Capítulo 2

2397 Words
Amber Lopez PRECISEI fazer um chá para poder adormecer, isso foi quase pela manhã. Já se podia ver os fracos raios do sol. Vivia despertando, costumava dar os remédios do meu pai. A noite sempre é a pior, quando se trata de nos lembrar da dor no peito, de uma perda. Quase me arrependo de ter escolhido ficar no quarto do meu pai, as lembranças boas se tornam tristes. Desci somente para beber um copo com água, o que meu estômago reclamou. Minha mãe e irmã ainda estavam dormindo, se passavam das dez horas. O que me fez pensar que o homem por nome Demétrio, não viria mais. ×× ×× A melhor parte de morar no campo, é ver a beleza do verde em volta. Era tarde da manhã, mas estava um pouco nublado, sinal que choveria novamente, parte da noite foi assim. O que fazia parecer que ainda era cedo, ou parecer uma tarde fria. Sem me importar em sujar minha roupa, sair correndo, pisando algumas poças de água, o gramado fazia um tempo que não era cuidado, o que formou alguns buracos de "enfeite". E acredite estava feliz por tê-los ali. Cansada de correr, me joguei no chão, apreciando a frieza, a água molhando minhas costas, terminando de ensopar meu vestido. ×××××××××××××××××××××××××××××××× Alguns minutos depois. Por Elle Lopez Olho para o grande retrato, a foto de Pedro, meu querido esposo. Éramos mais jovens quando essa foto foi tirada, nesse tempo ainda o amava perdidamente. — Mamãe — limpo as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. — O que foi, Anália? — viro para ela, que me olha estranha. — Estava chorando? — Não seja intrometida, vá vestir uma roupa bonita — a repriendo, ela ainda estar de pijama. — Tome um banho de verdade, Anália. Não me teste hoje, ainda tenho raiva da sua burrice. Quando ela sai, trato de fechar a porta, e poder sofrer um pouco em paz. — Você não merece minhas lágrimas, seu desgraçado — falo, como se ele pudesse me ouvir. Como de costume em nossas brigas, que sempre terminavam em s**o. Nunca resisti a ele, era louca, cheia de desejo por ele. Sua intenção comigo, era somente de ter filhas bonitas. — Agora vou usar suas filhas bonitas, Pedro, como fez comigo. A primeira é a sua primogênita, depois sua queridinha Amber. ×××××××××××××××××××××××××××××××× Demétrio Patterson Sair pela madrugada, somente para chegar depois do almoço em Porto Alegre. Honro meus compromissos, admiro a pontualidade. — Ainda bem que não calcei um salto — diz Liz ao pisar no gramado encharcado. — Chuva, boa chuva. Faz tempo que não a vejo cair — sou tão ocupado que não aprecio pequenas coisas como essa. Quando não estou no escritório, me encontro algum canto fodendo alguma mulher. Meu hobby favorito. — Parece que vai ver hoje, Demétrio — diz ela, olhando para o céu, que está parcialmente nublado. — Demétrio? Isso é sério? — pergunta Beto com expressão condenatória para Liz. — Ela pode chefe, e eu não? Sempre tive uma forte ligação com eles dois, os levo para qualquer lugar. — Só ela, Beto — digo, e começo a caminhada até a casa que está um pouco longe. — i****a — ouvir Liz dizer, esses dois vivem se implicando. Tem partes nesse gramado, que falta engolir meus pés. p**a que pariu! — Aqui precisa de uma roçagem — diz Beto. — Talvez você faça isso, Beto. Depois que Demétrio casar com a songa monga da Anália — rir Liz. Não estou olhando, mas tenho certeza que Beto mostrou o dedo para ela. Eles são ótimos profissionais, mas fora isso, parecem duas crianças, que me irritam. — Quando vão t*****r? Para acabar com essa frescura? — pergunto puto. — Ele não tem p*u para isso, não para mim — diz Liz. — A mulher de ontem, faltou berrar para todos, enquanto sentia meu alazão — se gabou Beto. Liz por um momento ficou em silêncio, mas logo reagiu. — Coitada dessa mulher, é com certeza a profissão dela, fingir se agradar de salsichas finas — retrucou. — Homem de verdade não te faz berrar, te faz delirar, não são gritos que definem o quanto é bom, ainda mas sendo de uma mulher da vida, que quer dinheiro. — Não precisa me humilhar dessa forma, Liz — virei somente para ver a expressão de Beto que fora cômico. — Você é uma m*l amada, com certeza. — Minha mão m*l amada vai socar sua cara, quer experimentar? — diz ameaçadora. — Acabou a briguinha de vocês — dou um basta. ××× ××× — Sr Peterson! — diz Elle ao me ver. — Sempre tão elegante! — Você também, Elle — digo sendo gentil, o que não costumo. — Peço desculpas pela lama, essa chuva é inevitável — diz sem jeito. — Pedro não tinha tempo para mandar que arrumasse esse lugar — diz com desagrado, nada digo. — Vamos deixar esse assunto bobo, e tratar de negócios importantes! — Concordo, tenho pressa para sair da cidade — digo. — Imagino, vamos entrar, tomaremos um café — diz, me conduzindo para dentro, a parte avarandada. — Vocês, podem ficar aqui! Se refere a Liz e Beto, olho para Liz no aviso silencioso para que não diga nada. Discutir com Elle é um saco, ninguém aguenta, e Liz é turbinada demais. Eles então, somente concordaram, ficando do lado de fora. ×× ×× Diante de uma mesa decorada, parecia que era a prova das comidas para o casamento. Sentei na cadeira, olhei para meu lado direito tendo a vista da natureza. Não era admirador por essas coisas, mas devia dizer que aqui, apesar de abandonado, era um lugar bonito. Pensei em reclamar, não almocei, porém estava com mais pressa de resolver essa questão de casamento, que perder tempo com detalhes relevantes. — Demétrio, meu n**o, você chegou — ouvir a voz de Anália, somente a olhei arqueando a sobrancelha. — Digo, sr Peterson. É bom ver você, faz quanto tempo? — Não o bastante — digo, não levanto para cumprimentar ela, sabe como sou, e por esse motivo continua com seu sorriso exagerado no rosto. — A bainha da sua calça está encharcada, não quer subir comigo, colocar elas para secar — diz subjetiva. Olhei de esguelha para ela, analisando sua roupa, parte de sua perna estava nua. Uma roupa própria para seduzir um homem, não de uma mulher que somente conversaria. — Espero que você não tenha almoçado, Demétrio — Elle chega, atrasando minha resposta. — Não estamos com empregada aqui, temos somente o básico de um café da manhã, com variedades. — Se não tem empregada, quem fez isso? — Eu — Anália responde. — Me dediquei à culinária, para agradar meu futuro marido. — Não tem nada decidido, Anália — digo, porém seu sorriso continuou. — Mas, resolveremos isso hoje mesmo— diz Elle confiante. — Sente filha! — São só vocês duas aqui? — perguntei, não esqueci da menina Amber que Liz comentou. Elle olha para Anália, como se decidisse o que responder. O que era desnecessário, era uma simples pergunta. — É somente eu e Anália — ela responde. — Quisemos vim para cá,para ter total sigilo. Não é bom que ninguém saiba do nosso acordo. — É claro — bebo meu café, para ver se ajuda a engolir as mentiras que saem da boca de Elle. ×××××××××××××××××××××××××××××××× Amber Lopez Depois de me deliciar no rio, que há no meio desse mato, entre as árvores, a fome bateu, não comi nada. Passei a manhã toda na água, apreciava o silêncio. Resolvo voltar para casa, um carro chama minha atenção. Está muito longe de casa, o que fizerem bem o deixar aqui, correria o risco de atolar. Faço meu caminho, e a chuva começa a cair, aumentando meu frio. Decido correr, sorrindo sozinha. — Boa tarde! — digo sorridente, vejo um homem e uma mulher no pátio. Ouvindo minha voz, o homem de porte bonito se assustou pois estava sentado no chão húmido. A mulher já tinha uma postura de guarda. — Bom dia, ainda não almocei — diz o homem. A mulher bateu em seu ombro, o homem ainda se levantava. — Boa tarde, senhora — ela diz, com meio sorriso no rosto. — Amber, esse é meu nome — digo para que não seja formal. — Ela é a garota .... O homem começou a falar, mas foi cortado pela mulher. Decido não ligar. — Porque estão aqui fora? — pergunto, saindo da chuva. — Está muito frio. — Não fomos convidados a entrar — ela responde. — Típico da mamãe — resmungo. — Bem, eu deixo vocês entrarem. — Não, nosso chefe nos disse para ficar aqui — o homem diz. — Que chefe m*l esse de vocês — digo. — Sou dona dessa casa, e tenho certeza que Demétrio vai demorar. — Você o conhece? — ela pergunta. — Não, mamãe comentou que ele viria— respondo. — Porque não está com elas? — É ... digamos que não sou a favor de certas coisas que elas gostam — digo fazendo careta. A mulher somente balança a cabeça, e olha para o homem que me olha com a testa franzida. — Vocês não almoçaram, e eu também não comi nada. Que tal me acompanharem? Dando de ombros, os dois entraram comigo. ××× ××× Arrumei a mesa para nós três, era costume servir os outros, gostava disso. Ver as pessoas satisfeitas, felizes, era como ganhar um grande prêmio. — Você quem fez? — pergunta a mulher. — Sim, foi eu — respondo orgulhosa, dos pães de queijo. — Está gostoso demais — o homem elogiou. — Qual é o nome de vocês ? — pergunto, nenhum ao menos disse. — Liz — Beto — Liz,Beto. É um prazer servir vocês — eles sorriem. — Vocês são seguranças? Suas roupas são pretas sociais. — Sim — Beto responde. Liz me olha estranha. — Uau, isso é demais. Você, Liz é grande exemplo de mulher — elogio, seu semblante suavisou talvez esperasse uma crítica. — Você acha? — pergunta ela. — Sim — balançou a cabeça. — Sabe lutar, atirar? — Sei, sempre massacro essa espécie que se considera homem — se refere à Beto. Começo a rir, ele custa mas rir também. — Queria saber fazer essas coisas, você deve ser muito boa. Liz fica em silêncio. — Vou pegar mais pão de queijo, daqui a pouco não vai ter mais nada no prato, sei que não enche muito a barriga, mas é o que temos — digo me levantando. — Estou satisfeito com isso — Beto diz. Esse fogão não está nas melhores condições. Entro no quartinho da dispensa, procuro por uma caixa de fósforos, quero que eles provem minha lasanha portuguesa. Quando ainda estou à procura do fósforo, ouço a voz da minha mãe. — Isso é um a***o, o que fazem na minha cozinha? Sair da dispensa, a dona Elle está na sua pose de patroa. Me aproximo para que não haja confusão. — Eu os chamei — digo sua atenção vem para mim. Um ar cheiroso vem ao encontro de minhas narinas, me desligando momentâneamente de Elle. Arredo para o lado, vejo minha irmã e ao seu lado, um homem alto, vestido de preto, com expressão neutra. Ele percebe minha presença, antes a tinha seus olhos escuro em Liz e Beto, agora estavam em mim. Sinto um frio na barriga, algo se agita dentro de mim, causando desconforto, e vergonha por estar ainda com vestido agora húmido. — Estava chovendo, fazendo muito frio. É arriscado pegar uma virose, os convidei para entrar — explico para Elle, e o homem que presta atenção em mim. Elle me olha dizendo " Isso não é problema meu" Anália, não saberia decifrar ela, sua atenção estava no homem, que imagino que seja Demétrio. — Quem é ela? — o homem por nome Demétrio perguntou para Elle. — Ela ... — mamãe ficou parada me olhando. — É a emprega! Anália, você não me disse nada que ela chegaria hoje. Se isso cortou meu coração? Sim! Cortou, mas apenas um fiozinho. Não fiz cara f**a ou retruquei, não era de discutir. — Sou a empregada por nome Amber, senhor — me apresentei, sem desmentir Elle. O homem retirou o braço de Anália que agarrava o seu. Se aproximou me analisando, não me senti intimidada. Tá bem! Comecei a me sentir, quando ficou bem próximo. — Bonito o nome — fiquei surpresa com seu elogio. Não parei para prestar atenção nas expressões ao nosso redor. — Agradeço, senhor — sorrir. — Você parece estar com fome, aceita um pão de queijo, eu mesma fiz, quer? Peguei o prato com intenção de servi-lo, ainda sobrava três pães de queijo. Quando o fiz, sua mão segurou o prato também, por debaixo dele sua mão encostou em meus dedos. Olhei diretamente em seus olhos. — Aceito, Amber! — disse, reparei em seus olhos negros. Demétrio levou um até sua boca fina e atraente, fechou os olhos ao mastigar, se deliciando. Ao tornar abri-los disse. — São melhores que os de Anália — comentou. — Sua irmã, não? Olhei para Elle, vi quando repuxou sua garganta, fazendo sua veio do pescoço aparecer. Nervosa. — Ela não é tão minha irmã, entende? — Anália quem disse, me pergunto o que adiantou ela estudar nas melhores universidades, seria tão preguiçosa? Poderia rir disso, mas não tinha graça, as coisas estavam em jogo. Mas mentir não era a solução, conseguiríamos enganar esse homem, quero dizer, minha mãe e irmã? — Começou com mentiras Elle, qual a necessidade disso, quer experimentar o pior dessa vida? — seu tom foi ácido, deixando minha pele arrepiada de medo.
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