Cinco anos atrás...
— Natasha, deixa eu te explicar! — gritou o garoto de cabelos castanhos, desesperado, correndo pela calçada molhada enquanto os fios voavam ao vento.
À sua frente, a garota de cabelos avermelhados continuava fugindo, as lágrimas se misturando à chuva recém-chegada.
— Já disse que não quero ouvir suas explicações! — ela respondeu, sem diminuir o passo.
Era uma noite estrelada, daquelas que pedem contemplação... mas até o céu pode mudar de humor sem aviso.
Uma trovoada cortou o silêncio, e logo a tempestade desabou. Mas nem o frio, nem a água, nem o medo fizeram Natasha parar. E o garoto? Ele também não parou.
— Nay, por favor! Vamos sair dessa chuva, você pode ficar doente! Só me escuta! — suplicou, com a respiração falhando entre as palavras.
Ela parou. Lentamente, virou-se para ele. Seu moletom colava no corpo encharcado, os olhos vermelhos e cheios de dor.
— Não se aproxime. Eu disse pra não me chamar assim. Nunca mais.
— Naylee... — ele insistiu, o coração apertando no peito. — Eu não fui embora por escolha. Me deixa explicar, por favor...
Ela recuou um passo.
O garoto olhou em volta, e seu coração disparou. Ela não havia percebido — estava no meio da rua, na faixa principal. Um carro vinha em alta velocidade.
A última coisa que se ouviu foi:
— Naylee, cuidado!
Um grito. Um estrondo. Um corpo caído no asfalto.
E o mundo de ambos desabou ali.