PRÓLOGO

244 Words
Cinco anos atrás...  — Natasha, deixa eu te explicar! — gritou o garoto de cabelos castanhos, desesperado, correndo pela calçada molhada enquanto os fios voavam ao vento. À sua frente, a garota de cabelos avermelhados continuava fugindo, as lágrimas se misturando à chuva recém-chegada. — Já disse que não quero ouvir suas explicações! — ela respondeu, sem diminuir o passo. Era uma noite estrelada, daquelas que pedem contemplação... mas até o céu pode mudar de humor sem aviso. Uma trovoada cortou o silêncio, e logo a tempestade desabou. Mas nem o frio, nem a água, nem o medo fizeram Natasha parar. E o garoto? Ele também não parou. — Nay, por favor! Vamos sair dessa chuva, você pode ficar doente! Só me escuta! — suplicou, com a respiração falhando entre as palavras. Ela parou. Lentamente, virou-se para ele. Seu moletom colava no corpo encharcado, os olhos vermelhos e cheios de dor. — Não se aproxime. Eu disse pra não me chamar assim. Nunca mais. — Naylee... — ele insistiu, o coração apertando no peito. — Eu não fui embora por escolha. Me deixa explicar, por favor... Ela recuou um passo. O garoto olhou em volta, e seu coração disparou. Ela não havia percebido — estava no meio da rua, na faixa principal. Um carro vinha em alta velocidade. A última coisa que se ouviu foi: — Naylee, cuidado!  Um grito. Um estrondo. Um corpo caído no asfalto. E o mundo de ambos desabou ali.
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