem, quanto mais rápido você resolver melhor para você e para a criança que você agora está carregando.
Ao ouvir ele dizendo isso, passei a mão pelo meu vente.
Meu bebê!
*****
Mais tarde....
Após os exames e a observação do médico recebi a minha alta.
-Esta tudo certo senhorita, agora é só começar a fazer o pré-natal, aqui na receita você vai precisar dessas vitaminas. E não se esqueça, você agora carrega outra vida, precisa se cuidar bem, da sua alimentação e da sua saúde.
-Obrigada doutor.
Sai do hospital acompanhada pelo Caíque. O dia já estava acabando quando chegamos em casa.
Durante o percurso do hospital até em casa , passava muitas coisas pela minha cabeça.
Medo. Sensação de abandono. Preocupação. Tristeza. Raiva. Surpresa. Inquietação.
Por quê agora? Justo agora, que estava pensando em dar algum rumo significativo para a minha vida.
Assim que o Uber parou o carro descemos. Caíque me ajudou. Ao me deparar com aquele portão cujo a entrada era extremamente familiar.
Respirei bem fundo antes de entrar.
A primeira pessoa que me viu e tentou se levantar para vir ao meu encontro foi a minha mãe. Mas ela não conseguiu, estava com muita dificuldade para se levantar.
-Filha!!!